quarta-feira, 25 de abril de 2012

ARS do Algarve alerta para falsos rastreios de AVC

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve recomenda à população especial atenção em relação a alegados rastreios de AVC (acidente vascular cerebral) efetuados por entidades com fins comerciais.

Burlões dizem ser profissionais do Ministério da Saúde,
oferecem rastreios gratuitos e depois tentam vender colchões

Tendo tomado conhecimento de várias participações, a ARS Algarve verificou que a forma de atuação desses indivíduos obedece a um esquema sempre semelhante:

  • Apresentam-se como profissionais do Ministério da Saúde, efetuam um contacto telefónico para casa das pessoas convidando-as a beneficiar de um rastreio gratuito de AVC, com assistência prestada por pessoal especializado;
  • É marcada uma data específica num determinado local, em horário pós laboral;
  • No local, as pessoas são confrontadas com um rápido questionário e encaminhadas para uma promoção comercial que visa promover a aquisição de serviços ou vendas de produtos, nomeadamente, colchões.

Estes atos, agora denunciados, são suscetíveis de afetar a confiança dos utentes nos rastreios legítimos, efetuados no âmbito dos programas do Ministério da Saúde em colaboração com entidades públicas e privadas, com intuito de promover a prevenção e deteção precoce de determinada doença ou outra condição.

A ARS Algarve promove ativamente ações de rastreio junto da população, em diversas áreas da saúde, que publicita no seu site da Internet, divulgação essa que complementa através de cartazes, afixados nos centros de saúde e unidades funcionais, devidamente autenticados e de autoria inconfundível, e nunca por contacto pessoal, designadamente telefónico.

Perante a gravidade da situação e tendo em conta a referência ilícita por parte destas entidades comerciais ao Ministério da Saúde, a ARS Algarve participou às autoridades competentes as referidas ocorrências.

Condenam-se estas iniciativas comerciais, que não visam outro fim senão a promoção de produtos, e que são contrárias ao modo de intervenção científico e social da ARS Algarve e aos seus objetivos de prestação de cuidados de saúde de qualidade à sua população.

Em caso de dúvida em relação a rastreios alegadamente efetuados em colaboração com o Ministério da Saúde, esclareça-se junto da ARS Algarve sobre a veracidade de tais iniciativas, através do telefone 289 889 900 (Gabinete do Cidadão, Relações Públicas e Comunicação) ou pelo e-mail gabcidadao@arsalgarve.min-saude.pt. Se participou num rastreio falso denuncie.

Algarve já começou a comemorar os 38 anos do 25 de Abril



Música e desporto em Castro Marim

Castro Marim assinala o 38.º aniversário do 25 de Abril com um programa de atividades onde a música e o desporto vão estar de mãos dadas.

A jornada comemorativa começa às 8h00 com a alvorada e o lançamento de morteiros, seguindo-se o hastear da bandeira nacional no edifício dos paços do concelho e a tradicional largada de pombos. Uma hora e meia depois, a Banda Musical Cas-tromarinense realiza a tradicional arruada pelas ruas da vila, prosseguindo com um desfile pelas localidades de Furnazinhas, Odeleite, Alta Mora, Azinhal, Junqueira, Monte Francisco, Rio Seco, São Bartolomeu do Sul e Altura.

Às 10h00 terá lugar o Passeio de Família que irá reunir dezenas de famílias para um passeio de bicicleta, cujo ponto de encontro é a sede do CD Alturense.

A encerrar as comemorações, às 15h00, no campo de futebol 11, em Altura, realiza-se um jogo de futebol entre adeptos do Benfica e do Sporting.

Tributo a Zeca Afonso em Faro

O ponto alto das comemorações na cidade de Faro será esta noite, terça-feira, dia 24, com o espetáculo Tributo a Zeca Afonso, que decorre a partir das 22h00, no Passeio da Doca.

Outra das iniciativas é a exposição “25 de abril, Um Olhar Sobre a Liberdade”, com trabalhos realizados pelas turmas do 1.º ciclo do concelho. A mostra de cartazes, alusivos aos principais símbolos e mensagens proporcionadas por essa nova página da história do país, desenhados por artistas de tenra idade, vai estar patente no Museu Municipal de Faro, até 6 de maio.

S. Brás com atividades para quatro dias

Em S.Brás de Alportel, o 25 de abril é comemorado com diversas atividades repartidas por quatro dias.

O Festival Contos da Liberdade teve a primeira sessão no passada semana, na Biblioteca Municipal Dr. Estanco Louro, e regressa no dia 28, desta vez ao Vintage Lounge Bar, às 22h00.

Hoje, terça-feira, realizam-se atividades comemorativas no Museu do Trajo, a partir das 19h00. Esta noite, a partir das 21h30, a Zen Arte organiza um sarau de música e de poesia intitulado Tributo aos Cantautores de abril, com as atuações de Ricardo Martins (piano e voz solo), finalista do Festival RTP da Canção 2010, Nuno Martins (guitarra) e Paulo Pires (acordeão e coros).

Amanhã, às 10h00 realiza-se o tradicional jogo de futebol entre solteiros e casados, na localidade de Machados.

Luís Galrito e Canto Livre em Olhão

O “cantautor” Luís Galrito chega ao Auditório Municipal de Olhão acompanhado pelo grupo alentejano Canto Livre. Ambos prometem fazer o público cantar com alma na esta noite, a partir das 21h30.

Mas a maioria das iniciativas decorrem, amanhã, quarta-feira, dia 25. Na Fuzeta haverá canções, histórias e conversas sobre o 25 de abril, bem como o visionamento de vídeos alusivos à data (15h00, no salão multiusos da junta de freguesia), seguidos da atuação dos alunos da escola de música da Associação Cultural Fuzetense (17h00, na Praça da República).

Para Moncarapacho está previsto um baile convívio com as atuações de Filipe Romão e de Tony das Favelas (15h00, no pavilhão multiusos).

Na sede de concelho, o estádio municipal acolhe um torneio de futebol.

Em Pechão realiza-se a iniciativa “Pechão em Festa Pela Liberdade”, com animação desportiva e cultural, a partir das 10h20, bem como uma homenagem aos antifascistas de Pechão (12h00, em frente à placa evocativa) e um torneio de futsal (18h00, na zona desportiva).

Loulé celebra com filme “Capitães de abril”

Em Loulé, a celebração desta data começa esta noite com o filme “Capitães de Abril”, às 21h30, no Cine-Teatro Louletano.

No dia 25, depois das habituais cerimónias que incluem o hastear da bandeira nacional, serão entregues os talhões de terreno nas hortas sociais de Loulé.
O espetáculo “E Foi Assim que abril Chegou” começa às 16h30.

Ao longo do dia realizam-se ainda diversas atividades desportivas que incluem minigolfe, râguebi e karaté, entre outras.

VRSA com animação na Praça Marquês de Pombal

Em Vila Real de Santo António haverá animação ao longo de todo o dia na Praça Marquês de Pombal, com atividades desportivas e culturais e com a participação de associações e clubes do concelho.

Mas as comemorações começam logo pela manhã, com as habituais cerimónias que incluem o hastear das bandeiras, a sessão solene e a distribuição de cravos. Está ainda previsto um momento musical.

Albufeira assinala 38.º aniversário da Revolução dos Cravos

Evocando o espírito de há 38 anos, o povo volta a sair à rua para comemorar mais um aniversário da Revolução dos Cravos.

Em Albufeira, as festividades prolongam-se por todo o dia com atividades diversas.
Logo pela manhã, o largo dos paços do concelho será palco das cerimónia protocolares.

De seguida, a autarquia irá inaugurar a rua José Cabrita “Santos”, em homenagem ao ex-presidente da junta da Guia, falecido em 2010. Após esta inauguração, o executivo irá visitar o parque de estacionamento construído junto ao recinto escolar, com 150 lugares.

Pelas 18h00, será inaugurado o mais recente posto de turismo de Albufeira. O edifício situa-se junto ao posto de abastecimento da entrada da cidade, integrando a empreitada de requalificação da zona, que tota-lizou um investimento de 6,8 milhões de euros.

Portimão celebra a liberdade e a democracia

A quarta e última assembleia participativa, que está agendada para o dia 25, no salão nobre da câmara de Portimão, a partir das 17h00, é um dos momentos altos das comemorações que celebram a liberdade e a democracia neste concelho.

Por outro lado, com o patrocínio da câmara de Portimão e o apoio do Teatro Municipal de Portimão, no dia 24, pelas 21h30, terá lugar um espetáculo comemorativo com a prestação de Ondina Santos, Tuniko Gou-lart, João Rocha, Vasco Ramalho e o coro do Conservatório de Portimão-Joly Braga Santos, que interpretarão temas do repertório de Zeca Afonso.

As celebrações incluem ainda as atividades oficiais (24 e 25), assim como diversas festividades dinamizadas pelo movimento associativo do concelho.

Lagos recorda o Dia da Liberdade

O município de Lagos preparou um programa diversificado que, este ano, começou no passado dia 20 e vai prolongar-se até ao dia 29.

Da cultura, ao desporto e às habituais cerimónias protocolares, muitas são as atividades propostas e a realizar em todo o concelho.

Hoje, será apresentada na biblioteca municipal uma exposição bibliográfica intitulada “…Porque é Livre como o Vento! – Leitura proibida no Estado Novo”.

O dia 25 contará com as habituais cerimónias protocolares, e para o dia 28 está prevista uma cerimónia de descerramento de placas toponímicas, na qual o município prestará homenagem a diversos escritores e cantores de Portugal.

Silves comemora data com várias atividades

Até ao dia 29, terão lugar, em diversas freguesias do município de Silves, várias atividades desportivas, culturais, religiosas e protocolares.

Na cidade de Silves, decorrerá o concerto “Jazz com todos”, a “Segunda Mal’Dita”, pinturas ao vivo, passeio de btt, exposição de pintura, arruada com a Banda da Sociedade Filarmónica Silvense, marcha pedestre e passeio todo-o-terreno.

Lagoa promove passeio de BTT Rota das Freguesias

O I Passeio de BTT Rota das Freguesias vai realizar-se amanhã, dia 25, e está integrado nas comemorações do 25 de Abril do município de Lagoa.

Este passeio tem como principal objetivo o convívio e a prática desportiva. A partida será feita do pavilhão desportivo municipal Jacinto Correia de Lagoa, pelas 8h45, sendo a partida oficial junto aos paços do concelho após o hastear da bandeira. A prova é aberta a todo o público em geral, com idade igual ou superior a 12 anos. Haverá dois percursos, um de 25 quilómetros e outro de 50 quilómetros, sendo que o percurso curto é coincidente com a primeira parte do percurso grande e decorrerá em conjunto.

Vila do Bispo assinala Dia da Liberdade com bailes e desporto

As comemorações no município de Vila do Bispo estendem-se até ao dia 28 com diversas iniciativas.

Bailes musicais, torneios de cartas e petanca e jogos tradicionais, fazem parte da programação preparada pela autarquia, assim como contos infantis, sessão de cinema temático e poesia alusiva ao 25 de abril.

Marenostrum em Tavira

No âmbito das celebrações do 38.º aniversário do 25 de Abril, realiza-se, no Dia da Liberdade, pelas 21h30, no jardim do Coreto, em Tavira, o concerto da banda Marenostrum.

A banda local, para além dos temas dedicados a esta data, apresenta a sua versão das músicas do mundo, num espetáculo onde o corridinho vai ao baile com a morna ao som dos Balcãs e Médio oriente, sempre com o mar lusitano e as nossas raízes como pano de fundo, criando um ambiente único e conseguindo trazer aos sentidos o cheiro da maresia e a beleza da serra.

Gastronomia Algarvia - Conserva de Cenouras à Algarvia

Ingredientes:
Para 4 pessoas

300 grs de cenouras roxas tenras ;
3 dentes de alho ;
1 ramo de salsa ;
1 colher de colorau doce ;
1 colher de erva doce ;
1 dl de vinagre ;
sal q.b. ;
pimenta q.b.


Confecção:
Lave as cenouras e descasque-as. Coza-as inteiras, temperadas com sal. Deixe arrefecer. Corte ás rodas não muito finas. Descasque os alhos e pique.
À parte, numa vasilha apropriada, deite as cenouras. Tempere com o alho, o colorau, a salsa, o vinagre, a erva doce, o sal e a pimenta.
Deixe repousar na marinação alguns dias antes de servir.

Conselho: As cenouras a utilizar nesta confecção deverão ser das roxas. Esta conserva poderá ser servida como acepipes ou como acompanhamento de peixes ou carnes.

sábado, 21 de abril de 2012

À Descoberta do Algarve Rural - Pelo Vale do Guadiana

Sob o signo do grande rio do Sul vamos de Castro Marim até Afonso Vicente. Lado a lado com o Rio Guadiana, deambulamos por entre salinas, sapais, montes e vales, barragens, ribeiras e ancoradouros. Numa paisagem em que o rio assoma a cada curva, a flora e a fauna reafirmam que se está bem por ali. São as praias fluviais, as artes da pesca, os ensopados de enguias, a apetitosa lampreia. O rio está por perto e sempre amigo. São sinais de labuta simples, a cestaria em cana, as rendas de bilros, as miniaturas em madeira. Seguimos ao encontro de vestígios milenares de ocupação humana, desde o Neolítico à época fenícia, romana ou árabe. Castelos, muralhas, torreões circulares e torres quadrangulares. E o prazer da descoberta da arquitectura rural à entrada de cada povoação... os fornos comunitários, arramadas e palheiros.



Este percurso começa em Castro Marim e sobe até Afonso Vicente sob o signo do Rio Guadiana. O aglomerado urbano de Castro Marim é de grande valor arqueológico com vestígios de ocupação pré-histórica, fenícia, romana, árabe e cristã, tendo sido conhecido por Baesuris. Esta vila medieval é conhecida pela beleza do seu Castelo e da cerca muralhada (1). O miradouro do castelo oferece uma vista extraordinária sobre o Rio Guadiana, a vila, as salinas e a serra. Ainda neste espaço, o Castelo Velho, possívelmente de origem muçulmana, exibe os seus torreões circulares. Na porta principal apresenta um curioso relevo em forma de chave e siglas características dos pedreiros medievais. A próxima visita é à Igreja Matriz de Castro Marim (2). Para lá do património, os produtos locais também fazem as delícias de quem visita Castro Marim, com os doces tradicionais ou as rústicas peças de artesanato, as miniaturas em madeira, a cestaria em cana, capachos em folha de palma, renda de bilros e tapeçaria. Se a fome já apertar, é de provar umas papas de milho ou uma açorda de galinha.
Em frente a Castro Marim podemos apreciar as belezas naturais dos 2.089 hectares da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António (3). É uma área protegida do sotavento algarvio que abrange zonas húmidas de sapal, salinas, esteiros e zonas rurais de xistos, grés vermelho e areias ou arenitos, apresentando grande potencial económico e interesse biológico. 
Saímos pela EN 122 e voltamos à esquerda na saída da Junqueira pela estrada municipal 1132, e a cerca de 3 km encontramos Beliche e a Barragem do Beliche (4). A riqueza natural e paisagística propicia um passeio tranquilo, um piquenique ou permite mesmo assistir à captura de peixe. Voltamos para trás para apanhar a EN 122 e seguir até à encantadora aldeia do Azinhal onde recomendamos a visita à Igreja Matriz Espírito Santo (5). A não perder o Centro Cultural do Azinhal (6). O museu “O Saber das Mulheres”, dá-nos a conhecer o importante papel das mulheres no desenvolvimento de várias actividades, nomeadamente na produção artesanal de rendas de bilros. Contudo, não saímos do Azinhal, sem provar os doces regionais feitos por um grupo de mulheres na Pastelaria “A Prova” (7) ou o queijo e o bom vinho.
Seguimos na EN 122 e 3 km à frente fazemos um desvio em direcção a Almada de Ouro, uma pequena localidade situada na margem do Guadiana. Os passeios a pé são aprazíveis envolvendo-nos na beleza natural e ambiental da zona.
Seguimos até Alcarias, situada no cimo de um monte. É “uma aldeia miradouro” com excelente vista sobre Odeleite. Aproveitamos para fazer pequenas incursões por entre o que são os vestígios da arquitectura rural, casas construídas em pedra, palheiros, arramadas, fornos comunitários e diversos engenhos de água (8). Estão disponíveis e sinalizados no local dois percursos pedestres.

Barragem do Beliche
Seguimos pela estrada 1063 e chegamos à Foz de Odeleite, onde a Ribeira de Odeleite desagua no Rio Guadiana, o que torna a zona envolvente um paraíso natural com lugares recolhidos e pequenos ancoradouros (9). Sugerimos um dos passeios que aqui se organizam, de barco ou a pé, ou um banho e uma boa pescaria. Na Foz de Odeleite ainda é de visitar a queijaria artesanal (10). Dirigimo-nos ao Álamo pela estrada 507 e visitamos a Barragem Romana do Álamo (11), infra-estrutura milenar que indicia a localização de uma abastada villa situada a cerca de 100m a jusante. Quem quiser pode pernoitar num espaço de turismo rural, desfrutar do silêncio e reencontrar-se com a vida rural na sua expressão mais simples e autêntica. 
Mais à frente, em Guerreiros do Rio, visitamos o Museu do Rio (12) onde vamos conhecer a história do rio e das suas gentes, e admirar o trabalho ao vivo de alguns artesãos que ainda se dedicam à manufactura de artes de pesca nas margens do Guadiana. Para quem ainda não experimentou o ensopado de enguias, a lampreia, o muge ou o axigã, pode fazê-lo neste recanto do grande rio do sul. Seguimos pela mesma estrada e chegamos à localidade de Laranjeiras e ao Montinho das Laranjeiras. Aqui foram encontrados vestígios da villa Romana do Montinho das Laranjeiras (13), o que confere grande valor arqueológico e turístico a este sítio. A arquitectura rural serrana também está patente nos fornos comunitários, casas construídas em pedra, palheiros, arramadas e engenhos de água como as noras, poços (14). Seguimos em direcção a Alcoutim e 3 km à frente encontramos o Miradouro do Pontal (15), excelente local para desfrutar da beleza natural ou para merendar. 
Chegamos a Alcoutim, vila encantadora, com uma vista privilegiada para o Rio Guadiana e para a nossa vizinha Espanha, conquistada aos Muçulmanos em 1240. O Castelo de Alcoutim (16), datado do séc. XIV, está classificado como Imóvel de Interesse Público. Aqui, o Núcleo Museológico de Arqueologia (17) apresenta exposições sobre o património arqueológico do concelho, sendo o fio condutor um percurso histórico que se iniciou há mais de 5000 anos. Locais e objectos impregnados de uma memória milenar procuram transmitir culturas e saberes que, num passado mais ou menos longínquo, se cruzam no território que hoje é Alcoutim. No recinto do castelo, a loja de artesanato (18) dá a conhecer os produtos locais. A vila de Alcoutim está repleta de igrejas, pois os Portugueses ao conquistarem as povoações aos Mouros, um dos primeiros actos solenes que realizavam era a sagração das mesquitas em igrejas cristãs. A próxima visita é à Igreja de N. Sra. da Conceição (19) onde recomendamos o roteiro do Núcleo Museológico de Arte Sacra (20): “Quatro séculos de Arte Sacra no concelho de Alcoutim”. Outra igreja a visitar é a Igreja Matriz do Salvador de Alcoutim (21) com o característico cata-vento em forma de galo. A primitiva igreja é um dos melhores exemplares do Primeiro Renascimento no Algarve e a única manifestação no concelho. Seguimos para a Ermida de St.º António (22), construção de alçados lisos, abóbada em berço e telhado de duas águas. 
Podemos pernoitar em Alcoutim na Estalagem do Guadiana ou na Pousada da Juventude e aproveitar para nos deliciarmos com a oferta da gastronomia local. São famosos os queijos, os chouriços e o presunto. Nos pratos principais, temos os ensopados de borrego e cabrito, os cozidos de grão e feijão, a caça, a galinha caseira, os ovos com tomate. Na doçaria destacam-se os nougats, o bolo de amêndoa e de sarrabulho, filhós de forma, canudo e joelho. Para beber temos a aguardente de medronho e figo, os licores e o vinho caseiro. 
A cerca de 1 km de Alcoutim, e atravessando a Ribeira dos Cadavais por uma moderna ponte, num morro sobranceiro ao rio e proporcionando imagens de grande beleza natural, erguem-se as ruínas do Castelo “velho” de Alcoutim (23), povoação muçulmana protegida por muralhas e torres quadrangulares. A não perder a praia fluvial (24) situada na Ribeira dos Cadavais com o seu parque de lazer e o bar, a funcionar nos meses de Verão. Seguindo o caminho de acesso da praia fluvial, chegamos à Barragem de Alcoutim (25), que apresenta uma componente paisagística de grande valor e riqueza ao nível da fauna e da flora. Existem também diversas zonas de caça onde se podem observar diferentes espécies cinegéticas.
Seguindo pela estrada 507 chegamos a Cortes Pereiras, uma localidade situada numa planície onde são visíveis os costumes antigos associados à extracção mineira. Aqui e em Monte Vascão encontramos trabalhos de pintura em cerâmica ou azulejo (26) inspirados na arquitectura e flora locais. Seguimos para Afonso Vicente e a 1,5 km a noroeste visitamos o Menir do Lavajo (27), com 3,14 m de altura e que data do Período Neolítico Final. Nestas voltas pela freguesia iremos apreciar a cultura de um povo expressa no seu artesanato. 
No final deste percurso podemos optar por seguir pela EN 122 e percorrer os 32 kms até Mértola para visitar a vila-museu e os preciosos testemunhos da presença romana e islâmica, ou então fazer o percurso “Pelo Nordeste Interior” que parte de Odeleite.

Castelo de Alcoutim

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Praias do nosso Algarve - Praia da Figueira

Os carros ficam a cerca de 500m da praia, o acesso pedonal é feito através de um trilho estreito que percorre um dos vales mais bonitos da região, com encostas verdejantes, áreas de pinhal e imponentes afloramentos rochosos calcários onde se avistam enormes grutas. 


Na várzea da pequena ribeira, o visitante encontra pomares, sobretudo com figueiras e oliveiras e muita passarada entretida com os frutos. A praia é muito tranquila e tem um certo ar de fim de mundo, possivelmente devido à ausência de veículos na paisagem. O areal é delimitado por arribas de cores quentes com formas muito curiosas, onde se avistam, a nascente, as ruínas de uma fortificação do séc. XVI. Também aqui o calhau rolado é usado pelos banhistas na construção de pequenos abrigos semicirculares de pedra que funcionam como corta-vento.


Acesso: Viário alcatroado a partir da povoação da Figueira (sinalizada na EN 125), seguindo na direcção da fortaleza durante cerca de 1 km. Estacionamento pequeno e não ordenado, a 500m da praia, sem equipamentos de apoio. Orientação: sudeste.

domingo, 8 de abril de 2012

Portugueses deixam o Algarve e os que podem vão para Cabo Verde

Austeridade mudou os hábitos das férias da Páscoa e foram os mercados internacionais que vieram salvar o turismo. 


Com a crise os portugueses estão a viajar menos, mesmo dentro de Portugal. Nesta Páscoa, quem saiu foi mesmo para fora de portas. 

No Algarve, a Páscoa superou as expectativas, mas não pela procura interna. “As ocupações estão acima do que estava inicialmente previsto, atendendo à situação económica que o país atravessa e às medidas de austeridade. Por um lado, assiste-se a uma descida por parte do mercado interno e espanhol e, por outro lado, uma subida do nosso principal mercado fornecedor, que é o Reino Unido, o que, de alguma forma ajuda a compensar a descida que se verifica no mercado interno e espanhol”, afirma à Renascença o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas. 

O mesmo sentem os responsáveis pelo turismo na Madeira: os portugueses foram para outro lado e deram lugar aos estrangeiros. 

“Esta época da Páscoa ficou abaixo dos anos anteriores. As ocupações são satisfatórias, mas aquém daquilo que é normal numa época como esta. O mercado que teve um resultado menos bom foi o nacional, que diminuiu significativamente as reservas para a Madeira nesta época do ano. E foi compensado pelos mercados internacionais, que cresceram”, indica João Welch, da Associação das Agências de Viagens. 

Ao que tudo indica, os portugueses preferiram sair para fora do país. O destino mais procurado foi Cabo Verde, para onde os voos “charter” esgotaram. 

“Foi um destino que se vendeu muitíssimo bem, teve bastante procura”, refere Nuno Anjos, do operador Soltrópico, adiantando que os Açores também tiveram “um aumento da procura” esta Páscoa. 

A crise fez-se, assim, sentir nos principais destinos turísticos portugueses, mas os mercados internacionais vieram compensar um pouco a perda.

Fonte: RR

Automobilistas estrangeiros desesperam na Via do Infante

O sistema de cobranças, sem portageiros, revela-se um fracasso. Os turistas queixam-se: "Até para pagar se criam dificuldades"

Os espanhóis esperaram, e desesperaram, para entrar em Portugal, pela fronteira do Guadiana, neste período da Páscoa. O sistema de portagens, instalado na Via do Infante (A22), à saída da ponte, é "confuso, ineficaz". Muitos, mesmo sem querer, acabam na EN125, contribuindo para congestionar ainda mais esta via de elevada sinistralidade. 


A Estradas de Portugal (EP) procurou, nos últimos três dias, "humanizar" o serviço de cobrança de portagens na A22, colocando na fronteira de Castro Marim/Vila Real de Santo António uma funcionária para ajudar os automobilistas a operarem a máquina de pagamento. O movimento das mini-férias da Páscoa serviu para testar o que já se sabia: até para pagar se criaram dificuldades aos turistas.

O casal João e Lola, na casa dos 30 anos, está entre os muitos espanhóis que apreciam a gastronomia portuguesa. Neste sábado, quando viram o sol a brilhar, decidiram partir de Huelva. "Como funciona?", pergunta Lola, bem disposta, ao aproximar-se da máquina de pagamento de portagens. A funcionária da EP pergunta-lhe para onde vai, mas Lola ainda não sabe, a ideia é mesmo "andar por aí". Quando o destino é incerto, aconselha a funcionária, é melhor comprar um bilhete de 20 euros, válido por três dias - pode entrar e sair da A22 as vezes que quiser. "Mas nós só vimos comer, vamos a Tavira, voltamos para casa". Para fazer o trajecto, ida e volta - diz a tabela - a portagem a pagar é de 4,60 euros. Mas a mesma tabela adverte que "o mínimo que o dispositivo cobra são dez euros".

"E se não pagarmos, o que acontece?", questiona João. A pergunta fica sem resposta e a funcionária da EP sugere que, nesse caso, para não se sujeitarem a coimas, o melhor é meterem-se na EN125. Lola não sabe se percebeu bem a resposta, uma vez que nem ela fala português nem a funcionária castelhano.

"Serviço personalizado"

Outro condutor de Madrid dirige-se com a família a Vilamoura. "Conheço bem Lisboa e Porto, venho pela primeira vez ao Algarve", diz. Mostra o dispositivo electrónico de identificação do veículo que usa nas auto-estradas espanholas e pergunta se é válido em Portugal. Após um telefonema, a funcionária da EP esclarece que não serve.

Ontem, ao contrário do que sucedeu nos dois dias anteriores, não houve filas para pagamento, mas os automobilistas continuavam a protestar, por acharem as portagens "caras e, ainda por cima, difíceis de pagar". Manuel Horta, emigrante em França, andava de um lado para o outro sem saber o que fazer: "Já fui à policia e nem eles sabem dizer-me como posso pagar as portagens". Andou pela Via do Infante, com a viatura de matrícula estrangeira, sem pagar. Nos Correios disseram-lhe "que o sistema não lia matrículas estrangeiras". A representante da EP encolhia os ombros.

A meio da manhã, chega ao local o director regional da EP. Sobre a confusão do sistema de cobranças, Luis Pinelo, disse ao PÚBLICO que o apoio de informação no local só decorreu no período da Páscoa. Para os restantes dias, existe um número de apoio, que remete para o call center da empresa, em Almada. E acrescentou que na estação de serviço de Olhão existe um "serviço personalizado, a funcionar 24 horas".

O serviço personalizado é o funcionário da bomba que, quando não está a receber os pagamentos do combustível ou a vender chocolates e bolachas, também presta informação sobre o pagamento das portagens. Anton Bergario, de mapa na mão, aproxima-se dele, adiantando que pretende ir a Faro e "talvez um pouco mais adiante". O empregado da gasolineira avisa: "Se não me disser para onde quer ir, não o posso ajudar". O espanhol pretendia, como turista, descobrir a região, sem rumo certo. "Já passou dois pórticos sem pagar", disse o empregado, passando ao lado, para atender novo cliente. Por fim, o visitante admite querer conhecer também Albufeira. "Isto é confuso, muito confuso - o normal seria passar, e no fim pagar", protesta. O empregado, sorrindo, observa: "Isto é todo o dia assim ..." 

Fonte: Público