segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nove feridos após disparos à porta de discoteca em Vilamoura

Nove pessoas ficaram feridas sem gravidade ao início da manhã desta segunda-feira quando um indivíduo disparou sobre clientes da discoteca do Casino de Vilamoura, no Algarve, com os quais terá estado envolvido numa rixa dentro deste espaço de diversão.


Ao que o PÚBLICO apurou junto de fonte policial, o incidente ocorreu pouco depois das 7h, à porta da discoteca Black Jack, que funciona no edifício do Casino de Vilamoura, em Quarteira, no concelho de Loulé.

Terá havido uma rixa no interior do espaço de diversão nocturna. À saída, um indivíduo que estaria dentro de um veículo nas imediações aproximou-se do parque de táxis que fica junto ao casino. Munido de uma caçadeira, efectuou dois disparos em direcção aos utentes da discoteca que terão estado envolvidos nos desacatos.

Segundo a mesma fonte, os disparos provocaram quatro feridos ligeiros e outras cinco pessoas também ficaram feridas quando tentavam proteger-se. No entanto, fonte do INEM disse à Lusa que apenas três das vítimas foram atingidas pelos projécteis nos membros inferiores, e que as restantes seis ficaram feridas durante a fuga.

Duas pessoas receberam tratamento no Serviço de Urgência Básica de Loulé e as restantes foram transportados para o Hospital de Faro. 

O autor dos disparos pôs-se imediatamente em fuga no veículo onde seguia como pendura. O caso está agora entregue à Polícia Judiciária.


Fonte:  Público

domingo, 26 de agosto de 2012

Terras do nosso Algarve - S. Marcos da Serra

Recolhida na sua ruralidade, a aldeia de S. Marcos da Serra oferece um esplendoroso panorama, onde se destacam os sobreiros, os medronheiros, e a azinheira. O ar está carregado do cheiro do rosmaninho, da urze e da esteva. A paisagem é o seu maior valor patrimonial, misturando os verdes das árvores e da vegetação selvagem, nas encostas que enquadram a brancura da aldeia tipicamente serrana.



A aldeia desenvolve-se em torno da Praça Central, onde se localiza a Igreja matriz, segundo dois eixos. Trata-se de um conjunto ainda harmonioso, com a presença de casas de tipologia rural, de um piso, construídas em taipa e com tecto de caniço, ou então com dois pisos, acompanhando as ondulações do terreno.


Localização

Situada numa colina, entre outras que formam a Serra de Espinhaço de Cão, S. Marcos da Serra é a primeira localidade do Algarve, bem na fronteira com o Alentejo.
Ali ao lado, passa o comboio, e a IP1.
Basta tomar o desvio devidamente assinalado na IP1 e percorrer algumas centenas de metros para nos encontrarmos no centro da aldeia.


População

Em São Marcos da Serra vivem 1510 pessoas de acordo com o Censo de 2001. O isolamento levou ao envelhecimento da população. Todavia, nos últimos anos, alguns jovens, em busca de um estilo de vida mais próximo da terra e dos valores naturais têm-se fixado na freguesia.


Actividades Principais

A economia de base rural, a sucumbir perante a instalada crise da agricultura, provocou o êxodo da população mais jovem, que procura o trabalho e o bem-estar noutros locais. Embora não seja fácil inverter esta tendência, a presença de “novos rurais” que a preservação ambiental do sítio atrai, fez surgir novas actividades produtivas, como o fabrico do pão, dos enchidos e da doçaria.
O património natural é um dos recursos com mais futuro, dada a riqueza da sua fauna, da sua flora silvestre, dos produtos mais castiços da região – o medronho e o mel – e das potencialidades que se lhe oferecem através do turismo rural.
A cestaria, em especial mobiliário de cana e também alguns trabalhos de tecelagem, são os produtos artesanais mais procurados.
As zonas circundantes, florestadas e de mato, propiciam a produção de mel e medronho e de produtos corelacionados, como por exemplo os bolos de mel da doçaria tradicional.
Existe ainda uma produção florestal intensiva de pinheiro marítimo e eucalipto, em socalcos, nas encostas.
A azinheiras, de porte extraordinariamente grande, têm geralmente copas achatadas e são limpas periodicamente para estimular a produção de bolota. Da lenha resultante, faz-se carvão.


História

S. Marcos da Serra é sede de freguesia desde a implantação da igreja de S. Marcos Evangelista no ponto mais alto da povoação, conhecido por “o Castelo” e rodeado por paredões de defesa e de sustentação. O antigo templo, que remonta ao séc. XVII, possui linhas simples, mas contém interessantes imagens religiosas. “Remonta esta por certo ao séc. XVI, época da sua curiosa e bela pia baptismal. Repare-se ainda no singelo mas representativo altar barroco da sua capela--mor.”



Património Cultural

Implantada bem no centro de São Marcos da Serra, no seu local mais elevado e na artéria pública que presumivelmente conduzia ao castelo, existe uma chaminé tradicional, parte integrante de uma modesta casa privada de planta rectangular e fachada típica tripartida, com uma porta ladeada por duas janelas.
Trata-se de um elemento sem paralelo em todo o Algarve, não apenas pelas suas exageradas dimensões, mas também pelo facto de ter sido datada do século XVII. Quanto ao primeiro destes aspectos – a imponência da chaminé face à ruralidade que caracteriza a casa – explica-se como uma clara marca de poder do proprietário, que patrocinou a sua construção, facto ainda realçado pela localização do imóvel no ponto mais elevado da aldeia e, neste sentido, visível a longa distância. A imponência e rendilhado das chaminés algarvias configuraram, à época, o elemento mais visível do prestígio sócio – económico dos seus proprietários.
Embora a datação secular desta chaminé suscite dúvidas, uma vez que as tipologias de chaminés não estão definidas numa perspectiva diacrónica e esta possui a data de 1909 numa cartela, dados que deverão motivar alguma cautela e suscitar a investigação, a casa foi recentemente restaurada, mantendo o essencial da sua traça rural característica,
Ainda que prejudicada pelas construções situadas na envolvência, que não respeitaram as antigas volumetrias, é a tradicional linha urbanística que persiste.



Património Natural

A aldeia está alcandorada numa colina com vários cabeços em redor e circundada pela ribeira do Odelouca, que aí toma o nome de Ribeira de S. Marcos. As suas casas serranas, algumas com bonitas chaminés rendilhadas, dispõem-se em degraus, com ruas muito íngremes subindo para o largo da Igreja Matriz. Todas as casas são caiadas de branco, em contraste com o fundo verde – ocre da terra. As hortas limítrofes formam espaços muito pitorescos, anunciando a existência da Ribeira do Odelouca e dos seus afluentes Saliente-se a diversidade da flora e da fauna locais. Com sorte, os observadores de aves poderão descobrir, entre muitas outras espécies nidificantes, o o gavião, várias águias, o pombo torcaz, a cotovia, o melro, o rouxinol e o pintassilgo.


Tradições

Este território que separa as planícies alentejanas do ameno litoral sul do país, tem uma paisagem que no século XVI foi descrita, por frei João de São José na sua Corografia do Reino do Algarve, com um realismo surpreendente, e por comparação com o Oceano como um «mar muito empolado, com grande tormenta, onde não se vê cousa chã ou igual senão umas ondas altas e outras maiores junto delas, ficando uns grandes baixios saídos entre umas e outras...». Ainda hoje, a serrania cobre-se de estevas e tojo. Aqui e além, hortinhas verdejantes, leiras de milho e centeio mantêm-se por teimosia de braços que não sabem estar parados.
O oráculo da aldeia, homenageado na Igreja Matriz, admite-se que tenha sido o autor do Segundo Evangelho da Bíblia. Marcos e Maria viviam em Jerusalém e a sua casa servia de local de reunião dos primeiros cristãos. Discípulo de São Paulo, esteve ao seu lado quando este ficou preso em Roma. Foi também discípulo de São Pedro. E os críticos modernos afirmam que o evangelho de Marcos foi escrito por volta dos anos 60/70 e dirigido aos cristãos de Roma.
É certamente referindo-se ao provérbio popular “Por S. Marcos,(festejado a 25 de Abril) bogas e sáveis nos barcos” que surgiram estas quadras populares de Lúcia Maria Coelho Guerreiro.

"Nesta terra esquecida
É tudo à grande e à francesa
Os peixes são como burros
Será história ou é certeza?

Boa gente não falta
Nesta terra serrana
Ir à pesca, só com tresmalho
Nem pensar em ir com cana"


Produtos Locais

A valorização crescente dos produtos naturais e que conservam os bons sabores tradicionais leva a que algumas das actividades artesanais ressurjam. Com a cana e o vime que crescem nas margens das ribeiras próximas, os artesãos dedicam-se à cestaria, tanto de pequenas peças como de mobiliário.
Os enchidos tradicionais, oriundos do porco preto, alimentado pela bolota dos azinhais e a doçaria em que o mel surge a dourar as receitas são outros dos produtos que apetece provar. Também o pão, cozido em forno de lenha, surge como uma tentação a que é bom ceder.


Gastronomia

A excelência dos produtos serranos, tantas vezes transitando directamente da horta ou do fumeiro para a panela, começa a transformar a gastronomia num grande atractivo para os visitantes. A caça também fornece deliciosas receitas.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Hóspedes com "tudo incluído" também podem jantar fora sem levar a carteira

Hoteleiros do Algarve estão a apostar em pacotes de "tudo incluído" mas adaptados a programas que visam quebrar a rotina do cliente que não gosta de se sentir "prisioneiro" no hotel. A proposta de "jantar fora" sem precisar de levar carteira foi posta em prática, no ano passado, em duas unidades do grupo Luna & Resorts, no Alvor, e alargou-se este Verão a Albufeira, mas em breve poderá chegar aos restaurantes da zona do barrocal e da serra. 


Os orçamentos para férias emagreceram e os empresários "moldaram-se" às leis do mercado, que pretende encontrar destinos acessíveis, dentro de certos padrões de qualidade. Joaquim Canastro, director comercial do grupo Luna - com 12 unidades hoteleiras na região algarvia -, apostou na ideia de jantar fora, em restaurantes à escolha do cliente, sem se pagar mais por isso. 

A receptividade que a iniciativa obteve no Alvor, acrescenta, levou-o a alargar a proposta a Albufeira. "Resultou em pleno", garante o responsável hoteleiro, adiantando que pretende desenvolver outras parcerias no sector do turismo para contrariar a ideia de que o sistema de "tudo incluído" implica ficar confinado a um resort, sem ter grande espaço de manobra para sair de lá se não se estiver disposto a pagar mais do que o valor previamente acordado.

Joaquim Canastro criou um voucher que permite aos clientes escolherem um restaurante fora do hotel. Em Albufeira, dispõem de um leque de sete restaurantes: quatro de especialidade (espanhol, chinês, italiano e indiano); dois tipicamente portugueses e um de comida internacional. O prato mais a entrada ficam por um valor entre os 12 e os 14 euros. As bebidas são pagas à parte. Mas, caso o cliente pretenda escolher um qualquer outro prato da ementa, fora do estabelecido, também o poderá fazer mediante um pagamento extra na ordem dos cinco euros. A boa aceitação da ideia, segundo garante, "incentiva a alargar a proposta aos restaurantes do interior, na zona do barrocal e serrana".

"As pessoas, cada vez mais, definem um orçamento para as férias, e não querem ter surpresas nos gastos", justifica Joaquim Canastro, que defende a necessidade de se criarem sinergias entre os vários parceiros do sector.

Conceito a ser trabalhado

"É o conceito que o Algarve tem de trabalhar", salienta, por seu lado, o vice-presidente da Associação dos Industriais de Hotelaria e Similares do Algarve, Vítor Faria. Os hotéis, nota, "talvez não tenham a possibilidade de oferecer, por si só, uma tão grande diversidade de oferta ao nível da restauração". Na Quinta do Lago, por exemplo, existe uma outra prática. Um famoso restaurante de praia da zona tem um acordo com o hotel e o cliente não precisa de se preocupar com o pagamento. A conta é debitada juntamente com o aluguer do quarto.

Os grandes operadores turísticos, afirma Joaquim Canastro, "moldam o mercado, e o Algarve tem de seguir a corrente dominante". Por isso, o também administrador do Hotel Califórnia entende que a nova forma de comercializar quartos passa pelo pacote turístico com "tudo incluído", mas levando os clientes a conhecer outros espaços, para além do hotel em que estão hospedados. 

Quem discorda do sistema de all inclusive é José Carlos Leandro, proprietário do hotel Alísios, em Albufeira, por considerar que copiar o modelo - a imitar os resorts das Caraíbas, mas também já praticado por unidades algarvias - comporta riscos. "Não pago ordenados com taxas de ocupação", advertiu o hoteleiro, chamando a atenção para a descapitalização de algumas empresas. A prosseguir por este caminho, alertou, a região envereda pela massificação.

O hotel Vila Galé Náutico, em Armação de Pêra, apostou este ano no sistema all inclusive, com bons resultados. "Mantivemos a qualidade", sublinha o director Carlos Cabrita, classificando de "muito positiva" a adesão dos clientes.

"Temos de dar corda à imaginação", sustenta Joaquim Canastro, para quem não é a oferta do sistema assente no uso de uma pulseira de uso exclusivo num empreendimento que conduz ao turismo massificado: "A massificação fez-se pela construção civil. As camas estão aí para serem alugadas". O corte do financiamento bancário, só em Albufeira, deixou centenas de camas turísticas por concluir. Uma das zonas da envolvente à marina está transformada numa "muralha" de cimento à espera de compradores.

Fonte: Público

Urgências de Lagos e Loulé afinal vão continuar abertas

A garantia é do ministro da Saúde que põe de lado a recomendação de um relatório a propor o fecho das duas unidades.


O ministro da Saúde assegurou hoje, em Faro, que as unidades de urgência básica de Loulé e Lagos não serão fechadas, apesar de ter recebido um relatório técnico a propor o encerramento.

"Apesar da recomendação de um estudo técnico, não temos intenção de fazer alterações nessas duas unidades", enunciou Paulo Macedo aos jornalistas, à margem de uma visita de trabalho que efetuou hoje à tarde ao Hospital de Faro.

O relatório da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência previa o fecho dos Serviços de Urgência Básica (SUB) localizados em Lagos e em Loulé.

Em julho, a proposta mereceu duras críticas do deputado social-democrata Mendes Bota que afirmou que, caso o Governo avançasse, levaria o ministro da Saúde ao terreno.

"Convidá-lo-ei a fazer comigo o percurso de várias aldeias do Ameixial ou de Salir [Loulé] para verificar como não é possível alguém ser transportado até Faro em menos de uma hora", disse na altura Mendes Bota à agência Lusa.

Também o PS/Algarve alertou hoje que o possível encerramento dos serviços de urgência de Lagos e Loulé provocaria a destruição da rede de saúde do Algarve e teria fortes repercussões na segurança e imagem da região.

"O eventual encerramento dos SUB de Lagos e Loulé provocará a destruição da rede do Algarve, que o próprio documento reconhece como única, com impactos nefastos para a estratégia de desenvolvimento da região e populações, bem como uma sobrecarga para os serviços que se propõem como alternativa", sustentavam os socialistas algarvios.

Além de Lagos e Loulé, a lista da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência inclui serviços de urgência em Valongo, Oliveira de Azeméis, Idanha-a-Nova, Tomar, Montemor-o-Novo, Estremoz, Serpa, Macedo de Cavaleiros, Fafe, Santo Tirso, Peniche, Agualva-Cacém, Montijo e Lisboa (Hospital Curry Cabral, cujo encerramento já se efetivou).

Praias do nosso Algarve - Praia da Arrifana

Esta praia nasce numa bonita enseada em forma de concha, abrigada da fria nortada e das ondulações de norte, onde existe um núcleo piscatório. O areal é comprido mas estreito e encontra-se marginado por altaneiras arribas de tom negro, com destaque para a Pedra da Agulha, um leixão com uma forma particular, que se tornou um ícone da costa sudoeste.


Existem boas condições para a prática de mergulho no extremo norte da praia, sendo também esta uma das praias de eleição para a prática do surf e bodyboard. A vista panorâmica da Fortaleza da Arrifana, actualmente em ruínas, é deslumbrante. Mais a norte, na Ponta da Atalaia, famosa pelos seus percebes, existem vestígios de um Ribat muçulmano, um convento-fortaleza de grande valor arqueológico.


Nota: O acesso pedonal à praia é algo íngreme.

Acesso: Viário alcatroado a partir da entrada sul de Aljezur (EN 120), seguindo no sentido da Arrifana, que se situa a cerca de 9 km. Não é possível estacionar junto à praia, apenas deixar passageiros, o estacionamento processa-se no topo da arriba. Equipamentos de apoio (restaurante e WC) e vigilância durante a época balnear. Orientação: sudoeste.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Gastronomia Algarvia - Amêijoas na Cataplana

Ingredientes:
Para 4 pessoas

1,5 kg de amêijoas ;
5 cls de azeite ;
300 grs de tomates frescos ;
2 dentes de alho ;
150 grs de cebolas ;
100 grs de chouriço ;
60 grs de presunto ;
1 dl de vinho branco seco ;
1 folha de louro ;
1 ramo de salsa ;
pimenta q.b. ;
sal q.b.


Confecção:
Lave bem as amêijoas em água fria. Cubra-as com água salgada, ou, na falta desta, utilize água e sal, algumas horas antes da sua confecção.
Descasque a cebola e pique grosseiramente. Descasque, também, o alho e pique bem fino.
Leve um tacho ao lume com o azeite. Junte o alho, a cebola e a folha de louro. Adicione o ramo de salsa. Deixe refogar.
Junte o vinho branco e deixe reduzir (apurar).
Entretanto, corte o presunto em pedaços peuqenos e ponha a demolhar em água fria. Corte, também, o chouriço em meias luas. Retire os pés aos tomates, escalde estes em água a ferver e limpe de peles e sementes. Corte-os em dados pequenos e ponha-os no tacho.
Junte igualmente o presunto e o chouriço.
Deixe estufar tudo durante 5 a 10 minutos.
Retire o ramo de salsa e a folha de louro. Tire as amêijoas da água salgada e lave novamente em água fria.
Leve uma cataplana ao lume e ponha uma camada do conteúdo do tacho. Sobre esta camada coloque as amêijoas e cubra com o restante conteúdo do tacho.
Tape a cataplana e leve a lume não muito forte.
Quando passarem 5 minutos volte a cataplana e deixe ao lume mais 10 a 12 minutos para que as amêijoas abram.

Conselho: Utilize amêijoas grandes e a cataplana só deve ser aberta em presença de quem a vai comer.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Terras do nosso Algarve - Monchique

Água fresca, verde e vistas. No pico da Picota ou a banhos nas Caldas - ir a Monchique é conhecer o reverso do buliço da costa - é poder encher os pulmões de ar puro e aconchegar o estômago com os prazeres da cozinha. Suba pelos carreiros, espreite nos miradouros e quando tiver sede coloque as mãos em concha e beba das famosas águas que escorrem das entranhas da terra directamente para as centenas de bicas que existem por ali. Não dispense também uma visita às termas, que lhe oferecem um cenário de água, luz e verde.


A Fóia é o ponto mais alto do Algarve e dali se abrange toda a Serra de Monchique, onde as árvores seculares formam um misterioso jardim, uma catedral natural que o mar emoldura no infinito.
Vegetação luxuriante, fontes, ribeiras e regatos que se descobrem a cada recanto, a história da povoação é indissociável da existência de tão grande riqueza hidrológica, ainda para mais conhecidas desde tempos imemoriais pelas suas propriedades curativas.

Localização

Monchique é um concelho montanhoso delimitado por Odemira a norte, Silves a Este, Silves, Portimão e Lagos a Sul e a Oeste por Aljezur.
A sinuosa EN 266 vinda de Portimão, serpenteia em direcção a Norte atravessando Monchique antes de se dividir em Luzianes, para Odemira ou para Ourique.


População

A freguesia possui 5385 habitantes (Censos 2001), a que se juntam muitos residentes de outras nacionalidades atraídos pela beleza natural da serra.

Actividades Principais

A extracção de sienito em diversas pedreiras na Nave, onde se podem observar canteiros a talhar paralelepípedos para calçadas e a extracção da cortiça são das actividade económicas mais importantes, a par do engarrafamento da água de Monchique e da exploração florestal intensiva (eucaliptos e pinheiros).
Outras fontes de rendimento são os produtos agro-alimentares artesanais e a apicultura. A suinicultura e a agricultura de subsistência em socalcos também são relevantes para a economia local.

História

Elevado a concelho por Decreto em 1773, ano em que a povoação também foi elevada a Vila saindo do “termo” de Silves, Monchique é no entanto muito anterior a estas datas.
O terramoto de 1755, só terá provocado 3 vítimas, mas o casario ficou muito arruinado assim como a igreja matriz. O convento ficou completamente arrasado.
Da presença romana à árabe, não restam quaisquer referências especiais mas a descoberta de diversos exemplares de moedas romanas de ouro, prata e cobre, podem comprovar a sua presença ou passagem por este local, desde pelo menos reinado de Constantino (306-337 d. C.), Graciano (375-383 d. C.), Teodósio (379-395 d. C.) e Honorio (395-423 d. C.).
Regista-se a estada de D. João II a banhos para recuperar da sua doença, nas Caldas por volta de 20 de Outubro de 1495, nos que viriam a ser os últimos dias da sua vida pois, daqui sairia para Alvor onde viria a falecer a 25 de Outubro.



Património Cultural

Igreja Matriz - Foi edificada nos sécs. XV/XVI e os elementos mais relevantes são os seus dois pórticos, o principal (virado a poente) e lateral (Sul), belos exemplares do estilo manuelino. A igreja confere uma sensação de abertura e leveza talvez por serem tão amplas as suas três naves, separadas por harmoniosas arcadas de volta perfeita, onde os capitéis das colunas repetem o tema decorativo do portal principal.

Ainda no interior, existem sete retábulos. Na capela-mor o retábulo de talha dourada do séc. XVIII apresenta dois anjos a segurar a lua e o sol. A imagem da Nossa Sr.ª da Conceição atribuída ao escultor Machado de Castro, data do séc. XVIII é um exemplar o período rococó de grande qualidade estética. A registar ainda a Capela do Santíssimo com uma abóbada manuelina revestida com azulejos do séc. XVII com os quatro painéis de alminhas.

As opiniões divergem sobre a data da sua construção, por um lado refere-se a sua sagração, com a vinda de D. João II a banhos neste lugar por volta de 1495 (séc. XV), mas mais provável é a sua construção encontrar-se associada à elevação de Monchique a sede de Freguesia, no período do Bispado de D. Fernando Coutinho, no primeiro terço do século XVI (1502-1536). Veio a sofrer uma profunda remodelação posterior ao terramoto, que se presume pela falta de harmonia entre estilos.

Núcleo de Arte Sacra de Monchique na Igreja Matriz - Irá funcionar neste Imóvel de Interesse Público, reunindo o espólio sacro da freguesia de MonMonchiquechique, que entretanto foi alvo de uma recuperação por especialistas.

Convento de Nossa Sr.ª do Desterro - Localiza-se no topo de um cerro sobranceiro à vila, tendo próximo uma Magnólia classificada como árvore monumental.

O convento Franciscano foi destruído pelo terramoto de 1775 encontra-se actualmente em ruínas. Pode-se mesmo assim desfrutar de belos panoramas sobre a vila e a encosta da Picota.

Foi fundado em 1631 por Pero da Silva, o “Mole”, que mais tarde foi vice-rei da Índia.

Igreja de S. Sebastião - De registar as colunas fantasiosas que integram o retábulo do altar e a imagem da Nossa Sr.ª do Desterro datada do séc. XVII.

Igreja da Misericórdia - Possivelmente anterior ao séc. XVI, podemos apreciar nesta igreja o altar, o púlpito e o baldaquino que constituem um conjunto de grande valor. A não esquecer a exposição dos painéis utilizados nas procissões e duas telas do séc. XVIII.

Ermida do Senhor dos Passos -  Situada dentro da vila é uma ermida muito simples, de um só altar onde se veneram as imagens. A destacar a de Cristo em tamanho natural.

A Ermida das Caldas de Monchique com uma construção simples situa-se nas Caldas de Monchique.


Complexo Arquitectónico

O complexo arquitectónico de Monchique, e o seu meio envolvente é, no seu todo, de uma enorme beleza, fazendo lembrar outros locais. Daqui advém em grande parte o facto de Monchique ser conhecida pela “Sintra” do Algarve.


Património Natural

A Serra de Monchique, incluída na rede natura 2000 é um habitat mediterrânico com forte influência atlântica e com intensa precipitação. Por existirem estas condições, toda a zona, é extremamente rica do ponto de vista botânico.


Esta serra também é o habitat do felino mais ameaçado da Europa, o Línce Ibérico.

Laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros e castanheiros crescem nas encostas em socalcos. Perto do cume dos cerros podem ser encontradas espécies raras como o Rhododendrum ponticum ssp baeticum, a Paeonia broteroi e a orquídea da espécie Neotinia maculata.

O coberto arbóreo actual é principalmente constituído por sobreiros, pinheiros e grandes plantações de eucaliptos para a pasta de papel. O medronheiro também cresce abundantemente entre os sobreiros e os pinheiros.

Fonte dos Amores - A Fonte dos Amores localiza-se nas Caldas de Monchique. Num espaço de merendas aprazível, à sombra de eucaliptos ancestrais. Para além deste sítio é possível observar várias outras quedas de água nas Caldas.


Encosta da Picota - (situa-se na estrada de Monchique para Alferce) O Cerro da Picota nos seus 774 metros é um dos pontos mais escarpados da Serra de Monchique.

A encosta da Picota, é um dos poucos locais onde se podem observar ainda resquícios da vegetação autóctone da Serra de Monchique, onde se incluem o castanheiro, o carvalho de Monchique e o carvalho cerquinho, entre numerosas outras de importante interesse científico.

Barranco dos Pisões - A cerca de 3 Km da vila, na direcção do sítio do Peso, o Barranco dos Pisões destaca-se, tal a abundância das águas que correm, normalmente todo o ano. Estão presentes freixos, amieiros, salgueiros e choupos, bem como um plátano classificado como Árvore Monumental de Portugal.


Produtos Locais

Um dos mais interessantes produtos artesanais é a cadeira de tesoura, inspirada no mobiliário romano. De início só se fabricavam por encomenda, para as casas mais abastadas. Actualmente a madeira utilizada é a de amieiro que cresce nas zonas mais húmidas da serra.

As colheres de madeira, são outros dos produtos artesanais com muita procura, assim como a cestaria de cana e vime. A aguardente de medronho, o mel e os enchidos de produção caseira são produtos emblemáticos.

Tradições

Diz o povo que o castelo de Alferce comunica com o de Silves por extensas galerias e túneis e que no Barranco do Demo, está escondido um tesouro guardado e defendido pelo “Maligno” que, para o fazer, se transforma em bode...

Coração de Plátano

Reza a lenda que de tantos corações desenhados no velho plátano das Caldas de Monchique, que a jurássica árvore acabou por ganhar alma e se perder de paixão por um abelharuco. Um dia a ave bateu asas e nunca mais voltou. Desnorteado, o plátano desfez-se em lágrimas e refugiou-se na terra. Mas porque o tempo esbate até as marcas de um grande amor, mais tarde, já recomposto, transformou-se em fonte e diz o povo que aquelas águas salvam agora vidas e amores desenganados.

Gastronomia

É extensa e rica a gastronomia serrana e com muitas características distintivas da restante gastronomia algarvia. Os milhos, a assadura e o frigineco, são petiscos a descobrir.