quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Hóspedes com "tudo incluído" também podem jantar fora sem levar a carteira

Hoteleiros do Algarve estão a apostar em pacotes de "tudo incluído" mas adaptados a programas que visam quebrar a rotina do cliente que não gosta de se sentir "prisioneiro" no hotel. A proposta de "jantar fora" sem precisar de levar carteira foi posta em prática, no ano passado, em duas unidades do grupo Luna & Resorts, no Alvor, e alargou-se este Verão a Albufeira, mas em breve poderá chegar aos restaurantes da zona do barrocal e da serra. 


Os orçamentos para férias emagreceram e os empresários "moldaram-se" às leis do mercado, que pretende encontrar destinos acessíveis, dentro de certos padrões de qualidade. Joaquim Canastro, director comercial do grupo Luna - com 12 unidades hoteleiras na região algarvia -, apostou na ideia de jantar fora, em restaurantes à escolha do cliente, sem se pagar mais por isso. 

A receptividade que a iniciativa obteve no Alvor, acrescenta, levou-o a alargar a proposta a Albufeira. "Resultou em pleno", garante o responsável hoteleiro, adiantando que pretende desenvolver outras parcerias no sector do turismo para contrariar a ideia de que o sistema de "tudo incluído" implica ficar confinado a um resort, sem ter grande espaço de manobra para sair de lá se não se estiver disposto a pagar mais do que o valor previamente acordado.

Joaquim Canastro criou um voucher que permite aos clientes escolherem um restaurante fora do hotel. Em Albufeira, dispõem de um leque de sete restaurantes: quatro de especialidade (espanhol, chinês, italiano e indiano); dois tipicamente portugueses e um de comida internacional. O prato mais a entrada ficam por um valor entre os 12 e os 14 euros. As bebidas são pagas à parte. Mas, caso o cliente pretenda escolher um qualquer outro prato da ementa, fora do estabelecido, também o poderá fazer mediante um pagamento extra na ordem dos cinco euros. A boa aceitação da ideia, segundo garante, "incentiva a alargar a proposta aos restaurantes do interior, na zona do barrocal e serrana".

"As pessoas, cada vez mais, definem um orçamento para as férias, e não querem ter surpresas nos gastos", justifica Joaquim Canastro, que defende a necessidade de se criarem sinergias entre os vários parceiros do sector.

Conceito a ser trabalhado

"É o conceito que o Algarve tem de trabalhar", salienta, por seu lado, o vice-presidente da Associação dos Industriais de Hotelaria e Similares do Algarve, Vítor Faria. Os hotéis, nota, "talvez não tenham a possibilidade de oferecer, por si só, uma tão grande diversidade de oferta ao nível da restauração". Na Quinta do Lago, por exemplo, existe uma outra prática. Um famoso restaurante de praia da zona tem um acordo com o hotel e o cliente não precisa de se preocupar com o pagamento. A conta é debitada juntamente com o aluguer do quarto.

Os grandes operadores turísticos, afirma Joaquim Canastro, "moldam o mercado, e o Algarve tem de seguir a corrente dominante". Por isso, o também administrador do Hotel Califórnia entende que a nova forma de comercializar quartos passa pelo pacote turístico com "tudo incluído", mas levando os clientes a conhecer outros espaços, para além do hotel em que estão hospedados. 

Quem discorda do sistema de all inclusive é José Carlos Leandro, proprietário do hotel Alísios, em Albufeira, por considerar que copiar o modelo - a imitar os resorts das Caraíbas, mas também já praticado por unidades algarvias - comporta riscos. "Não pago ordenados com taxas de ocupação", advertiu o hoteleiro, chamando a atenção para a descapitalização de algumas empresas. A prosseguir por este caminho, alertou, a região envereda pela massificação.

O hotel Vila Galé Náutico, em Armação de Pêra, apostou este ano no sistema all inclusive, com bons resultados. "Mantivemos a qualidade", sublinha o director Carlos Cabrita, classificando de "muito positiva" a adesão dos clientes.

"Temos de dar corda à imaginação", sustenta Joaquim Canastro, para quem não é a oferta do sistema assente no uso de uma pulseira de uso exclusivo num empreendimento que conduz ao turismo massificado: "A massificação fez-se pela construção civil. As camas estão aí para serem alugadas". O corte do financiamento bancário, só em Albufeira, deixou centenas de camas turísticas por concluir. Uma das zonas da envolvente à marina está transformada numa "muralha" de cimento à espera de compradores.

Fonte: Público

Urgências de Lagos e Loulé afinal vão continuar abertas

A garantia é do ministro da Saúde que põe de lado a recomendação de um relatório a propor o fecho das duas unidades.


O ministro da Saúde assegurou hoje, em Faro, que as unidades de urgência básica de Loulé e Lagos não serão fechadas, apesar de ter recebido um relatório técnico a propor o encerramento.

"Apesar da recomendação de um estudo técnico, não temos intenção de fazer alterações nessas duas unidades", enunciou Paulo Macedo aos jornalistas, à margem de uma visita de trabalho que efetuou hoje à tarde ao Hospital de Faro.

O relatório da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência previa o fecho dos Serviços de Urgência Básica (SUB) localizados em Lagos e em Loulé.

Em julho, a proposta mereceu duras críticas do deputado social-democrata Mendes Bota que afirmou que, caso o Governo avançasse, levaria o ministro da Saúde ao terreno.

"Convidá-lo-ei a fazer comigo o percurso de várias aldeias do Ameixial ou de Salir [Loulé] para verificar como não é possível alguém ser transportado até Faro em menos de uma hora", disse na altura Mendes Bota à agência Lusa.

Também o PS/Algarve alertou hoje que o possível encerramento dos serviços de urgência de Lagos e Loulé provocaria a destruição da rede de saúde do Algarve e teria fortes repercussões na segurança e imagem da região.

"O eventual encerramento dos SUB de Lagos e Loulé provocará a destruição da rede do Algarve, que o próprio documento reconhece como única, com impactos nefastos para a estratégia de desenvolvimento da região e populações, bem como uma sobrecarga para os serviços que se propõem como alternativa", sustentavam os socialistas algarvios.

Além de Lagos e Loulé, a lista da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência inclui serviços de urgência em Valongo, Oliveira de Azeméis, Idanha-a-Nova, Tomar, Montemor-o-Novo, Estremoz, Serpa, Macedo de Cavaleiros, Fafe, Santo Tirso, Peniche, Agualva-Cacém, Montijo e Lisboa (Hospital Curry Cabral, cujo encerramento já se efetivou).

Praias do nosso Algarve - Praia da Arrifana

Esta praia nasce numa bonita enseada em forma de concha, abrigada da fria nortada e das ondulações de norte, onde existe um núcleo piscatório. O areal é comprido mas estreito e encontra-se marginado por altaneiras arribas de tom negro, com destaque para a Pedra da Agulha, um leixão com uma forma particular, que se tornou um ícone da costa sudoeste.


Existem boas condições para a prática de mergulho no extremo norte da praia, sendo também esta uma das praias de eleição para a prática do surf e bodyboard. A vista panorâmica da Fortaleza da Arrifana, actualmente em ruínas, é deslumbrante. Mais a norte, na Ponta da Atalaia, famosa pelos seus percebes, existem vestígios de um Ribat muçulmano, um convento-fortaleza de grande valor arqueológico.


Nota: O acesso pedonal à praia é algo íngreme.

Acesso: Viário alcatroado a partir da entrada sul de Aljezur (EN 120), seguindo no sentido da Arrifana, que se situa a cerca de 9 km. Não é possível estacionar junto à praia, apenas deixar passageiros, o estacionamento processa-se no topo da arriba. Equipamentos de apoio (restaurante e WC) e vigilância durante a época balnear. Orientação: sudoeste.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Gastronomia Algarvia - Amêijoas na Cataplana

Ingredientes:
Para 4 pessoas

1,5 kg de amêijoas ;
5 cls de azeite ;
300 grs de tomates frescos ;
2 dentes de alho ;
150 grs de cebolas ;
100 grs de chouriço ;
60 grs de presunto ;
1 dl de vinho branco seco ;
1 folha de louro ;
1 ramo de salsa ;
pimenta q.b. ;
sal q.b.


Confecção:
Lave bem as amêijoas em água fria. Cubra-as com água salgada, ou, na falta desta, utilize água e sal, algumas horas antes da sua confecção.
Descasque a cebola e pique grosseiramente. Descasque, também, o alho e pique bem fino.
Leve um tacho ao lume com o azeite. Junte o alho, a cebola e a folha de louro. Adicione o ramo de salsa. Deixe refogar.
Junte o vinho branco e deixe reduzir (apurar).
Entretanto, corte o presunto em pedaços peuqenos e ponha a demolhar em água fria. Corte, também, o chouriço em meias luas. Retire os pés aos tomates, escalde estes em água a ferver e limpe de peles e sementes. Corte-os em dados pequenos e ponha-os no tacho.
Junte igualmente o presunto e o chouriço.
Deixe estufar tudo durante 5 a 10 minutos.
Retire o ramo de salsa e a folha de louro. Tire as amêijoas da água salgada e lave novamente em água fria.
Leve uma cataplana ao lume e ponha uma camada do conteúdo do tacho. Sobre esta camada coloque as amêijoas e cubra com o restante conteúdo do tacho.
Tape a cataplana e leve a lume não muito forte.
Quando passarem 5 minutos volte a cataplana e deixe ao lume mais 10 a 12 minutos para que as amêijoas abram.

Conselho: Utilize amêijoas grandes e a cataplana só deve ser aberta em presença de quem a vai comer.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Terras do nosso Algarve - Monchique

Água fresca, verde e vistas. No pico da Picota ou a banhos nas Caldas - ir a Monchique é conhecer o reverso do buliço da costa - é poder encher os pulmões de ar puro e aconchegar o estômago com os prazeres da cozinha. Suba pelos carreiros, espreite nos miradouros e quando tiver sede coloque as mãos em concha e beba das famosas águas que escorrem das entranhas da terra directamente para as centenas de bicas que existem por ali. Não dispense também uma visita às termas, que lhe oferecem um cenário de água, luz e verde.


A Fóia é o ponto mais alto do Algarve e dali se abrange toda a Serra de Monchique, onde as árvores seculares formam um misterioso jardim, uma catedral natural que o mar emoldura no infinito.
Vegetação luxuriante, fontes, ribeiras e regatos que se descobrem a cada recanto, a história da povoação é indissociável da existência de tão grande riqueza hidrológica, ainda para mais conhecidas desde tempos imemoriais pelas suas propriedades curativas.

Localização

Monchique é um concelho montanhoso delimitado por Odemira a norte, Silves a Este, Silves, Portimão e Lagos a Sul e a Oeste por Aljezur.
A sinuosa EN 266 vinda de Portimão, serpenteia em direcção a Norte atravessando Monchique antes de se dividir em Luzianes, para Odemira ou para Ourique.


População

A freguesia possui 5385 habitantes (Censos 2001), a que se juntam muitos residentes de outras nacionalidades atraídos pela beleza natural da serra.

Actividades Principais

A extracção de sienito em diversas pedreiras na Nave, onde se podem observar canteiros a talhar paralelepípedos para calçadas e a extracção da cortiça são das actividade económicas mais importantes, a par do engarrafamento da água de Monchique e da exploração florestal intensiva (eucaliptos e pinheiros).
Outras fontes de rendimento são os produtos agro-alimentares artesanais e a apicultura. A suinicultura e a agricultura de subsistência em socalcos também são relevantes para a economia local.

História

Elevado a concelho por Decreto em 1773, ano em que a povoação também foi elevada a Vila saindo do “termo” de Silves, Monchique é no entanto muito anterior a estas datas.
O terramoto de 1755, só terá provocado 3 vítimas, mas o casario ficou muito arruinado assim como a igreja matriz. O convento ficou completamente arrasado.
Da presença romana à árabe, não restam quaisquer referências especiais mas a descoberta de diversos exemplares de moedas romanas de ouro, prata e cobre, podem comprovar a sua presença ou passagem por este local, desde pelo menos reinado de Constantino (306-337 d. C.), Graciano (375-383 d. C.), Teodósio (379-395 d. C.) e Honorio (395-423 d. C.).
Regista-se a estada de D. João II a banhos para recuperar da sua doença, nas Caldas por volta de 20 de Outubro de 1495, nos que viriam a ser os últimos dias da sua vida pois, daqui sairia para Alvor onde viria a falecer a 25 de Outubro.



Património Cultural

Igreja Matriz - Foi edificada nos sécs. XV/XVI e os elementos mais relevantes são os seus dois pórticos, o principal (virado a poente) e lateral (Sul), belos exemplares do estilo manuelino. A igreja confere uma sensação de abertura e leveza talvez por serem tão amplas as suas três naves, separadas por harmoniosas arcadas de volta perfeita, onde os capitéis das colunas repetem o tema decorativo do portal principal.

Ainda no interior, existem sete retábulos. Na capela-mor o retábulo de talha dourada do séc. XVIII apresenta dois anjos a segurar a lua e o sol. A imagem da Nossa Sr.ª da Conceição atribuída ao escultor Machado de Castro, data do séc. XVIII é um exemplar o período rococó de grande qualidade estética. A registar ainda a Capela do Santíssimo com uma abóbada manuelina revestida com azulejos do séc. XVII com os quatro painéis de alminhas.

As opiniões divergem sobre a data da sua construção, por um lado refere-se a sua sagração, com a vinda de D. João II a banhos neste lugar por volta de 1495 (séc. XV), mas mais provável é a sua construção encontrar-se associada à elevação de Monchique a sede de Freguesia, no período do Bispado de D. Fernando Coutinho, no primeiro terço do século XVI (1502-1536). Veio a sofrer uma profunda remodelação posterior ao terramoto, que se presume pela falta de harmonia entre estilos.

Núcleo de Arte Sacra de Monchique na Igreja Matriz - Irá funcionar neste Imóvel de Interesse Público, reunindo o espólio sacro da freguesia de MonMonchiquechique, que entretanto foi alvo de uma recuperação por especialistas.

Convento de Nossa Sr.ª do Desterro - Localiza-se no topo de um cerro sobranceiro à vila, tendo próximo uma Magnólia classificada como árvore monumental.

O convento Franciscano foi destruído pelo terramoto de 1775 encontra-se actualmente em ruínas. Pode-se mesmo assim desfrutar de belos panoramas sobre a vila e a encosta da Picota.

Foi fundado em 1631 por Pero da Silva, o “Mole”, que mais tarde foi vice-rei da Índia.

Igreja de S. Sebastião - De registar as colunas fantasiosas que integram o retábulo do altar e a imagem da Nossa Sr.ª do Desterro datada do séc. XVII.

Igreja da Misericórdia - Possivelmente anterior ao séc. XVI, podemos apreciar nesta igreja o altar, o púlpito e o baldaquino que constituem um conjunto de grande valor. A não esquecer a exposição dos painéis utilizados nas procissões e duas telas do séc. XVIII.

Ermida do Senhor dos Passos -  Situada dentro da vila é uma ermida muito simples, de um só altar onde se veneram as imagens. A destacar a de Cristo em tamanho natural.

A Ermida das Caldas de Monchique com uma construção simples situa-se nas Caldas de Monchique.


Complexo Arquitectónico

O complexo arquitectónico de Monchique, e o seu meio envolvente é, no seu todo, de uma enorme beleza, fazendo lembrar outros locais. Daqui advém em grande parte o facto de Monchique ser conhecida pela “Sintra” do Algarve.


Património Natural

A Serra de Monchique, incluída na rede natura 2000 é um habitat mediterrânico com forte influência atlântica e com intensa precipitação. Por existirem estas condições, toda a zona, é extremamente rica do ponto de vista botânico.


Esta serra também é o habitat do felino mais ameaçado da Europa, o Línce Ibérico.

Laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros e castanheiros crescem nas encostas em socalcos. Perto do cume dos cerros podem ser encontradas espécies raras como o Rhododendrum ponticum ssp baeticum, a Paeonia broteroi e a orquídea da espécie Neotinia maculata.

O coberto arbóreo actual é principalmente constituído por sobreiros, pinheiros e grandes plantações de eucaliptos para a pasta de papel. O medronheiro também cresce abundantemente entre os sobreiros e os pinheiros.

Fonte dos Amores - A Fonte dos Amores localiza-se nas Caldas de Monchique. Num espaço de merendas aprazível, à sombra de eucaliptos ancestrais. Para além deste sítio é possível observar várias outras quedas de água nas Caldas.


Encosta da Picota - (situa-se na estrada de Monchique para Alferce) O Cerro da Picota nos seus 774 metros é um dos pontos mais escarpados da Serra de Monchique.

A encosta da Picota, é um dos poucos locais onde se podem observar ainda resquícios da vegetação autóctone da Serra de Monchique, onde se incluem o castanheiro, o carvalho de Monchique e o carvalho cerquinho, entre numerosas outras de importante interesse científico.

Barranco dos Pisões - A cerca de 3 Km da vila, na direcção do sítio do Peso, o Barranco dos Pisões destaca-se, tal a abundância das águas que correm, normalmente todo o ano. Estão presentes freixos, amieiros, salgueiros e choupos, bem como um plátano classificado como Árvore Monumental de Portugal.


Produtos Locais

Um dos mais interessantes produtos artesanais é a cadeira de tesoura, inspirada no mobiliário romano. De início só se fabricavam por encomenda, para as casas mais abastadas. Actualmente a madeira utilizada é a de amieiro que cresce nas zonas mais húmidas da serra.

As colheres de madeira, são outros dos produtos artesanais com muita procura, assim como a cestaria de cana e vime. A aguardente de medronho, o mel e os enchidos de produção caseira são produtos emblemáticos.

Tradições

Diz o povo que o castelo de Alferce comunica com o de Silves por extensas galerias e túneis e que no Barranco do Demo, está escondido um tesouro guardado e defendido pelo “Maligno” que, para o fazer, se transforma em bode...

Coração de Plátano

Reza a lenda que de tantos corações desenhados no velho plátano das Caldas de Monchique, que a jurássica árvore acabou por ganhar alma e se perder de paixão por um abelharuco. Um dia a ave bateu asas e nunca mais voltou. Desnorteado, o plátano desfez-se em lágrimas e refugiou-se na terra. Mas porque o tempo esbate até as marcas de um grande amor, mais tarde, já recomposto, transformou-se em fonte e diz o povo que aquelas águas salvam agora vidas e amores desenganados.

Gastronomia

É extensa e rica a gastronomia serrana e com muitas características distintivas da restante gastronomia algarvia. Os milhos, a assadura e o frigineco, são petiscos a descobrir.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Praias do nosso Algarve - Praia Fluvial do Pego Fundo

Inserida em plena paisagem agrícola rural do Nordeste Algarvio, esta praia fluvial aproveita um bonito pego da Ribeira de Cadavais, afluente do Rio Guadiana. Foram trazidas para aqui areias litorais, claras, invulgares nestas paragens fluviais. 


A área envolvente encontra-se ajardinada, sobressaindo os choupos, os loendros, as alfazemas e uns fantásticos canteiros com roseiras. As margens do pego estão revestidas por canavial e, aqui e ali, por árvores de fruto. Ao longo da época seca e com a evaporação, o plano de água vai-se tornando exíguo, no entanto a qualidade da água permanece normalmente aceitável durante a época balnear. O local é muito tranquilo e bucólico, com o chilrear da passarada e o tilintar dos chocalhos dos rebanhos como sons de fundo.


Acesso: Viário alcatroado a partir da vila de Alcoutim, atravessando a ponte da Ribeira de Cadavais em direcção à sua margem esquerda durante cerca de 500m. Estacionamento ordenado, com equipamento de apoio (bar, WC e duches) e vigilância durante a época balnear. Praia Acessível. Orientação: sul / sudoeste.

Burro virou herói no Algarve

Por duas vezes em oito anos o Algarve foi pasto de chamas e por duas vezes um burro de Alcaria Fria, Tavira, sobreviveu ao incêndio, fugindo do curral

Burro que sobreviveu duas vezes ao fogo no Algarve é herói de aldeia

«Afinal o burro é esperto», disse satisfeito Manuel da Palma, referindo-se ao animal que o ajuda no trabalho do campo e que fugiu durante dois dias ao incêndio que devastou a serra algarvia há um mês. O burro, que o dono disse chamar-lhe ‘Carocho’, já tinha em 2004 fugido ao fogo que atingiu a povoação de Alcaria Fria, freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo, e agora no fogo de Julho passado esteve quase 48 horas a andar à frente das chamas, como contou à Lusa Manuel da Palma.

«Safou-se do fogo. Andou duas noites e dois dias aí, à frente do fogo, e ainda cá estamos os dois», afirmou o dono, sublinhando que em 2004 «também fugiu» e agora foi encontrá-lo a «quase 15 quilómetros», já bem perto da sede de freguesia. «Não sei onde ele se agachou, porque só depois do fogo é que fomos à procura dele, pensando que o encontrávamos já sem vida, e ele lá estava. Cá está ainda, fazendo companhia ao dono», acrescentou o idoso, de 82 anos, que vive acompanhado pela mulher numa zona interior da serra de Tavira.

Manuel da Palma reconheceu que, quando foi à procura do animal, «não contava já encontra-lo com vida» e pensava que iria ter de chamar uma máquina escavadora para abrir um buraco e enterrá-lo, por isso não escondeu a satisfação por o achar com vida. «Fiquei muito contente com isso. É claro que ainda me dá uma ajuda grande à minha vida», afirmou, numa referência a trabalho que todas as manhãs o burro ajuda a realizar no campo.

Este camponês contou ainda que, apesar de não ter ficado com a casa destruída, «o que tinha foi-se tudo embora». «Tudo o que trabalhei, e já tenho 80 e tal anos e tenho feito a minha vida sempre aqui. Tinha aí umas coisinhas, pensando que era para mim, mas mais para a minha filha e ainda mais para a neta, como sobreiros, medronheiros, e desapareceu tudo», lamentou.

Com estas perdas, o casal perdeu também o único complemento que tinha à pequena reforma que aufere. «Era uma ajudinha que tínhamos, a reforma é pequenina e enquanto se gastava daqui não se gastava do outro lado», disse.

Victor Fletcher é um inglês que escolheu há nove anos morar na serra algarvia, em Alcaria Fria, e que viu o burro de Manuel da Palma passar a correr pela principal estrada que atravessa a povoação, quando o fogo se aproximava.

«Às seis da tarde, quando o fogo estava mesmo forte, o burro passou aqui na estrada, com o fogo por trás. Nessa altura estávamos a pensar se devíamos nós ir embora ou não. Sabemos que os donos do burro acharam que era melhor soltá-lo, porque teria melhores hipóteses de sobreviver. E ele já está de volta, porque sobreviveu ao fogo», contou.


Fonte: MaiorTv