domingo, 12 de outubro de 2014

Terras do nosso Algarve - Estoi

Estoi é uma terra com carácter, uma aldeia com personalidade.

Antiga, festiva e tradicional, mantém nas suas ruas e casas muito ao jeito algarvio. As fachadas caiadas, as chaminés rendilhadas, os pequenos quintais com árvores e flores, são ainda a alma desta região.


Respira-se Algarve em Estoi.

Ao longo de todo o ano chegam turistas procurando o passado nas ruínas de Milreu, espólio do tempo dos romanos, e no Palácio de Estoi, construção que remonta ao século XIX.

Estoi é uma aldeia de gente calorosa e hospedeira.

Estoi, uma das aldeias mais típicas do Algarve, fica situada nas faldas da Serra do Monte Figo, a ramificação mais meridional da Serra do Caldeirão, que debruçada sobre a estreita planície litoral, na zona centro do Algarve, dá inicio ao Barrocal. A 9 Km de Faro, é servida de boas acessibilidades, uma vez que tanto a EN 2, como o nó de Faro / S.Brás, da IP1 Via do Infante, distam apenas algumas centenas de metros do núcleo urbano.



A actividade económica da freguesia é baseada no sector primário, havendo, no entanto, algumas industrias directamente ligadas à actividade agrícola e agro-pecuária, bem como à transformação de mármores e pedras ornamentais. Merece destaque também, a construção e os serviços.

O pomar tradicional de sequeiro, constituído por misto de amendoeira, alfarrobeira, oliveira e figueira é, de há muito, o coberto vegetal predominante da freguesia e representa a actividade principal, que ao longo dos séculos, num saber feito de tradição, que perdurou das colonizações romana e árabe, absorveu a maioria da mão de obra das suas populações.

Os serviços ligados aos sectores da Administração Pública, Ensino e Educação, Comércio, Transportes e Turismo e Construção Civil, por outro lado, tornaram-se contudo os principais sectores económicos da região.

A abundância da água da fonte localizada na praça principal do núcleo histórico da aldeia, está na origem da “Villa Rústica” de Milreu, importante casa agrícola Romana datada do séc. I, que no séc. III foi transformada num palácio, dotado de termas abastecidas por águas canalizadas dessa mesma fonte.

Utilizado em épocas posteriores por outros povos, que colonizaram a região, o edifício foi-se degradando ao longo dos tempos, acabando por cair em ruína. A queda da base da sustentação económica daquela exploração agrícola pensa-se, estará na origem da aldeia de Estoi. Os trabalhadores da mesma, após a sua desagregação, ter-se-ão deslocado para junto da fonte que abastecia o conjunto rústico-palaciano, ai construindo as suas casas e dando origem à povoação, que criou raízes e se desenvolveu.

A mais antiga alusão escrita que se conhece de Estoi data de 1415, referindo-se a um participante da conquista de Ceuta, que seria casado com a filha do Alcaide-mor de Estoi.

Património Cultural

Ruínas Romanas de Milreu
Monumento nacional constituído por vila rústica – séc. I, Palácio com termas – séc. III e Templo pagão – séc. IV



Igreja Matriz
Templo do séc. XVI, construído no estilo Renascentista, remodelado no final do séc. XVIII em estilo Neoclássico, sob a orientação do arquitecto italiano Francisco Xavier Fabri. Possui interessante torre sineira, púlpito em mármore regional, estatuária sacra dos sécs. XVII, XVIII e XIX e uma custódia em prata dourada do séc. XVII.

Ermida do Pé da Cruz
Templo construído em 1600, com azulejos-padrão seiscentistas, retábulo estilo Rococó e fachada remodelada em estilo Neoclássico.

Palácio de Estoi
Conjunto classificado, constituído por palácio e jardins em estilo Romântico (séc. XIX), mandado construir num local com excelente enquadramento paisagístico, por Fernando José Pereira do Carvalhal e Vasconcelos, membro de uma das famílias mais destintas da nobreza algarvia. A conclusão das obras e decoração só foram concretizadas no final do séc. XIX e início do séc. XX, ao tempo de José Francisco da Silva, Visconde de Estoi, que recorreu para o efeito a importantes artistas nacionais e a galerias de arte italianas.


Merecem destaque no interior o conjunto de trabalhos em estuque e o mobiliário dos salões nobres e nos jardins a azulejoaria e estatuária.
“Se em matéria de Palácios para belas adormecidas o autor não tivesse como tem idéias tão bem definidas, talvez adaptasse para o efeito estes jardins e estas arquitecturas”

Quinta de S. João da Horta Nova
Interessante conjunto de casa de Quinta com capela, anexos agrícolas e tanque, do séc. XVIII.

Núcleo Histórico
Conjunto de ruas, praças e patrimônio habitacional de carácter algarvio, fachadas caiadas, cantarias em pedra trabalhadas, varandas em ferro forjado e chaminés recortadas, na presença de pequenos quintais com árvores e flores.


Obra Poética de Emiliano da Costa
Importante poeta algarvio nascido em Tavira, que adoptou a aldeia de Estoi como sua, aqui se radicando com carácter definitivo, jovem recém licenciado em medicina, para exercer a sua actividade profissional e escrever a sua obra poética grande parte da qual dedicada à sua “Aldeia Branca”, ao seu povo, costumes e vivência rural.


Aves, flores, saudades

Sol a sol, desde a serra até ao mar,

Das pegas-rabilongas às gaivotas,
A orquestra alada, requintado as notas,
De nascente a poente é só tocar:

Ocarinas em fila – terras-cottas
Em beirais de telhado; à beira-mar,
Flautas de abibes; harpas de luar

Em garças ribeirinhas, nas marnotas;
Ao longo das ribeiras são as filas
Dos violinos – sílvias e fringilas –
Violetas, violas-trisonoras

E no alto do céu, flamas em jogo,
A regê-los, o Pássaro de Fogo
Peneira as grandes asas criadoras.                                                                     
(in “Concerto ao ar livre”)




Património Natural

Zona do barrocal algarvio, de paisagem variada, não descaracterizada, com interessantes passeios por estradas rurais, desfrutando nos seus pontos mais elevados de magníficas vistas de mar e serra.

Produtos Locais

Perduram algumas olarias tradicionais e existe um Centro de Arte onde se manufacturam alguns trabalhos interessantes de vidro e cerâmica.

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