O Cão de Água Português foi, durante muito tempo, inseparável companheiro dos pescadores, a quem ajudava na pesca e na defesa do seu barco e propriedade.
Hoje, o também chamado Cão de Água Algarvio, já pouco é utilizado como animal de trabalho. Raça autóctone com uma inteligência invulgar, os cães pescadores são possuidores de uma personalidade singular, onde é notório o instinto e inteligência invulgares, a lealdade e amizade junto do dono ou mesmo a sua coragem, determinação e robustez física. É uma raça com uma linguagem comunicativa algo diferente dos outros cães, ladram só quando se justifica pois normalmente utilizam outros sons ou ruídos e tem uma velocidade de aprendizagem superior quando comparada com outras raças.
É uma raça bem adaptada ao meio aquático, resultante da evolução natural dos tempos. Para tal tem características físicas especiais que os tornam únicos no mundo. Das características mais conhecidas destacam-se as membranas interdigitais entre os dedos, o nadar com os quatro membros ou a capacidade de efectuar apneia. Torna-se pois evidente que estas características transferem a esta raça a capacidade natural de nadar e mergulhar.
Noutros tempos, o Cão de Água Algarvio tinha lugar cativo entre a tripulação, sempre pronto e atento aos movimentos da faina, transportando mensagens de um barco para outro, para ir buscar as redes rasgadas ao mar ou puxar as cordas que prendiam os barcos em terra.
A imensa amizade existente entre o animal e o dono fazia com que os Cães de Água, apesar de terem grande valor, nunca fossem vendidos, mas sempre oferecidos, num gesto indicador de que estes dóceis caninos não tinham preço.
Apesar de tanta dedicação, os cães puros desta raça estiveram em vias de extinção há alguns anos, mas a Quinta de Marim, no Parque Natural da Ria Formosa, não deixou morrer a tradição e abriu um canil para recuperar e reproduzir o Cão de Água Algarvio.