quinta-feira, 23 de maio de 2013

Produtores Vitivinícolas do Algarve - Quinta João Clara

A quinta João Clara, situada em Alcantarilha, tem a dimensão de 30 hectares, divididos pela cultura da vinha e por outras culturas agrícolas. A história desta quinta remete-nos para a década de 70 do século XX, altura em que o produtor João Alves Clara decidiu aventurar-se no mundo dos vinhos. 




A quinta mantém-se hoje na mão dos descendentes, nomeadamente de Joaquim Alves. Pela primeira vez, este jovem produtor lançou no mercado um vinho de marca, que foi devidamente certificado pela Comissão Vitivinícola Regional Algarvia, segundo a lei em vigor. Uma decisão de aplaudir que mereceu, por isso, o forte apoio do produtor “veterano” João Mendes. O vinho de que se fala é o “João Clara – Vinho Tinto Regional Algarve 2006”, que se apresenta numa garrafa “vestida” pelo artista plástico Júlio Antão.


Actualmente a quinta produz três vinhos com paladar retirado das castas Crato-Branco, Red-Globe, Manteúdo, Negra-Mole, Trincadeira, Syrah, Aragonez e Alicante-Bouschet.


           
João Clara Branco

Floral com toques de toranja. 

Jovem, fresco e leve. Vinho bem estruturado, no conjunto dos seus componentes orgânicos. 

Vinificado em cubas de inox à temperatura de 14 ºC a 16 ºC. 

Na boca comprova os aromas florais e a toranja. Bem arredondado, elegante, suave, persistente, agradável e belo final de boca.

Saladas de peixe, marisco e carnes brancas frias, bacalhau de salga de confecção requintada. Prato de peixe, marisco, moluscos de cozinha tradicional do Algarve e como aperitivo.



                                                                                                      
João Clara Rosé

Cor rosada. Límpido e brilhante.

Intenso, com frutado persistente a morangos e framboesas. 

Vinho jovem com excelente frescura e de grande elegância no contexto global dos aromas.

Muito bom no palato, onde revela toda a sua frescura e todo o charme com a envolvência nos seus aromas. Persistente, redondo, com muito belo final de boca.

Peixes e mariscos de confecção média, carnes brancas de confecção ligeira. 

Muito bom para um convívio social informal.





João Clara Tinto

Rubi profundo e nuances violeta.
Intenso a frutos maduros vermelhos (ameixa e framboesa) e pretos (amora). 
Notas a especiarias com toques de tostado, muito bem arredondado no conjunto dos seus componentes orgânicos, com relevo para os taninos suaves, o teor alcoólico e a excelência da acidez.
Na boca tem uma elegância e um charme muito belo, duma persistência notável. Tem um longo e muito agradável final de boca.
Tradicional cozinha portuguesa em geral, carnes vermelhas, de capoeira, caça de pêlo e penas de confecção muito boa, uma boa tábua de queijos nacionais e estrangeiros.
Medalha de Prata no concurso “Wine Masters Challenge” 2009.
Medalha de Prata no “Concours Mondial de Bruxelles” 2009.


Vinhos algarvios medalhados em concurso mundial

A edição deste ano do “Concours Mondial de Bruxelles” decorreu em Bratislava, na Eslováquia, de 10 a 12 de maio. Entre os vinhos vencedores constam dois algarvios, nomeadamente o “João Clara Tinto 2011 – Vinho Regional Algarve – Essential Passion” (medalha de ouro) e o “Quinta do Francês 2009 – Vinho Regional Algarve – Patrick Agostini” (medalha de prata). Ambos os produtores são da zona de Silves.


Já no Decanter World Wine Awards, o “Marquês dos Vales Grace Vineyard 2008” e o “Marquês dos Vales Primeira Selecção 2010”, da Quinta dos Vales, foram os vinhos agraciados com o título “Commended”.

Há cerca de dois meses, a Quinta dos Vales (Lagoa-Silves) ficou colocada entre os vencedores do China Wine & Spirits Awards Best Value 2013, conquistando uma dupla medalha de ouro para o “Marquês dos Vales Selecta tinto 2110” e obteve ainda o troféu de “Produtor Português do Ano 2013”.

O CWSA Best Value 2013 contou com 3.300 dos melhores vinhos do mundo, bebidas espirituosas e produtos espumantes, com inscritos oriundos de 25 países competindo pelo sucesso.


terça-feira, 21 de maio de 2013

Sardinha em destaque na mostra gastronómica da Praia da Rocha

A segunda edição da Mostra Gastronómica da Sardinha vai decorrer, entre 24 de maio e 2 de junho, na Praia da Rocha, em Portimão.


Face ao sucesso da última iniciativa, a organização voltou a juntar seis restaurantes localizados no passadiço da Praia da Rocha para proporem “diferentes formas de degustar este ex-líbris da gastronomia local”.

Durante dez dias, o prazer da sardinha poderá ser diariamente saboreado entre as 12h00 e as 22h00, a um preço especial e de variadas e surpreendentes maneiras e confeções, com exceção da tradicional sardinhada, tendo os clientes a oportunidade de degustar as várias ofertas de petisco e de prato principal.

Participam neste evento, apoiado pela ATP – Associação Turismo de Portimão, os restaurantes “Atlântico”, “Mar e Sol”, “O Bonezinho”, “Salsada do Zé”, “O Casalinho” e “Castelos”, que diariamente apresentam três petiscos (a 2,80 euros cada) e três pratos principais (7,80 euros cada), nos quais a sardinha é rainha, sendo oferecido um digestivo aos clientes que perfaçam 10 euros de consumo mínimo.


Terras do nosso Algarve - Salir

Salir é uma freguesia de base agrícola, mas ao mesmo tempo detentora de um património inestimável, quer histórico, natural ou paisagístico.
Está situada no prolongamento dos chamados “Barros Vermelhos” de Silves, que oferecem excelentes condições para a hortofruticultura.


A freguesia de Salir é a maior do concelho de Loulé e uma das mais importantes.
Trata-se de uma freguesia situada na beira serra fazendo a transição entre o barrocal e a serra algarvia. É o elo de ligação entre o Alentejo e o Algarve, sendo o centro aglutinador das freguesias limítrofes.
Tem cerca de 200Km2, sendo seguramente uma das maiores de Portugal.


Actividades Principais

A agricultura, silvicultura, pastorícia e os serviços designadamente comércio e turismo são as actividades fulcrais.
Produz-se, em quantidade considerável, amêndoas, alfarrobas, azeitonas, cortiça e trigo.
No que se refere ao regadio, este também ocupa um lugar de relevo. As potencialidades turísticas abrangem diversas vertentes – Agro-turismo, turismo de habitação, etc.


História

A origem da povoação de Salir perde-se nos tempos, alvitrando-se a hipótese de ter sido habitada pelos Celtas, sendo certo que, pelos resultados obtidos através das escavações arqueológicas em curso nas ruínas do Castelo de Salir, esta povoação foi habitada pelos Árabes, tendo o Castelo sido construído durante o período da ocupação Almóada, no século XII.

Salir é referenciado no “Portugaliae Monumenta Historica” como local onde D. Paio Peres Correia aguardou a chegada de D. Afonso III, para juntos empreenderem a conquista do que ainda no Algarve restava em poder dos mouros em 1249.

No tempo de D. Afonso III, uma praça-forte conferindo ao Castelo de “Selir” (designação Árabe) um papel privilegiado na conquista definitiva do Algarve.

O Castelo, ao que se supõe, foi incendiado e reconstruído por duas vezes, restando hoje, apenas, ruínas das suas muralhas.

No censo de Pina Manique de 1798, consta a Freguesia de São Sebastião de Salir, detentora de 408 fogos, no Concelho de Loulé e comarca de Tavira.


Património Cultural

Castelo
É o mais importante monumento de Salir. Construído em taipa no séc. XII pelos berberes Almoádas, restam-lhe hoje alguns torreões, parte da muralha, no chamado “muro da sabedoria” e parte das casas que ai foram construídas.


Igreja Matriz
Edificada no séc. XVI, num cerro fronteiro ao do Castelo, para onde a aldeia, entretanto havia crescido.

Capela da Nossa Sr.ª do Pé da Cruz
Situada junto ao Castelo, terá sido também construída no séc. XVI.

Ao nível do património rural e urbano, Salir é uma freguesia bastante rica. Um dos poucos moinhos de vento ainda a funcionar em todo o Algarve situa-se na cumeada, havendo muitos outros arruinados por toda a serra.

Alguns montes e aldeias constituem autênticas exposições vivas sobre os modelos e processos de construção tradicional, desde os ancestrais palheiros circulares, até às cantarias e fornos de cozer pão. Uma belíssima chaminé do séc. XVIII pode, por exemplo, ser admirada no Porto das Covas, um dos núcleos urbanos mais antigos de Salir.


Património Natural

Lagoa (seca) da Nave do Barão
Trata-se de uma lagoa seca cujo subsolo é de origem cársica e por isso com grande poder de retenção das águas, mantendo a água retida à superfície, em geral até meados de Maio.
Todo este vale possui um inegável valor ambiental e paisagístico.


Sítio do Malhão
Miradouro natural sobre a serra do Caldeirão.


Tradições

A Festa da Espiga, festejada na Quinta-feira de Ascensão (Maio) é o acontecimento mais relevante ao nível das manifestações tradicionais da Freguesia de Salir, uma vez que encerra aspectos verdadeiramente ancestrais que estão relacionados com as raízes culturais das suas gentes. O desfile etnográfico, único no País, funciona como atractivo turístico a par de uma mostra/feira do mais genuíno artesanato.


Produtos Locais

Muitas actividades foram desaparecendo na voragem da sociedade. No entanto nesta freguesia ainda se manufacturam bons cestos de vime e de cana, diversos objectos de palma e esparto, bordados e rendas, bem como lata, mobiliário em madeira. Em Salir poderá adquirir também produtos biológicos, preservando os bons sa-bores da serra, os enchidos, a aguardente de medronho e os licores de ervas, são muito procurados e valorizados.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Gastronomia Algarvia - Bolo do Tacho/Maio de Monchique

Ingredientes:

- Farinha de milho
- Erva-doce em grão
- Erva-doce moída
- Café forte
- Banha ou margarina
- Farinha de trigo
- Aniz ou aguardente
- Sal
- Casquinhas de limão
- Azeite
- Cacau
- Chocolate
- Canela
- Mel
- Açúcar



Preparação:

De véspera faz-se um chá com erva-doce em grão e umas casquinhas de limão. Com este chá e o café escalda-se a farinha, juntando de seguida o mel, a banha, o açúcar e o azeite. Mistura-se tudo muito bem. No dia seguinte, junta-se o resto do chá e o resto dos ingredientes. A massa deve ficar brandinha. Deita-se em tachos untados com banha e um pouco de azeite e vai a cozer em forno bem quente, durante cerca de 2 horas.

domingo, 19 de maio de 2013

Monumentos e Património do nosso Algarve - Igreja do Antigo Colégio da Companhia de Jesus (Portimão)

Situado na colina fronteira ao burgo medieval, mas dentro da malha urbana moderna, o Colégio dos Jesuítas foi construído para ser o principal edifício da cidade, desfrutando de enorme impacto visual, elevando-se no meio de casario baixo, e uma carga cenográfica como não acontece em nenhum outro monumento portimonense.


A sua edificação recua a 1660 e a uma figura importante da nobreza do Portugal Restaurado: D. Diogo Gonçalves. Este nobre, oriundo de Vila Nova de Portimão e com ligações ao Oriente, determinou, por testamento, a fundação de um Colégio da Companhia de Jesus em Portimão, tendo-se feito sepultar, posteriormente, na capela-mor da sua igreja, em arcossólio de volta perfeita, de mármore, e túmulo acompanhado por uma extensa legenda epigráfica. É provável que o Colégio tenha ocupado parcialmente estruturas anteriores, como o parece provar um arco manuelino, actualmente no corpo lateral direito do conjunto. O edifício barroco, todavia, levou algum tempo a ser construído, tendo-se realizado a cerimónia de sagração já em 1707, quando o tempo artístico assumia plenamente o Barroco, em detrimento das concepções maneiristas que caracterizam ainda as construções jesuíticas.

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Como construção jesuítica, a arquitectura do Colégio reflecte as dominantes estéticas sóbrias e austeras da Ordem e que constituem, mesmo, uma dos mais interessantes capítulos da arquitectura seiscentista portuguesa. A imponente fachada principal, onde o carácter cenográfico do conjunto mais se faz sentir, é obra de João Nunes Tinoco, "a figura de maior prestígio da arquitectura portuguesa da segunda metade do século XVII antes de João Antunes" (SERRÃO, 2003, p.134), que aqui concebeu um projecto praticamente idêntico ao Colégio de Faro. A igreja mantém-se fiel ao esquema jesuítico, com nave única bastante alta, abóbada de canhão, e destituída de compartimentação interior, esquema aqui desenvolvido numa escala tão grandiosa que conferiu, a este estabelecimento, o estatuto de maior igreja do Algarve.

A nascente, três capelas, sendo a central a capela-mor, ostentam outros tantos retábulos de talha dourada, de estilo nacional, obras ligeiramente posteriores à sagração do templo, datadas de 1717-1719 (MAIA e VENTURA, 1993, p.50) e devidas a Manuel Martins, o mesmo que escassos anos depois haveria de trabalhar para a Igreja Matriz de Portimão, e cuja qualidade artística das obras que chegaram a té hoje o permite catalogar como o "maior entalhador algarvio da sua época" (LAMEIRA, 1991, p.242).

O terramoto de 1755 veio provocar alguns danos neste espaço, destacando-se a ruína das abóbadas, um facto que pode ter estado na origem da refeitura do remate da fachada principal (MAIA e VENTURA, 1993, p.50), dada a sua aparente descontextualização em relação aos registos inferiores.

Escassos dois anos depois, o Marquês de Pombal determinou a extinção da Ordem. Por decreto datado de 1774, D. José doou a cerca do antigo Colégio à Universidade de Coimbra e, mais tarde, D. Maria pretendeu instalar neste edifício uma casa da Ordem de São Camilo de Lélis, congregação que chegou, mesmo, a tomar posse do conjunto em 1780.

Como tantos outros conventos pelo país, o ano de 1834 significou o inícios de uma prolongada ruína. Extintas as Ordens religiosas, o imóvel foi repartido por várias instituições locais, como a Misericórdia e a assistencial Ordem Terceira de São Francisco, que numa das alas instalou um Hospital.

Na actualidade, o antigo Colégio dos Jesuítas de Portimão permanece disperso por várias entidades, facto que tem tornado muito difícil a sua manutenção e até recuperação. Enquanto que algumas alas têm vindo a ser objecto de beneficiações mais ou menos periódicas, outras estão votadas ao esquecimento, faltando ainda uma perspectiva global de intervenção e de exploração de um dos mais emblemáticos edifícios portimonenses e algarvios.

sábado, 18 de maio de 2013

Praias do nosso Algarve - Praia da Culatra

A praia situa-se na extrema nascente da ilha com o mesmo nome, associada a um antigo povoado de pescadores, que até há algumas dezenas de anos, era constituído por casas de madeira.


A povoação, ainda constituída por população piscatória, encontra-se agora dotada de várias infra-estruturas e serviços. Na área envolvente observam-se inúmeros mariscadores distribuídos pelos bancos de vaza a descoberto na baixa-mar e vestígios das formas artesanais de pesca utilizadas, nomeadamente os covos e os alcatruzes para o polvo. 


Com um areal amplo a estender-se tanto para poente como para nascente, também aqui se pode observar a rica flora dos campos dunares que se sucedem para o interior bem como gozar as águas cálidas e tranquilas e os ventos quentes de leste. Após duas horas de caminhada para leste chega-se à Barra Grande, onde se podem apreciar as convidativas piscinas naturais arenosas e uma paisagem sempre em mutação.


Notas: As correntes junto à barra são normalmente muito fortes, sendo necessária cautela.

Acessos: De barco a partir de Faro (Verão) e de Olhão (todo o ano), diversos equipamentos de apoio (restaurantes e WC) e vigilância durante a época balnear. A Barra Grande não tem vigilância. Orientação: sudeste.