quarta-feira, 7 de março de 2012

Prospeção de petróleo ‘arrasa’ pesca no sotavento algarvio

A faina da pesca está interdita até 19 de maio na zona em que se vão realizar prospeções de petróleo e multas podem chegar aos 30 mil euros. Sindicato do setor exige medidas para minorar perdas e está preocupado com problemas de ordem ambiental se o petróleo aparecer. 

Iniciaram-se esta terça-feira as ações de prospeção de petróleo na costa do sotavento do Algarve que deverão prolongar-se até 19 de maio que vão “condicionar fortemente o exercício da pesca”.


Neste contexto, o Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul exige desde já “as medidas preventivas que se impõem de forma a minorar os efeitos nefastos que resultam da interdição, no orçamento das famílias que dependem única e exclusivamente da pesca”.

Segundo a nota sindical trata-se de uma “zona habitual de actividades piscatórias onde operam embarcações de pesca de arrasto, mas não só, que capturam espécies com valor comercial, tais como o lagostim, o tamboril, a gamba, a pescada e o camarão”.

A capitania de Faro emitiu entretanto um edital em que é determinado “que as artes de pesca fixas, redes, armadilhas, palangre (anzol) e respectivas bóias de sinalização, devem ser aladas e retiradas".

Está também proibido o exercício da pesca de arrasto durante todo o período previsto naquele setor da costa, o que para os representantes dos pescadores significa, na prática, “que daqui resultará certamente prejuízos para os pescadores ao nível da quebra dos seus rendimentos”.

Além de denunciarem o valor das multas por incumprimento da proibição, contraordenações puníveis com coimas de 400 a 2.500 euros para os pescadores, que no caso de armadores se elevam de 2.500 euros até aos 30.000 euros, o sindicato considera oportuno lembrar a “existência de um Fundo de compensação salarial para os profissionais do setor da pesca”.

Mecanismo que “deve ser acionado quanto antes precavendo os prejuízos que deste tipo de operações podem vir a ocorrer para os pescadores e respetivas empresas”.


Impedidos de pescar e com multas incomportáveis

Manifestando receio quanto a eventuais “problemas de ordem ambiental caso venha a ser encontrado petróleo” o sindicato salienta que “por incrível que possa parecer são os pescadores impedidos de exercer a sua actividade profissional na procura de ganhar o pão de cada dia, e como prémio podem estes ainda serem punidos com multas num valor totalmente incomportável”.

Afirmando ter alertado há já alguns meses, em reunião com o secretário de Estado das Pescas, para a existência de situações, que, à partida, não cabem no Fundo de Compensação Salarial e que "deviam de ser objecto de legislação própria", os sindicalistas do setor exigem que “as entidades que promovem as actividades que levam á interdição sejam responsabilizadas pelos prejuízos causados ao setor, e as devidas indemnizações compensatórias”.

O sindicato acusa ainda a Direção Geral das Pesca e da Aquicultura de não ter reunido com os representantes dos trabalhadores e associações, embora aquele organismo alegue que “o procedimento de informação e divulgação no âmbito do sector da pesca, foi em tudo idêntico em outras operações do género”.

Afirmando ter tomado conhecimento da interdição “por mero acaso” e via comunicação social, o sindicato critica também que o edital que determina as multas foi unicamente afixado na Capitania, “quando tudo justificaria a sua divulgação por todas as associações representativas do sector da pesca, quer patronais, quer sindicais”.



Gastronomia à Algarvia - Bacalhau à Algarvia

Ingredientes:
Para 4 pessoas

600 grs de bacalhau seco ;
800 grs de batatas ;
2 dl de azeite ;
150 grs de cebolas ;
3 dentes de alho ;
50 grs de farinha ;
1 ramo de salsa ;
sal q.b.


Confecção:

Corte o bacalhau salgado e seco em quadrados com cerca de 5 cm. Demolhe em água fria, com uma antecedência de 24 horas.
Limpe o bacalhau de escamas e espinhas e ponha a escorrer.
Num tacho, à parte, ponha o azeite e leve ao lume para aquecer.
Passe o bacalhau pela farinha e deixe alourar nos dois lados. Depois de alourado, retire para uma travessa.
Pique o alho e corte a cebola ás rodelas.
Refogue o alho e a cebola no azeite onde fritou o bacalhau e deite sobre o mesmo. Polvilhe com salsa picada.
Num tacho, à parte, coza as batatas com pele em água e um pouco de sal.
Depois de cozidas, escorra a água e deixe arrefecer.
Descasque as batatas, corte ás rodas grossas e, numa frigideira, aqueça-as em azeite.
Sirva em volta do bacalhau.

Conselho: Utilize, de preferência, um bacalhau com espessura de cerca de 3 cm.

terça-feira, 6 de março de 2012

Razões para o governo espanhol ser contra as portagens no Algarve

A introdução de portagens na A22, no Algarve, é contra a coesão territorial, a cooperação económica e as correntes turísticas e, por isso, «contra o emprego». São estes os motivos evocados pelo ministro da Industria, Energia e Turismo espanhol para estar contra as portagens nas antigas antoestradas sem custos para o utilizador (SCUT).


José Manuel Soria, que foi questionado sobre as portagens na A22 por uma senadora socialista, na sessão de controlo ao Governo no Senado espanhol, considerou que a introdução das portagens em Portugal constitui uma «medida com um impacto negativo sobre o comércio e o turismo».

«Gera um impacto negativo na conectividade entre Portugal e Espanha, particularmente neste caso entre o Algarve e Huelva e implica um encarecimento no custo da deslocação».

Soria recordou que Portugal «é um país soberano que toma as suas próprias decisões sobre as suas próprias infraestruturas» mas que «isso não impede que haja iniciativas por parte do Governo de Espanha, perante o próprio governo português e perante a UE para que possam ser paliados esses efeitos negativos».

Nesse sentido, o Governo espanhol defendeu junto da UE que «Portugal, sem prejuízo à sua liberdade de atuar sobre as suas próprias infraestruturas, modifique o sistema estabelecido, resolvendo os efeitos negativos sobre as correntes comerciais e turísticas entre Portugal e Espanha».

Soria recordou que desde que foi tornada efetiva a decisão do Governo português sobre as portagens, em outubro de 2011, «houve petições de várias entidades locais e por parte de diferentes setores, junto do Governo de Espanha, para que essa decisão não entrasse em vigor». «Apelos que não tiveram êxito».

Ao mesmo tempo, o ministro espanhol recordou que «esta autoestrada A22 é financiada com fundos comunitários»pelo que as «gestões» do Governo, junto de Lisboa e Bruxelas, procuram que «pelo menos possa ser revogado este sistema de portagens».

O tema das portagens foi levado à sessão de controlo ao Governo no Senado pela senadora socialista de Huelva Petronila Guerrero Rosado, que se referiu ao que diz serem os «efeitos negativos causados pela implantação de portagens na autoestrada do Algarve para o comércio e turismo na província espanhola de Huelva».

Rosado recordou que no passado dia 9 de fevereiro a autarquia de Ayamonte (Huelva) se juntou, por decisão unanime, a um «manifesto de apoio à área transfronteiriça livre de portagens», uma iniciativa «acordada pela comissão Huelva-Algarve».

«Não se trata apenas de recuperar o normal espírito de colaboração transfronteiriça, mas de eliminar, numa situação económica complicada e delicada, um evidente travão à livre circulação de pessoas e mercadorias».

Rosado referiu-se à recente posição da Comissão Europeia sobre as portagens, destacando o que diz ser a «complexidade do sistema utilizado» que «dificuldade enormemente a passagem e que vai contra a livre circulação».

«O nosso futuro depende de setores como o comércio e o turismo aos que as portagens afetam de forma muito poderosa, e também da consolidação da eurorregião Alentejo-Algarve-Andaluz».

A senadora questionou diretamente Soria sobre que «medidas» o Governo espanhol pensa tomar para «paliar os efeitos negativos destas portagens» ao que o governante disse que Madrid e Lisboa decidiram criar uma comissão conjunta de trabalho para analisar o assunto.

Fonte: JN

segunda-feira, 5 de março de 2012

Parte da praia de Armação de Pêra é privada e o Estado quer comprá-la

A zona nascente do areal da estância balnear algarvia é usada há anos por milhares de veraneantes sem qualquer restrição, apesar de ser propriedade privada desde 1913. Um caso singular no litoral português. 

Os proprietários dos 31.696m2 da praia de Armação de Pêra
são os dez herdeiros de João da Costa Sant'Ana Leite

O Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) ditou o derrube de casas de praia e de barracas no litoral algarve, mas não tocou no direito de propriedade que uma família detém há 99 anos sobre três hectares da praia de Armação de Pêra. A zona nascente do areal pertence desde 1913 à família Santana Leite e o Estado quer agora comprá-la, por 200 mil euros, apesar de estar integrada no domínio público marítimo e de ser usada por toda a gente.

Não se pode lá construir, nem cobrar a entrada aos banhistas, mas a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve está impedida de receber renda dos apoios balneares, porque o areal tem um dono, embora a propriedade esteja integrada no domínio público marítimo.

A família Santana Leite é proprietária, desde 1913, da maior parte da praia de Armação de Pêra - uma faixa que se estende por 31.696 metros quadrados, abrangendo a área reservada à pesca artesanal.

O Estado não pode exercer o pleno direito público de acesso e utilização da zona balnear, onde se situam os apoios de pesca, lota e três restaurante sem primeiro comprar a praia. O preço de 200 mil euros já foi acordado entre as partes, mas a escritura de aquisição não foi efectuada, porque o Ministério das Finanças ainda não autorizou. A ARH do Algarve devolveu à administração central, há cerca de três semanas, a verba orçamentada para a aquisição, autorizada pelo secretário de Estado do Ambiente no final de Dezembro.

Ao longo dos anos, o Estado tentou separar as águas entre o direito privado e público na área abrangida pelo domínio público marítimo, mas o conflito de interesses permanece.

O caso não será inédito, mas assume especial relevância no Algarve. Algo que o antigo ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território Nunes Correia reconheceu em 2009, ao referir-se a "uma situação muito singular de um terreno comprovadamente privado em plena praia de Armação de Pêra", quando subscreveu a proposta de compra da parcela da praia.

A situação mais comum na região são as tentativas de alguns empreendimentos para condicionar o acesso à praia, quando obtém licenças para construir sobre falésias ou nas proximidades, como se verificou no concelho de Albufeira, na praia dos Tomates e nos Olhos d" Água (Villas d"Água).


Quem recebe a taxa?

Com o aproximar da época balnear, os concessionários dos apoios de praia, na zona nascente de Armação de Pêra, perguntam: a quem se paga a taxa de ocupação? Enquanto o assunto não se deslinda, Manuel Lourenço, dono do restaurante Estrela do Mar, opta por ficar à espera: "Falaram em fazer um contrato com um privado, mas achei esquisito." No passado, até à aprovação do POOC Vilamoura-Burgau, publicado em 1999, "pagava a renda à capitania, depois deixaram de cobrar". 

A presidente da ARH do Algarve, Valentina Calixto, adiantou que, com a entrada do novo ano económico, "será retomado em breve" o processo de aquisição da parcela privada do areal.

Os actuais donos da praia são os dez herdeiros de João da Costa Sant"Ana Leite - uma família tradicional de Armação de Pêra que fez o negócio quando esta era ainda uma zona piscatória e não se transformara na estância balnear que é hoje uma estância essencialmente turística. 

O direito à propriedade foi confirmado por um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, de 10 de Dezembro de 1913. O ex- ministro Nunes Correia defendeu que só a compra do terreno "permite uma plena execução do que está previsto no POOC". A Câmara Municipal de Silves, nos últimos anos, investiu mais de seis milhões de euros na requalificação da frente de mar, mas só na parte poente. A parte nascente ficou por ordenar.

O preço a pagar foi considerado pelos avaliadores do Estado "aceitável, situando-se mesmo abaixo do valor real do imóvel". Até porque, justificam, na parte do terreno a adquirir está prevista a "implantação da totalidade dos apoios e equipamentos balneares". A ARH do Algarve pagará 130.234,17 euros, com a receita proveniente do Fundo de Protecção dos Recursos Hídricos. A restante parte, 69.785,83 euros, foi assumida pela câmara, que ficará com a posse da parte norte do caminho que limita a praia, onde fica o campo de futebol de Os Armacenses. 

João Pedro Santos, dono do Pedros"s Bar, tem a situação ainda mais original - adquiriu a direito à exploração do estabelecimento há 22 anos, por concurso público, lançado pela junta de freguesia. Paga uma renda à autarquia de 500 euros mensais. Para ocupar a via pública com esplanada paga ao município mais 1300 euros ano. Ficou a saber que a praia pertencia a um particular, ao pretender alargar a esplanada, mais 40 metros em direcção ao mar. "A ARH disse que não via inconveniente, deste que obtivesse o acordo da família Leite." Está a ultimar um contrato de arrendamento com o dono da praia: "Vão aplicar a mesma taxa que é cobrada pela ARH - fico a pagar 400 euros ano", adiantou.

A presidente da ARH confirma que este não é o único caso que o POOC não conseguiu resolver. "Há outros casos", acrescenta. À saída da praia da Armação de Pêra, já no concelho de Lagoa, na praia Vale do Olival, volta a repetir-se o conflito entre o direito público e o privado. O restaurante Calixtos tem nas proximidades placas a indicar "perigo" de erosão de falésias. O terreno em redor do apoio de praia, que servia de parque de estacionamento, apesar de se encontrar na faixa do domínio público marítimo, também pertence a um particular.

Fonte: Público

9 detidos por furto em Faro e Loulé que atuavam em rede

A GNR deteve ontem e hoje 9 indivíduos com idades entre os 28 e os 48 anos, que atuavam em rede, visando especialmente estabelecimentos comerciais e também residências de onde furtavam valores e dinheiro em todo o Algarve, anunciou o Comando Distrital da GNR. 

Na sequência de uma investigação que se estava a desenvolver há cerca de 3 meses, foi na madrugada de hoje desmantelada uma rede de indivíduos, que vinham praticando furtos por todo o Algarve, visando, de onde se apoderavam de objetos valiosos e dinheiro.

Cerca das 3h00, militares do Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento Territorial da GNR de Faro intercetaram elementos do grupo na loja das bombas de combustível da Cepsa, na E. N. 125, em Ferreiras, de onde tentavam furtar o cofre do estabelecimento.


Uma das viaturas foi imobilizada em Ferreiras e detidos os dois ocupantes enquanto os restantes encetaram a fuga que só no sítio do Esteval nos arredores de Faro, onde foram detidos mais 3 indivíduos, refere a GNR.

Durante a fuga, os ocupantes da viatura perseguida libertaram-se de diverso material que usavam na prática dos furtos, atirando para a via pés-de-cabra e outras ferramentas que utilizavam para os arrombamentos.

Buscas em Loulé e Faro levam a apreensão de material furtado

Ao romper da manhã e já munidos de mandados de busca domiciliária, os efetivos da Guarda montaram um aparatoso dispositivo policial para executar buscas em 9 residências e em diversos veículos, nos concelhos de Faro e Loulé, tendo recuperado diverso material proveniente dos furtos, designadamente peças de ourivesaria e relógios, computadores portáteis e LCD’s, espólio que os militares já associaram a furtos anteriormente cometidos.

No total a GNR deteve oito pessoas de nacionalidade romena, uma delas uma mulher que se encontrava na posse de um aerossol de defesa, e outra de nacionalidade moldava, que integravam esta rede.

Segundo a GNR destacava-se a organização entre os vários elementos e o cuidado com que planeavam e executavam os roubos, pelo que foi necessário, para a sua captura “a GNR de empenhar meios de diversas valências Comando Territorial de Faro e reforço do Grupo de Intervenção de Operações Especiais da Unidade de Intervenção da GNR, sediada em Lisboa, para concretizar as detenções”.

Ainda segundo a GNR os indivíduos resistiram à detenção tendo dois deles sofridos ferimentos, que necessitaram de assistência hospitalar.

Os detidos vão ser presentes no Tribunal de Faro para aplicação das medidas de coação, amanhã, 06 de Março.

domingo, 4 de março de 2012

Terras do nosso Algarve - Alcoutim

Ao partir à descoberta pelo Algarve interior, encontra paisagens que contrastam com o típico e caracteristico sul algarvio unico pelas suas praias.

A vila de Alcoutim é uma dessas paisagens singulares. Fazendo um percurso por entre curvas e contra curvas, encontra toda uma povoação construida com vista para o Rio Guadiana, de casas com paredes brancas e um sossego ensurdecedor.


Mas o mais singular é a povoação mais próxima que espelha igualmente no rio, S. Lucar del Guadiana, só o Guadiana permite esta divisão entre povoações. Existe uma ligação muito próxima entre gentes raianas, quer no que diz respeito a familias, quer a nível profissional.

A gastronomia aqui é muito diferente da das regiões costeiras, baseando-se no porco e no borrego, azeite e pão caseiro. O feijão, as favas e as ervilhas também são muito usados e podem ser provados em deliciosos pratos de caça a acompanhar lebre, perdiz ou javali. 

Alcoutim é uma vila com história, que se prova pelo seu castelo e pelos seus inúmeros vestígios arqueológicos.




Visitar Alcoutim
A fita azul do rio por entre serranias redondas cobertas de estevas. A mancha branca do casario subindo as ladeiras do anfiteatro das colinas, coroadas pelos campanários de igrejas, a mole escura de um forte castelo. A elegante silhueta dos veleiros ancorados junto à margem. Impressões de Alcoutim que seduzem o visitante, que o levam a percorrer as suas ruas e a viver horas tranquilas numa esplanada à beira da água.

Castelo
Ocupando uma elevação sobranceira ao rio, o local onde o castelo está implantado, de acordo com as escavações arqueológicas efectuadas, terá sido ocupado na Idade do Ferro e no início da ocupação romana. A construção do castelo será dos inícios do séc. XIV, iniciada por ordem de D. Dinis, como defesa de fronteira. Sofreu alterações nos sécs. XVI e XVII. Conserva ainda parte do adarve (caminho de ronda) e ameias com seteiras. No seu interior funciona o Museu de Arqueologia, onde estão expostos os achados arqueológicos do concelho, bem como vestígios das edificações descobertas durante as escavações.


Igreja Matriz
É um dos melhores exemplares do primeiro Renascimento no Algarve. Foi erguida entre 1538-1554 no local de uma igreja medieval. Sofreu alterações posteriores. Elegante portal encimado pelo brasão dos marqueses de Vila Real e pelo dos condes de Alcoutim, com o característico entrelaçado de ramos de azinheira e a inscrição “Alleo”, associada ao levantamento do cerco mouro à recém-conquistada cidade de Ceuta por D. Pedro de Menezes (1418/19). Interior de três naves e quatro tramos. Colunas rematadas por bonitos capitéis corínteos. Capela-mor e capelas laterais com retábulos de talha. Interessante conjunto de imaginária religiosa. Na sacristia, três frestas ogivais.

Ermida de Nossa Senhora da Conceição
Do templo manuelino (séc. XVI), que substituiu a primitiva construção gótica, resta o portal. O actual edifício é uma reconstrução do séc. XVIII. Um interessante escadório barroco dá acesso a um amplo adro que é, também, um magnífico miradouro sobre a vila e os campos circundantes. As paredes caiadas, a cúpula redonda do altar-mor e o sino sobre o portal, guardado por um ninho de cegonhas, compõem um pitoresco quadro tipicamente algarvio. Destaque para a imagem de Nossa Senhora da Conceição e para o retábulo barroco do altar-mor (séc. XVIII). De referir que neste templo funciona o Núcleo Museológico de Arte Sacra, que tem por objectivo divulgar a arte sacra do concelho de Alcoutim.

Centro Histórico
Alcoutim, apesar de ter perdido as muralhas que, durante séculos, a cercaram e algumas construções modernas, mantém nas suas ruas estreitas e íngremes o lado típico da atmosfera tranquila de uma vila serrana.
Um passeio de alguns minutos leva à descoberta de singelas casas centenárias, do vulto branco da Igreja da Misericórdia. Para terminar, importa descer até à beira-rio, marcada pela sóbria ermida de Santo António, a antiga Casa dos Condes de Alcoutim. Depois, é saborear uns momentos de repouso, na companhia de uma bebida fresca, numa esplanada em frente à água, enquanto se aprecia o barco de pesca que regressa, os veleiros ancorados na pequena marina ou a povoação espanhola de São Lucas do Guadiana na outra margem.


Um Antigo Povoado Árabe
A cerca de 1 quilómetro de Alcoutim, atravessando a ribeira de Cadavais por uma moderna ponte, erguem-se num morro sobranceiro ao rio as ruínas do castelo velho, considerado um monumento ímpar do período islâmico de Portugal. A sua tipologia corresponde a uma fortaleza rural da época muçulmana, construída para realizar o controlo da navegação e do comércio mineiro sobre o rio Guadiana. A fortaleza é constituída por um conjunto de muralhas e compartimentos, edificados com muros de xisto ou grauvaque, e foi ocupada desde os sécs. VIII-IX (época do Emirato) até ao séc. XI (período dos reinos de Taifas), momento em que foi abandonada. Alguns dos objectos descobertos neste local encontram-se expostos no Núcleo Museológico de Arqueologia da vila de Alcoutim.

sábado, 3 de março de 2012

À Descoberta do Algarve Rural - Do Barrocal à Serra

Um percurso por entre rosmaninhos, tomilhos, estevas, alfarrobeiras e sobreiros, convivendo com a hospitalidade das gentes, á volta do pão de alfarroba ou rolão, do medronho e do chouriço. Admiramos as artes e ofícios locais, testemunhos de um saber antigo. Cestos e tapetes de palmeira-anã, cintos e malas em couro, peças em cobre, ferro, latão ou barro, com trapos, linho ou algodão. Vamos á descoberta de castelos e muralhas, desde os celtas aos árabes, fontes de águas cristalinas que antes moveram moinhos e azenhas, igrejas de inspiração árabe ou da renasçença e período barroco.

Subimos a miradouros no cimo de grandes rochas e mergulhamos nas águas de barragens e ribeiras. Admiramos as belas paisagens e observamos a fauna e a flora locais. Paramos a olhar na beleza singela do salgueiro e do freixo.




1º Troço: Loulé - Salir

Loulé, no coração do Barrocal, é uma terra de artesanato e de grande dinâmica comercial organizada em torno do mercado, tão ao gosto Árabe. Nas lojas que rodeiam as muralhas ainda se descobrem artesãos no seu labor. Com uma mestria ímpar, saem cestos e tapetes de palmeira-anã, cintos, malas e peças em cobre e latão.

Começamos por visitar as Muralhas do Castelo (1), de origem Árabe, reconstruídas no séc. XIII e que ainda hoje se podem ver com as suas três torres de alvenaria. No pátio encontram-se algumas pedras medievais, um poço e o arco da antiga porta de ligação à povoação. Também aqui podemos visitar a Igreja Matriz (2), uma construção Gótica do séc. XIII com um interior de três naves. A torre sineira é proveniente da adaptação de um minarete muçulmano. Se o tempo correr devagar, é de visitar o Museu Municipal, onde se encontram colecções sobre etnografia e arqueologia. No centro da cidade visitamos ainda o Convento do Espírito Santo (3), onde está instalada a Galeria de Arte Municipal. Na saída para Boliqueime, seguindo a EN 270, avista-se à esquerda a Mãe Soberana (4), num outeiro servindo de miradouro sobre a cidade, os campos e o mar. Este é um magnífico monumento do séc. XVI, estilo Renascença, dedicado a N. Sra. da Piedade, padroeira de Loulé. 

Voltamos a entrar em Loulé para apanhar a EN 396 em direcção à aldeia de Querença, situada na transição entre o Barrocal e a Serra. Lá bem no alto encontra-se a pequena e bonita Igreja (5), que data do séc. XVI e exibe um belo portal Manuelino. Frente à Igreja ergue-se o Cruzeiro (6) em pedra. Ainda na aldeia fabrica-se um dos mais apreciados chouriços da região e as bonecas de trapos (7), com os trajes tradicionais representando várias profissões. Ali perto, em Pombal, fazem-se deliciosos gelados (8), à base de produtos naturais. 

No património natural há três locais a não perder. Para os que gostam de andar a pé, o Cerro dos Negros (404m), logo à saída de Querença, oferece um amplo panorama sobre o litoral. Outro local de grande beleza natural a não perder é a Fonte Filipe (9), no curso da Ribeira das Mercês, onde se podem visitar as grutas, cujas águas têm propriedades terapêuticas. Já os amantes da fauna e da flora encontram no parque da Fonte Benémola (10), Sítio Classificado pelo ICN, espécies vegetais pouco comuns no Algarve: salgueiros e freixos, além dos loendros, chopos e tamargueiras; e a vegetação típica do Barrocal algarvio: o alecrim, o rosmaninho, o tomilho, a esteva, o zambujeiro, o sobreiro e a alfarrobeira. Na fauna destacam-se a lontra, uma grande diversidade de aves e algumas colónias de morcegos. Da Fonte Benémola seguimos em direcção à aldeia da Tôr, atravessando a ponte sobre a Ribeira de Algibre. Ao chegar ao cruzamento com a estrada 525 que vem de Loulé, viramos à direita em direcção a Salir. Um pouco antes de chegar a esta vila encontra-se à esquerda um desvio para a Nave do Barão, onde existe um percurso pedestre sinalizado no terreno. 

Fonte Fílipe

2º Troço: Salir - S. Bartolomeu de Messines

A vila de Salir espalha o seu casario branco pela colina, envolvendo as ruínas do castelo. As ruas estreitas, as paredes caiadas e as flores das casas dão-lhe um toque de tranquilo viver. As escavações arqueológicas do castelo supõem-na habitada pelos Celtas, mas foram os Árabes que a fizeram crescer durante o período da ocupação Almoada, no séc. XII. São deles as ruínas do Castelo de Salir (11), um importante património arqueológico que brevemente irá ter à disposição do público as infra-estruturas adequadas para a sua interpretação.

Deixamos Salir em direcção a Alte pela estrada EN 124, mas logo viramos em direcção à Rocha da Pena (12), Sítio Classificado pelo ICN e excelente para a prática do pedestrianismo e de desportos radicais, como parapente ou escalada. Tomamos a estrada 503 até à Cortinhola. Aqui fazemos uma pequena rota até ao Malhão (13), onde existe um excelente miradouro sobre a serra e um templo budista. Continuando na estrada 542 segue-se até ao Azinhal onde se desvia para Sarnadas, em direcção a Alte. Os terrenos que atravessamos fazem parte da Quinta do Freixo (14), uma propriedade agrícola, com reserva de caça, agro-turismo e produtos agro-alimentares biológicos. Paramos nas Sarnadas para apreciar a gastronomia local e ouvir o Sr. Joaquim, um excelente contador de histórias. Continuando em direcção a Alte, desviamos para subir os 467m da Rocha dos Soidos (15), um miradouro natural com uma paisagem sobre o ondulado da serra e tendo o mar no horizonte sul.

Chegamos a Alte, uma aldeia com vestígios de ocupação Romana e onde a cultura Árabe marcou decisivamente a arquitectura local. 

Do património cultural de Alte há a destacar a Igreja Matriz (16), rica pela sua talha e azulejaria Barrocas, abóbada Quinhentista, portal e pias baptismais Manuelinos e a Igreja de São Luís. Recomendamos uma visita à Casa Memória D’Alte, onde funciona o Posto de Turismo local, que dispõe de informações sobre percursos dentro e fora da aldeia. 

Ponto de referência para qualquer visitante é o som das águas da Ribeira de Alte. Aí encontramos o ex-libris da aldeia: as Fontes (17), Fonte Pequena e Fonte Grande. Estas nascentes de água, que durante séculos moveram os nove moinhos existentes ao longo do seu curso e serviram para abastecer a população local, estão hoje convertidas num local muito aprazível para piqueniques e banhos, pois possui uma represa em forma de piscina natural. 

A poucos quilómetros de Alte, na direcção de Santa Margarida, há um desvio para a Torre, onde se pode visitar uma cooperativa de produção artesanal de brinquedos em madeira. 

Fontes de Alte

3º Troço: S. Bartolomeu de Messines - Paderne

Vindos de Alte pela EN 124 chegamos a São Bartolomeu de Messines. Vila situada num longo e fértil vale nas faldas meridionais da montanha do Penedo Grande, na Serra do Caldeirão. É de visitar a Igreja Matriz (18) do séc. XVI, com fachada Barroca. O contraste entre o branco das paredes e as cantarias de grés vermelho, o gracioso adro com escadaria e a riqueza do seu interior, fazem desta uma merecida visita. O destino seguinte dá-nos a conhecer a vida e a obra de João de Deus, poeta e pedagogo, autor da “Cartilha Maternal”, na Casa Museu João de Deus (19). Antes de sair do centro da vila é meritória a visita a um caldeireiro, um albardeiro ou a um artesão da cestaria de cana. A vila dispõe ainda de diferentes lojas de artesanato onde se podem adquirir produtos de couro, barro, ferro, latão, tabúa e trapos. Para usufruir do património natural envolvente aconselhamos uma rota seguindo a EN 124 até às Barragens do Funcho e do Arade (20). Existem excelentes locais para passeios, piqueniques ou observação da fauna e flora. 

Voltamos a apanhar a EN 124 e depois a EN 270 em direcção a Paderne. Encostada numa colina, a aldeia de Paderne é um casario branco que mais parece um presépio. Antes de entrar na vila, as placas de sinalização apontam para o Castelo de Paderne. A meio do caminho cruzamo-nos com uma Fonte (21) do séc. XVIII. Logo depois, quando se começa a subir, tomamos um atalho à direita em terra batida e ao fundo, mesmo por baixo da grande ponte que carrega a Via do Infante, seguimos em frente para a Azenha e Açude da Ribeira de Quarteira (22). Um local aprazível, com água corrente, constituindo um sistema tradicional de moagem que tem por força motriz o impulso da água. Estes engenhos são mais antigos que os moinhos de vento e constituem uma herança do período Árabe. Acompanhando a ribeira e situada mais a baixo, no vale a sudoeste do Castelo, ergue-se a Ponte Medieval (23), de feição Romana, reedificada em 1771 e onde são visíveis três arcos e dois talha-mars com a forma de prisma triangular. Da azenha voltamos para trás para apanhar de novo o caminho para o Castelo (24). É um dos que figuram na Bandeira de Portugal e foi conquistado aos mouros em 1248. Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, o castelo está a ser objecto de estudo com vista à sua valorização e as áreas envolventes à Ribeira de Quarteira estão a ser classificadas como Área de Paisagem Protegida. Do alto do castelo vê-se de um lado a azenha e do outro a Ponte Medieval. Existe um percurso pedestre de 4 kms em torno do castelo, da ponte e da azenha. Toda a área é muito rica em fauna e flora, mas está sujeita à proximidade da Via do Infante e da nova auto-estrada para Lisboa. Deixamos o castelo pela mesma estrada e voltamos à EN 270 para seguir até à vila. É de visitar a Igreja Matriz (25), um belíssimo templo de três naves, datada de 1506 e com acréscimos posteriores. Continuamos pela EN 270 para ir até Boliqueime ou pela EN 395 para ir até Albufeira.

Castelo de Paderne