domingo, 8 de abril de 2012

Primeiro centro cardíaco a abrir no Algarve

O primeiro centro cardíaco a abrir a sul do país iniciou atividade este fim-de-semana, em Faro, no Hospital Particular do Algarve (HPA).

Com um investimento de 35 milhões de euros é a primeira alternativa ao transporte de doentes cardíacos para Lisboa, quer em emergência quer com cirurgia programada, com acordos com as principais seguradoras portuguesas e internacionais.

Coração

Para o dia de abertura estavam já agendadas três cirurgias cardíacas: duas, em pacientes com doença valvular e uma para introdução de bypass coronário. 

Este Centro Cardíaco do HPA está preparado para realizar cirurgias do coração, usando os métodos mais modernos. O Centro Cardíaco reúne igualmente todas as técnicas e tecnologias aplicadas à cardiologia, com o objetivo de tornar os procedimentos mais seguros e menos invasivos.

Trata-se do culminar do programa avançado em cardiologia planeado por este Grupo de saúde do sul do país. 

O HPA de Faro, onde está inserido o Centro Cardíaco, é o Hospital mais recente deste Grupo de saúde privado, com 90 camas, serviço de urgência 24/365, urgência pediátrica e três blocos operatórios. Neste Hospital trabalham 144 Médicos distribuídos por 44 especialidades.

Desde 2001 que o Hospital Particular do Algarve, com a Unidade de Intervenção Cardiovascular do Algarve (UIC), tem sido pioneiro no Algarve no desenvolvimento da Cardiologia de ponta. 

Nesse ano foi criado no Hospital Particular do Algarve em Alvor, o primeiro laboratório de Hemodinâmica de todo o Algarve, o que permitiu que muitos doentes com enfartes agudos do miocárdio, uma situação potencialmente letal, pudessem, pela primeira vez, serem tratados por meio de angioplastia sem terem que ser transferidos - muitas vezes de helicóptero - para Lisboa. 

Fonte: Barlavento

Algarve: raide às caixas registadoras já começou

As zonas 'finas' do Algarve foram as escolhidas por 15 inspectores tributários. Não para passar férias, mas sim para trabalhar na 'caça às caixas registadoras'. 

Quinze inspetores tributários analisaram esta semana a pente fino as caixas registadoras de uma centena de restaurantes, lojas e outros estabelecimentos comerciais na Quinta do Lago e Vale do Lobo.


A operação nas zonas mais luxuosas do Algarve marcou o início da ação de fiscalização aos sistemas de faturação que vai estar no terreno nos próximos três meses.

No terreno a conformidade dos sistemas de faturação utilizados, perceber se o IVA está a ser apurado e liquidado de forma correta e ainda apurar a existência de eventuais rendimentos não declarados.

De acordo com o jornal "Dinheiro Vivo" no decorrer da acção de fiscalização foram detetadas 18 infrações graves, com multas que ascendem aos 280 mil euros.

Na mira dos inspetores tributários e aduaneiros, estiveram muitos dos estabelecimentos comerciais de artigos de luxo que caracterizam a zona, algumas das quais localizadas no Quinta Shopping Centre.

Ao que foi possível apurar, foram fiscalizados os sistemas de faturação de cerca de uma centena de estabelecimentos comerciais, tendo sido detetados 15 em infração grave.

Ao valor das multas poderá ainda ser acrescido com os montantes que venham a resultar de correções no IVA e IRC, na sequência da não emissão das faturas obrigatórias ou por subfaturação.

Recorde-se que o controlo dos sistemas de faturação obriga, desde o dia 1 de abril, as empresas que faturam mais de 125 mil euros a apenas poderem usar programas de software certificados.

A norma está prevista no Plano de Combate à Fraude e Evasão Tributária e Aduaneira, apresentado pelo secretário de Estado e dos Assuntos Fiscais no final de 2011.

O mesmo plano de ação estende a utilização obrigatória de programas certificados às empresas com faturação superior a 100 mil euros, a partir de 1 de janeiro de 2013.

A medida implicará mudanças em cerca de 200 mil empresas e 150 inspetores vão estar no terrenos a verificar a sua concretização (ver texto em baixo).

O objetivo é detetar e pôr fim aos sistemas que conseguem realizar uma faturação real (para consumo interno do estabelecimento) e uma outra, "para fora", com valores de vendas inferiores.

Terras do nosso Algarve - Bordeira/Carrapateira

Bordeira é uma aldeia envolta por serranias e campos de cultivo. Algumas ruas mantêm o pitoresco das casas tradicionais e há ruínas de um antigo solar.

Bordeira

Já a Carrapateira, aninhada por entre as dunas, possui ali perto um porto piscatório, abrigo certo para o mar bravio desta costa.

Carrapateira

Localização
A EN 268, antiga estrada romana, limita a Bordeira a Norte e a poente. O núcleo urbano é condicionado pelos cerros que a rodeiam a Leste enquanto a sul corre a Ribeira com o mesmo nome.
A Carrapateira, localiza-se a 5 km da Bordeira na EN 268, entre Sagres e Aljezur.

População
Ambas as aldeias estão na freguesia da Bordeira, parte integrante do concelho de Aljezur possui cerca de 500 habitantes de acordo com o último Censo, realizado em 2001. Depois de ter perdido 54,4% da sua população entre as décadas de 60 e 80 do séc. XX, tendência que se atenuou na década seguinte, mantendo no entanto uma percentagem negativa de 14,1 entre 1981 e 1991 e de 8,5% no censo de 1991, o último Censo, em 2001, registou pela primeira vez um valor positivo de 6,3%. A preservação ambiental tem atraído novos habitantes, que aqui se estabelecem.

Actividades Principais
A Bordeira é uma aldeia envolta por serranias e campos de cultivo. As férteis várzeas das ribeiras motivaram a exploração agrícola, hoje de subsistência, e também a pecuária. Nos “cerros” próximos desenvolveu-se a apicultura.
Na Carrapateira a pesca e a mariscagem começaram um pouco como lazer e forma de complemento da dieta, isto devido ao mar bravio. O alto valor comercial que entretanto adquiriram espécies como o sargo, a dourada, os perceves e outras espécies marinhas reforçou a sua importância para a economia das comunidades.

História
Achados arqueológicos na zona da Carrapateira atestam a presença do homem no período Paleolítico Antigo ou Médio.
Registe-se ainda a presença celta e romana, admitindo-se que os fenícios e os gregos terão demandado estas paragens, utilizando o estuário da Ribeira da Carrapateira como ancoradouro.
Aqui passava a via Romana que partia de Sagres e demandava Vila do Bispo, Carrapateira, Aljezur e Odeceixe, prolongando-se até Alcácer do Sal.
De acordo com estudos arqueológicos, os romanos exploraram a mina de magnésio, situada no cerro do Canafrechal, a sul da Carrapateira.
O período árabe foi o que mais influenciou a história e o modo de vida da localidade, o que ainda é visível na agricultura e também nas técnicas de construção das casas mais antigas à base de taipa e telha de canudo.
Os árabes, mais do que outros povos, e no Algarve mais do que noutras regiões do País, influenciaram durante o seu domínio multissecular, mesmo depois da ocupação cristã, a história e a cultura regional.

Achados arqueológicos na zona da Carrapateira

Património Cultural
Igreja Matriz de Nossa Sr.ª da Encarnação (Bordeira)
Templo construído em 1746 e muito afectado pelo terramoto de 1755, apresenta no exterior, simples, um pequeno átrio de estilo Barroco muito primitivo e rudimentar.
O seu interior, possui um arco triunfal, o retá-bulo do altar-mor e os altares colaterais em talha dourada, estes integram as imagens de Nossa Sr.ª da Encarnação (séc. XVIII), de S. Francisco, Santo António e S. Luís (séc. XVII) e um S. Sebastião do séc. XVI.
Possui ainda uma elegante pia baptismal, de estilo manuelino que se repete no portal do cemitério anexo.

Igreja Matriz da Carrapateira
Rodeada pelas muralhas do Forte da Carrapateira é um edifício notável do período Manuelino, edificado no séc. XVI. Apresenta características de uma arquitectura popular, como as formas e texturas, as suas proporções e elementos decorativos. Contém no interior tábuas Maneiristas e uma pia baptismal com capitel manuelino. Tem um retábulo de talha no altar-mor com imagens do séc. XVII e XVIII. Imagem de Nossa Sr.ª do Rosário (séc. XV?) e dois painéis figurando o Santo António e São Pedro, provavelmente do séc. XVI a pia baptismal manuelina é do séc. XVI.

Forte da Carrapateira
As muralhas do Forte são de xisto da região,e a construção inicial data do séc. XVII, por iniciativa de D. Nuno da Cunha Ataíde, Conde de Pontevel e Governador do Reino para defesa contra a pirataria.
O forte, fazia parte da praça de guerra de Sagres, no entanto em 1821 já de nada servia por não ser possível atingir o mar com tiros de canhão, entretanto formaram-se dunas entre o imóvel e o mar.
As muralhas que hoje podemos observar não correspondem à traça e extensão dos muros da construção do séc XVII. Os povos que aqui viveram deixaram marcas ancestrais, umas cons-truídas, outras perdurando no imaginário popular de culturas várias. Património e história, tradições e lendas, forjando uma identidade própria.

Porto de pesca da Carrapateira
Situado na Ilha do Forno e de características tradicionais, o porto abriga barcos de pesca artesanal.

Porto de pesca da Carrapateira

Património Natural
A região que compreende o complexo da Carrapateira e Bordeira, apresenta um elevado valor ecológico, uma vez que nela se encontram repre-sentados vários tipos de habitates importantes que caracterizam o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV).
Num clima tipicamente mediterrâneo, com influência atlântica, de Invernos amenos e Verões frescos, o vento tem um papel importante nas condições climatéricas.
Densos estevais, pinhais, áreas agricultadas e matos, constituem a maioria do vale da Vilarinha, onde se situa a Bordeira. Na zona do litoral, a Carrapateira, envolta por um cordão dunar com grande diversidade florística, é caracterizada pela presença de praias extensas. A fauna também é muito rica e diversificada. De salientar a presença do tritão de ventre laranja, do sapo parteiro ibérico, do cágado de carapaça estriada e do camaleão.
Algumas das espécies de aves encontram-se no topo da lista das prioridades de conservação, como por exemplo: a águia de Bonelli e o garajau. A estas espécies juntam-se garças, pombos, rolas, ou a galinhola. Com bons locais para abrigo, descanso, alimentação e reprodução, estas são áreas preferenciais para nidificação, passagem e invernada de avifauna.
A Ribeira da Carrapateira desempenha um papel importante nas longas migrações da avifauna como ponto de descanso e alimentação. A lontra, gato-bravo, o coelho-bravo, a geneta e os javalis, povoam, de forma abundante, os cerros.

Paúl da Carrapateira
Localizado a Norte da Carrapateira. Podemos encontrar aqui pequenos charcos onde abundam os belos nenúfares, palcos de sapos e rãs que de Inverno coaxam de noite e dia. Por aqui os imponentes freixos e choupos embelezam esta bonita e densa paisagem verdejante.

Tradições
O nome da Carrapateira, deve estar relacionado com o nome da ribeira, nascida na Serra de Espinhaço de Cão, no Pico de Poldra, que desagua na margem esquerda da Ribeira da Bordeira.
Há todavia quem associe o termo à abundância de carrapatos na região, entre outras hipóteses. Pode-se também imaginar que o nome tenha surgido de Carrapateira, uma planta da família Euphorbiaceae, também conhecida por mamona ou ricínio. Outra das possibilidades será a existência nesta zona de muitas pereiras brancas, também conhecidas por carapeteiros ou carrapateiros.

Produtos Locais
As Artes piscatórias, aplacados que foram os medos por um conhecimento mais profundo dos mistérios do mar, representam a par dos produtos agrícolas e do mel, os produtos locais mais importantes.
Inventou-se aqui um instrumento, a arrilhada, inspirado na enxada da lavoura, que serve para arrancar os perceves à rocha.

Portugueses ficam em casa na Páscoa

O Algarve e a Serra da Estrela, dois destinos que costumam estar cheios de turistas na Páscoa, sofreram este ano uma grande quebra no fim--de-semana prolongado. A crise, aliada às portagens nas antigas Scut, e até o clima contribuíram para uma descida significativa no número de turistas. 

O vento e alguma chuva obrigaram os turistas
a trocar os areais pelos cafés 

"Tendo em conta as previsões, que eram muito negras, até não está mau, mas comparando com outros anos nota-se uma grande quebra, mesmo em relação a outros anos em que houve pouca procura", diz Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). "Há unidades que chegaram aos 70 ou 80% mas, no geral, estão todas muito abaixo do habitual ou, então, as estadas são só de dois ou três dias, quando antes eram de uma semana", descreve Elidérico Viegas, sem querer avançar com uma percentagem global.





A descida notou-se, em particular, entre os turistas nacionais, que tradicionalmente procuram o Algarve na época da Páscoa. Mas também se vêem muito menos espanhóis na região sul de Portugal, comparando com outros anos.

Para o responsável da AHETA, os motivos para a descida são financeiros. E nem a redução de preço nas unidades hoteleiras serviu para atrair turistas.

"As pessoas estão com menos dinheiro e as portagens não vieram ajudar nada", continua Elidérico Viegas, para quem a questão do clima é só "uma boa desculpa" para os portugueses ficarem em casa. "Se estivesse bom tempo é possível que surgissem marcações de última hora", admite, mas, "assim, com mau tempo, é só mais uma razão para ficarem em casa".

A previsão catastrófica acabou por ser atenuada graças ao mercado britânico. "Temos assistido a um aumento da procura por ingleses", diz Elidérico Viegas, que atribui o crescimento "à Primavera Árabe e à descida do valor do euro face à libra". O responsável espera que "a tendência se mantenha". 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Praias do nosso Algarve - Praia de Odeceixe e Praia das Adegas

A estrada para a praia serpenteia durante 3 km ao longo de um vale verdejante, acompanhando a ribeira de Ceixe e campos agrícolas que vão sendo progressivamente substituídos pelo sapal. Nas encostas do vale observam-se bosques de sobro que dão lugar, mais perto da praia, a matos litorais ricos em plantas aromáticas e melíferas que adoçam o ar. O casario branco, encaixado na arriba, é essencialmente de veraneio. A praia é uma ampla língua de areia entre o mar e a ribeira que desagua no extremo Norte, onde se formam várias lagoas de águas baixas, apetecíveis para as crianças. 


É também possível alugar canoas e passear pela ribeira, habitat de animais como a lontra, a garça-cinzenta ou o colorido guarda-rios. As arribas que ladeiam a praia são negras, de xisto, com veios de quartzo pérola, muito estratificadas e fissuradas, a fazer lembrar construções Lego. A sul da Praia de Odeceixe, passando os enormes rochedos de recorte curioso que a delimitam, existe uma pequena enseada, a Praia das Adegas, que é uma praia oficial de naturismo. Em situação de maré-cheia, é acessível através de um caminho pedonal que desce pela arriba, junto ao Miradouro.


Nota: É possível fazer praia ao longo da ribeira de Ceixe, recomendado em situação de maré-cheia. A corrente junto da barra pode ser muito forte. O acesso pedonal até à Praia de Odeceixe é bastante íngreme.

Acesso: Viário alcatroado a partir de Odeceixe (EN 120), seguindo na direcção da praia, que se situa a cerca de 3 km. Estacionamento ordenado mas limitado na Praia de Odeceixe, mais amplo mas não ordenado na Praia das Adegas. Equipamentos de apoio (restaurante e WC) e vigilância durante a época balnear. Orientação: oeste.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Gastronomia Algarvia - Feijoada de Búzios

Ingredientes:
Para 4 pessoas

600 grs de miolos de búzios ;
500 grs de feijão vermelho ou catarino ;
500 grs de tomates frescos ;
1 pimento verde ;
1 ramo de salsa ;
1 folha de louro ;
2 dentes de alho ;
100 grs de cebolas ;
1 dl de azeite ;
sal q.b. ;
pimenta q.b. ;
piripiri


Confecção:
Num recipiente ponha o feijão a demolhar em água fria, com uma antecedência de 12 horas, em relação à sua utilização.
Depois de demolhado, lave-o e ponha a cozer, num tacho em água fria.
Parta os búzios em cru e retire os miolos.
Em seguida, coza os miolos obtidos em água e sal, cerca de 45 a 60 minutos.
Depois de cozidos, retire para uma vasilha e deixe arrefecer. Corte em pedaços.
Num tacho, à parte, refogue, em azeite, o alho e a cebola picados finos, junte a folha de louro e o ramo de salsa e deixe alourar.
Em seguida, adicione o pimento, depois de limpo de pevides e lavado, cortado em dados pequenos.
Entretanto, tire o pé aos tomates, escalde-os em água a ferver, para mais facilmente tirar a pele e as pevides. Pique os tomates e ponha-os no refogado. Deixe apurar.
Junte os pedaços de búzio e tempere com sal, pimenta e piripiri.
Adicione o feijão já cozido e parte do líquido da sua cozedura e leve a ferver até apurar.

Conselho: Aconselha-se o uso de búzios médios, nesta confecção. Eventualmente poderão os búzios ser cozidos e depois partidos.

domingo, 1 de abril de 2012

Terras do nosso Algarve - Odeceixe

Em Odeceixe o moleiro vigia a direcção do vento e acompanha o visitante que quiser saber como noutros tempos se moíam os cereais.
Do alto do moinho vê-se o casario branco da aldeia, a várzea e vislumbra-se o serpenteado da ribeira de Seixe, precipitando-se em direcção ao mar, que encontra a meio da praia, formando ali caprichosas ilhotas, ao sabor da maré. Um encanto que nenhuma outra terra tem.



Identidade
Odeceixe abre-nos as portas do Algarve, a primeira aldeia algarvia depois das terras do Alentejo.
Encostada a uma colina, as suas ruas são estrei-tas com casas rurais, na sua maioria caiada de um branco imaculado. A Ribeira de Seixe, sendo esta uma das ribeiras que têm água durante todo o ano, permite a proliferação de muita vegetação, assim como a existência de espécies autóctones na fauna e na flora.

Localização
Entre Odemira e Aljezur, junto à EN 120, na fronteira que divide o Algarve do Alentejo.


População
Aos 932 habitantes referidos pelos Censos 2001 muitos são os veraneantes que se lhes juntam, procurando a aldeia, tanto nacionais e destes especialmente os alentejanos do interior que respondem ao apelo do mar e da pesca, assim como turistas cativados pelas belezas naturais.

Actividades Principais
As várzeas de Odeceixe, inundadas pela ribeira de Seixe, e assim fertilizadas, permitem o desenvolvimento de vários produtos, nomeadamente a batata doce, o milho e o amendoim, proporcionando um óptimo desenvolvimento da agricultura.
Como é comum nesta costa, os agricultores transformam-se amiúde em pescadores, na captura de espécies de alto rendimento comercial como os sargos, douradas e robalos, assim como os mariscos.


História
A aldeia está incluída na faixa costeira de território onde se desenvolveu a cultura mirense (5 a 8 mil anos a. C.) que se localizou e entre o Rio Mira, no concelho de Odemira e o Burgau, parte integrante do Concelho de Vila do Bispo. Os mirenses eram povos nómadas, e sendo caçadores e recolectores não se dedicavam à agricultura. Utilizavam os seus machados para recolher mariscos das falésias e para escavar a terra à procura de tubérculos. A caça completava a sua dieta.
Há inúmeros vestígios arqueológicos a atestar a sua presença na região.


Património Cultural
Igreja Matriz de Odeceixe - Igreja Paroquial é do séc. XIX, apresenta uma arquitectura de enorme simplicidade interior, com arco triunfal. Capela-mor de estilo neo-clássico e dois altares colaterais, sendo a padroeira a Nossa Sr.ª da Piedade.
Pólo Museológico do Moinho - Situa-se no topo de um cerro sobranceiro à aldeia. Dentro do espaço do moinho, reconstruído com os materiais tradicionais, está um moleiro que fornece explicações aos visitantes acerca do processo de moagem.
Museu Adega de Odeceixe - Inaugurado em 1992 apresenta um espólio composto pelos diferentes utensílios utilizados no fabrico do vinho, desde o processo de transformação da uva e consequente fermentação até ao produto final. Estão presentes as pipas, funis, copos, garrafas, entre outros ordenamentos necessários. Os candeeiros, escadas, cadeiras, bancos são fruto de uma recolha nas antigas casas rurais e fazem também parte deste espólio Museológico.

Património Natural
Estando em Odeceixe, estamos também em pleno coração do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, de uma indesmentível riqueza paisagística, faunística e florística, sem esquecer o património geológico, arqueológico e histórico.
A paisagem oferece falésias imponentes e dunas no litoral. Para além do mar, há linhas de água que originam lagoas temporárias durante a época das chuvas. Existem também zonas húmidas e estuários como é o caso de Odeceixe, mas também da Bordeira/Carrapateira e de Alzejur.
Aqui crescem espécies botânicas únicas, a par de plantas endémicas como o tomilho e o loureiro.
Outras espécies que raramente criam no litoral europeu e estão presentes aqui são o pombo da rocha ou a garça boieira. Texugos e fuinhas também surgem assim como as lontras, que na Europa se encontram em diminuição ace-lerada devido à poluição ambiental e que, neste Parque, se mantém em boas condições.
O vale de Odeceixe é banhado pela Ribeira de Seixe, nasce na serra de Monchique e desagua na praia de Odeceixe, delimitando assim o Algarve do Alentejo.
Esta ribeira possui potencial para desenvolvimento de actividades de animação ambiental como a canoagem, observação de aves, dada a riqueza de espécies ou a interpretação ambiental, devido à elevada preservação da zona.


Tradições
O moleiro costumava ser um homem de muitos saberes, porque precisava de dar atenção às mudanças do tempo, saber da qualidade dos cereais, ser capaz de consertar as peças do moinho e até perceber de negócios e de comércio.
O isolamento dos moinhos fazia-os receber amavelmente as visitas, e ser bons conversadores. A industrialização trouxe a decadência dos moinhos de vento, em termos económicos mas a sua arquitectura marca a paisagem, sendo um património incontestável do mundo rural.

Produtos Locais
Os trabalhos de cabedal e as rendas fazem parte, de alguns produtos artesanais de importância para Odeceixe.
Os produtos agrícolas, como a batata doce, o amendoim e o milho fazem parte dos produtos cultivados nas Várzeas da Ribeira de Seixe.

Gastronomia
A gastronomia de Odeceixe reflecte as actividades da sua população que ora lavra a terra, ora faina no mar, misturando os sabores.
Tomem-se as vagens de feijão catarino criadas nas leiras da Ribeira de Seixe, os chocos e os polvos apanhados na maré do dia e eis uma feijoada “à minha maneira”, receita confeccionada na pitoresca Taberna do Gabão, em Odeceixe.



Receita
Feijoada “à minha maneira”

Ingredientes para 12 pessoas:

4 litros de feijão catarino
2 ramos de salsa
4 conchas de azeite
5 cebolas grandes
3 pimentos
1 cabeça de alho
4 cenouras
2 folhas de louro
1 ramo de coentros
5 a 6 tomates maduros
1 chouriço vermelho
1 colher de banha caseira
2 Kg de polvo
2 Kg de choco
500 g a 1Kg de gambas
Um pouco de sal

Para a confeccionar, coloque o feijão de molho de um dia para o outro. No dia seguinte coze--se o feijão em água abundante com um ramo de salsa e uma colher de azeite.
Faz-se um refogado com azeite e um pouco de banha, cebolas grandes picadas, pimentos, alho picado, cenouras às rodelas, folhas de louro, um ramo de coentros, um ramo de salsa, tomates maduros e chouriço vermelho cortado às rodelas.
Deixa-se refogar bem e junta-se o polvo e o choco cortado aos bocados ao preparado, e deixa-se cozer até ficar tenro.
Por fim junta-se o feijão cozido ao polvo e ao choco com a água que se cozeu o feijão. Quando estiver tudo cozido juntam-se a algumas gambas. Se for necessário rectifica-se o sal ou junta-se picante.
O prato é servido com um pouco de arroz e coentros picados em cima da feijoada.