terça-feira, 20 de setembro de 2011

Portagens/Via do Infante: Só falta Governo aprovar a lei

"A Estradas de Portugal (EP) já tem "tudo pronto" para poder cobrar portagens na Via do Infante no Algarve e nas SCUT das Beiras e Interior Norte, assegurou hoje a administradora da Estradas de Portugal na Assembleia da República. Falta apenas “conclusão do processo legislativo”.


"Nós, EP, temos tudo preparado para começar com a cobrança de portagens", garantiu a administradora Ana Tomáz, acrescentando que a empresa está a aguardar a conclusão do processo legislativo necessário para o início do pagamento.

A representante da empresa deu esta garantia durante a audição nas comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública e Economia e Obras Públicas da Assembleia da República (AR) sobre uma auditoria à EP, na qual se conclui ter a empresa risco de insustentabilidade financeira a partir de 2014.

O início da cobrança de portagens referenciado abrange a Via do Infante no Algarve (A22), e as SCUT do Beiras Litoral e Alta (A25), Beira Interior (A23) e Interior Norte (A24).

O início da cobrança das portagens nestas concessões chegou a estar previsto para 15 de abril, porém o anterior Governo socialista suspendeu a medida por considerar, baseado num parecer jurídico, ser inconstitucional um executivo de gestão aprovar um decreto-lei para introduzir novas portagens, respetivo regime de isenções e descontos.

Estrangeiros já pagam portagens

A administradora da EP confirmou também que os veículos com matrícula estrangeira já estão a pagar portagens, quando questionada pelo deputado do CDS-PP, Hélder Amaral."Já há cobrança de veículos com matrícula estrangeira. Já temos brigadas de fiscalização na rua, que esclarecem sobre estas matérias", disse Ana Tomáz na AR.

Recorde-se que os pórticos instalados para a cobrança de portagens nas SCUT não faziam a leitura das matrículas de veículos com matrícula estrangeira, inviabilizando assim a cobrança da taxa.No Algarve, os títulos para veículos estrangeiros estão já a ser comercializados na área de serviço de Olhão ao Km 97 de A22." - Observatório do Algarve

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Espanhóis aumentam pressão contra portagens no Algarve

"Críticas sobem de tom vindas de Espanha, que está contra a introdução de portagens na A22. Via custa €36 milhões por ano ao Estado, e concessão pode estar em risco.



O grupo parlamentar Esquerda Unida (IU), da região da Andaluzia está contra a introdução de portagens na Via do Infante, no Algarve, e quer avançar com uma queixa na União Europeia para bloquear a cobrança e também o Presidente da Junta de Andaluzia, José António Griñan, está a fazer pressão junto das instituições portuguesas para tentar travar a medida.
Griñan alerta que a introdução de portagens na Via do Infante (A22) pode ter "repercussões negativas" nas relações transfronteiriças, numa carta enviada ao homólogo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, João Faria.
Citado pelo jornal "El País", o responsável mostra-se "preocupado" com o impacto que a medida pode ter e considerou que afetará a entrada no Algarve a partir da Andaluzia e "as tradicionais relações económicas e sociais que unem" as duas "regiões irmãs". João Faria, contactado pelo Expresso, garantiu que transmitiu à tutela as preocupações de Griñan, mas adianta que "não há opção, porque se trata de uma necessidade, sabendo de antemão que terá efeitos recessivos".

Espanhóis querem levar queixa ao Tribunal Europeu


Também os espanhóis do Grupo Parlamentar Esquerda Unida/Verdes da Andaluzia pretendem que o Conselho de Governo faça pressão sobre o Governo Espanhol e que este faça o mesmo com o Governo português para evitar a imposição de portagens na Via do Infante, no Algarve.
O grupo parlamentar alerta para os graves impactos económicos nas economias do Algarve, Alentejo e Huelva e promete avançar com uma queixa no Tribunal de Justiça da União Europeia, para que os portugueses repensem a medida. "Sabemos que é uma decisão que afeta Portugal e depende da sua soberania, mas vai afetar também a Espanha. Não é aceitável que se façam estruturas destas com dinheiros públicos e europeus e depois se penalize os utilizadores com portagens até porque isso também vai afetar o comércio entre as duas regiões, Algarve e Andaluzia", adianta ao Expresso Pedro Jiménez, coordenador da IU.
Jiménez duvida que o Governo central espanhol acolha as pretensões dos algarvios e andaluzes, "até porque tem seguido políticas muito semelhantes às do Governo português, de cortes orçamentais e aumento de receitas do Estado", mas reforça que a posição da IU é importante num quadro de solidariedade para com os portugueses.
"Não tem muito sentido que países que já não estão separados por uma fronteira não sejam capazes de estudar medidas para evitar que o uso da sua soberania não prejudique gravemente os vizinhos a quem devem também o seu desenvolvimento. Mais ainda quando estas infraestruturas foram financiadas em grande parte com fundos da União Europeia", critica, numa altura em que várias forças políticas espanholas estão a juntar esforços para combater a medida. Já em Abril, membros do Partido Popular (PP) de Ayamonte, presentes numa marcha lenta, tinham criticado as intenções do Governo português.

Nova manifestação a 8 de outubro


Invocando os custos muito elevados ao nível económico e do impacto turístico, também as associações de empresários, hoteleiros e sindicatos portugueses se têm manifestado publicamente contra a medida e no Algarve, chegou mesmo a criar-se uma Plataforma Alargada contra a introdução de portagens, que incluia a associação dos autarcas, a AMAL. Recentemente, no entanto, começou a haver divisões com a posição de alguns presidentes de Câmara - tais como Macário Correia e Desidério Silva, de Faro e Albufeira (PSD) - que consideram já "inevitável" a cobrança.
Por outro lado, os portugueses e os espanhóis reivindicam desde há muito um estudo sobre o impacto económico da medida no Algarve, que se estima ser bem superior ao custo anual da concessão, que segundo o Expresso apurou rondou os 36 milhões de euros pagos à Euroscut em 2010. No Norte, a cobrança de portagens nas três antigas SCUT rendeu à Estradas de Portugal, nos primeiros seis meses, cerca de 56 milhões de euros, metade do previsto.
No Algarve está marcada nova manifestação para 8 de outubro, assinalada com uma marcha lenta ao longo da Estrada Nacional 125. "Vai ser um protesto grande, estamos a preparar as coisas ao pormenor", garante ao Expresso João Fava, do Movimento Algarve contra as Portagens.
A contestação, que já incluiu uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Loulé e tem preparada uma queixa para o Tribunal Europeu, promete subir de tom, apesar de não existir ainda uma data marcada para a introdução das portagens na A22. Contactado pelo Expresso, o Ministério da Economia (ME) escusou-se a tecer comentários ou a avançar com datas para o arranque da cobrança, numa altura em que se sabe que o pagamento às várias subconcessionárias por parte da empresa Estradas de Portugal pode estar ameaçado por falta de verbas.
Segundo um relatório hoje tornado público, o dinheiro da cobrança de portagens será "insuficiente" para financiar a empresa, que poderá tornar-se insustentável já em 2014." - Expresso

Produção de caviar no Algarve pode arrancar já este ano


"A produção de caviar, no Algarve, pode avançar até ao final do ano. Os promotores do projecto anunciaram uma unidade de cultivo de esturjão em aquacultura, nas margens do Rio Arade, em Lagoa.


Pedro Paulo, biólogo do projecto, salientou que a equipa, em cooperação com a Universidade do Algarve (UAlg), está a criar uma unidade piloto que servirá de apoio à estrutura produtiva. "Temos instalações para remodelar e investidores para essa localização", avançou à agência Lusa.

O esturjão atlântico, espécie extinta em Portugal desde a década de 80, já habitou nos estuários do Guadiana e do Arade, onde deverá ser instalada a nova unidade. Os responsáveis pelo projecto estimam que, em 2015, já seja possível a venda de caviar produzido no Algarve em alguns restaurantes e lojas "gourmet".

O preço do caviar de esturjão pode variar entre os mil e os cinco mil euros por quilo, estimando-se, para 2016, uma produção entre os 600 e os 700 quilos por ano. Pedro Paulo explicou à Lusa que, por se tratar de uma espécie comercialmente valiosa, o esturjão está em risco de desaparecer pelo que, actualmente, a sua criação é feita praticamente em regime de aquacultura.

Valery Afilov, mentor da ideia, trabalhou a criação de esturjão em aquacultra, na Ucrânia, durante 12 anos e desde que chegou a Portugal procura importar a ideia.

O projecto ganhou uma distinção no concurso "Ideias em Caixa", numa pareceria entre o Centro Regional para a Inovação do Algarve (CRIA) e a Caixa Geral de Depósitos." - JN

domingo, 18 de setembro de 2011

Algarve: Resumo da evolução da hotelaria em Agosto

"Relativamente a 2010, o mês de Agosto de 2011, ainda com dados provisórios, apresentou as seguintes variações nas unidades de alojamento no Algarve: a taxa de ocupação global média/quarto foi de 90,0 por cento, ou seja, 2,2 por cento abaixo do verificado em Agosto de 2010.


Por nacionalidades, as maiores subidas registaram-se nos mercados britânico (+14,2 por cento) e no holandês (+22,3 por cento). Assinalam-se as descidas acentuadas dos mercados português (-5,6 por cento) e espanhol (-14,1 por cento). Por zonas geográficas a maiores quebras verificaram-se em Vilamoura / Quarteira / Quinta do Lago (-14,3 por cento) e Monte Gordo / VRSA (-2,9 por cento). A principal subida ocorreu na zona de Portimão / Praia da Rocha (+2,6 por cento). Albufeira, a principal região turística do Algarve, registou uma descida de 1,8 por cento.

A zona de Monte Gordo / VRSA registou a taxa de ocupação mais elevada (94,3 por cento), enquanto Vilamoura / Quarteira / Quinta do Lago registou a mais baixa, com 77,9 por cento.

Por categorias, as maiores descidas registaram-se nos hotéis e aparthotéis de 2 estrelas (3,9 por cento) e nos de 4 estrelas (-2,2 por cento). Nenhuma categoria registou subidas nas taxas de ocupação. Os aldeamentos e apartamentos turísticos e os hotéis de 3 estrelas registaram as ocupações mais elevadas (95,4 por cento). O volume de negócios total teve uma descida de 3,6 por cento, enquanto as receitas do alojamento baixaram 6,0 por cento." - Barlavento

sábado, 17 de setembro de 2011

Praias do nosso Algarve - Praia Grande

Na Praia Grande o areal e as dunas estendem-se por mais de 2 Km de paisagem aberta e desprovida de marcas humanas. Duas zonas húmidas delimitam o areal: o sapal de Alcantarilha a poente e a Lagoa dos Salgados a nascente, sendo esta última um local de renome internacional para a observação de aves aquáticas, albergando populações importantes de espécies como o gracioso perna-longa ou a emblemática galinha-sultana. 


O cordão dunar é robusto, atingindo os 300m de largura, onde dominam espécies aromáticas como a perpétua-das-areias com o seu típico aroma a caril. No troço central da praia, atravessando um passadiço de madeira que oferece uma deliciosa vista panorâmica sobre o local, é possível observar arenitos (antigas dunas com cerca de 3000 anos, agora fossilizadas) e o vistoso cravo-das-areias. 



Já no areal, perto da foz da Ribeira de Alcantarilha, encontram-se formações rochosas que correspondem a antigas praias, agora transformadas em pedra. Para lá da imensa duna observam-se campos agrícolas, sobretudo cearas e pomares de sequeiro, actualmente semi-abandonados, onde não faltam antigos moinhos e engenhos hidráulicos.



Notas: É possível fazer um percurso de natureza ao longo da praia e dos campos agrícolas, que dá a conhecer os diversos habitats do local.

Acesso: Viário alcatroado a partir da povoação de Pêra (junto à EN 125). Após 1.5 Km, o caminho segue em terra batida durante cerca de 2 Km quer para o troço poente, quer para o troço central da praia. O troço nascente possui apenas acesso pedonal pelo areal ou pela vizinha Praia dos Salgados. Estacionamento amplo e não ordenado nos troços central e poente. Equipamentos de apoio (restaurantes e WC) e vigilância na época balnear. Orientação: sudoeste.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dicas de fim de semana

"As sugestões deste fim de semana passam por diversos estilos de música, teatro, várias modalidades de desporto, literatura, fotografia, dança e cinema. É só escolher.

A atriz e cantora Maria de Medeiros apresenta o seu novo álbum Penínsulas & Continentes no Auditório Municipal de Olhão no dia 17 às 21h30, acompanhada pelo seu trio original de jazz com Pascal Salmon no piano, Ricardo Feijão no baixo e Edmundo Carneiro na percussão. Os bilhetes custam 15 euros.


Ainda em Olhão vai ser inaugurada da exposição e entregues os prémios do I Concurso de Fotografia Olhão 2011 no Hotel Real Marina em Olhão, às 18h do dia 16 setembro 2011. A é entrada livre e a mostra ficará patente até 30 de setembro.

Também em Olhão o cineclube exibe a 20 setembro, terça-feira (21h30) o filme Os Gatos persas, rodado clandestinamente no Irão na sala 2 do Ria Shoping.

Continuando em Olhão, vai realizar-se apresentação pública do livro “O novo Argonauta”, ou “Os Lusíadas” de Olhão, poema épico sobre a viagem do caíque Bom Sucesso ao Rio de Janeiro, escrito há 202 anos e agora reeditado a 17 de Setembro, pelas 16h00, na Sociedade Recreativa Olhanense.

E por fim, o Cantaloupe Café nos Mercados de Olhão, apresenta no próximo “Domingo ao pôr-do-sol”, dia 18 de Setembro Paula Cardoso Rocha ao piano tendo como convidadas Elisabete Viegas (violino) e Martin Luke (percussões).

Em Faro o Teatro das Figuras inicia a Semana da Dança a 16 de Setembro às 21h30 com 7PM/Rumour (Loose in the Air) & Nerves Like Nylon dois trabalhos coreográficos de curta duração de Maria Ramos. Em 7pm/Rumour (loose in the air) a coreografia e interpretação é de Maria Ramos com sonoplastia de David Costa e música original de Nick Cave and The Bad Seeds ‘Murder Ballads’.

A coreografia & Nerves Like Nylon tem como intérpretes Sofia Dias, Benedetta Maxia, Andresa Soares, para a música original: Hugo Verweij (refrão a partir de Bauhaus ‘Nerves’). A semana de dança continua dia 17 (21H30) com a coreografia “Um Gesto Que Não Passa De Uma Ameaça Direção”, texto e interpretação de Sofia Dias e Vítor Roriz.

Dança com o 10.º Festival de Flamenco de Lagos, no Centro Cultural, sempre a partir das 21h30. No dia 15 apresentam-se El Flamenco Viene del Sur a 16 sobe ao palco Jesus Herrera y su Cuadro Flamenco e a 17 de setembro Al Compás. Os bilhetes custam 10 euros.

Em Portimão, música no Café Concerto do Teatro Municipal TEMPO com a acordeonista Celina da Piedade no dia 16 às 22h00. Os bilhetes custam 2 euros. Também no Teatro Municipal de Portimão mas no dia 17 às 21h30 a atriz Lídia Franco sobe ao palco com a peça Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa do ciclo A Solo.

Igualmente em Portimão, realiza-se o International GT Open de 16 a 18 setembro no Autódromo Internacional do Algarve. A prova inclui o Open Europeu de F3 e a Formula 2 juntando assim os monolugares aos GT e proporcionando corridas díspares. Bilhetes a partir dos 10 euros. 


Para Monchique está agendado o 1º convívio motard a 17 de setembro organização do Motoclube da Serra de Monchique. Animação a partir das 15h00 acampamento e gastronomia tradicional

Em Vila Real de Santo António, o Casino Monte Gordo apresenta o jantar-concerto da fadista Célia Leiria dias 15 e 16 de setembro a partir das 20h30. Jantar e música com ingressos a 30 euros, enquanto só o espetáculo custa 14 euros por pessoa com oferta de 1 bebida.

Cinema ao ar livre no Cemitério Antigo de Cacela Velha (VRSA) com o ciclo “Sob as estrelas em Cacela” a exibir a 15 de Setembro “Sinfonia Imaterial” do realizador Tiago Pereira. A sessão tem início às 22h00, a entrada custa 2 dois e é livre para residentes

Em Tavira, música erudita no 1.º Ciclo de Concertos "Intérpretes Portugueses", com o recital do Duo Musique [piano e clarinete] dia 16 na Ermida de São Sebastião pelas 21h30. No mesmo ciclo, concerto pela Banda Musical de Tavira na Praça da República (22h00) a 17 de setembro. O guitarrista Rui Mourinho fecha o ciclo a 18 de Setembro na Ermida de São Sebastião num recital às 21h30.

Cinema, igualmente em Tavira no Cine-teatro António Pinheiro com exibição às 21h30 do dia 15 de setembro do filme "Gianni e le Donne" (Gianni e as Mulheres), do realizador italiano Gianni di Gregorio. A 18 de setembro passa o filme "Carancho - Abutres", do realizador argentino Pablo Trapero.

Por fim, desporto com a IV Corrida do Regimento de Infantaria n.º 1 de Tavira (RI1) com partida da Praça da República pelas 9h30 do dia 18 num percurso de 7,5 quilómetros. No mesmo dia tem lugar o 2.º Passeio BTT Santo Estêvão com partida às 9h00 do Complexo Desportivo local e percursos de 30 e 50 km.

Desporto, no Pavilhão Municipal de Loulé, com a 6ª Edição da Competição internacional de trampolins “Loulé Cup”, a 16 e 17 de setembro ,evento com a presença de cerca de 500 ginastas de 50 delegações, representando 11 países: Reino Unido, Espanha, Irlanda, Bélgica, França, Suécia, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Qatar e Portugal.

Ainda em Loulé o Cine-teatro Louletano apresenta a peça "Casamento em Jogo" de Edward Albee, com Rogério Samora e Cucha Carvalheiro, atores do Teatro da Trindade, no dia 17 de setembro às 21h30.

No mesmo recinto, cinema no dia 18, pelas 15h00, com a comédia infantil “Nanny McPhee e o Toque de Magia”, realizada por Susanna White . Pelas 18h00, é a vez da apresentação de “Match Point”, realizado por Woody Allen. Bilhetes a 3 euros.

O Centro de Artes e Ofícios de São Brás de Alportel abre as portas a novas formas de arte, no dia 17, entre as 09h00 e as 14h00, com um Workshop de Modelagem a 3 dimensões.

A Semana da Juventude de Tavira regressa de 19 a 25 de setembro com oficinas, de “Moda e Fotografia”, “Djing”, “Técnicas e equipamentos de tratamento de som para DJ’s”, “Movimento e Dança”, “Teatro”, “Malabarismo e Andas”. Estão previstas, igualmente, aulas abertas na Academia de Música de Tavira.

Integradas na Semana estarão as iniciativas do Dia Europeu Sem Carros (22 de Setembro, Baixa da cidade), XII Festa do Desporto Tavirense (23 de Setembro, Praça da República) e a Feira da Juventude (23 a 25 de Setembro, Rua do Cais e Jardim do Coreto)." - Observatório do Algarve

Lendas Algarvias - O encantamento de Estoi

Há muitos anos atrás, vivia em S. Brás de Alportel um almocreve chamado José Coimbra. Certo dia, no desempenho da sua profissão, dirigia-se para Faro, quando no sitio de Milreu, distante de Estói uns duzentos metros, lhe apareceu subitamente uma formosa moura, vestida de azul e de cabelos soltos e macios. Também seus olhos eram azuis lindos, como o céu do Algarve em certos dias de luz.


José Coimbra ficou tão surpreendido que não conseguia articular palavra. E lá do fundo da memóriasubiu-lhe a lembrança do que seus pais contavam sobre o lugar e ele nunca quisera acreditar: que naquele ponto aparecia uma moura encantada a quem por ali passasse solitário.

A moura era tão linda e tão suave nos gestos que o almocreve nem se lembrou de ter medo, só de ficar surpreso. Por isso, quando ela o convidou a acompanhá-la, José Coimbra aceitou o convite sem se dar conta do que dizia. Caminharam em silêncio uns poucos metros, até que, a certa altura, a moura bateu com o pé no solo por três vezes, acompanhando este movimento com uma levíssima pancada sua vara mágica. Abriu-se então uma porta pela qual entraram, descendo em seguida uma escadaria de mármore que parecia não ter fim. E quando chegaram ao final da escada, José Coimbra abriu a boca de puro espanto, porque desembocara numa sala enorme, de paredes e colunas de ouro maciço.

Pasmado com aquela imensa riqueza, o almocreve retomava pouco a pouco o estado de espírito, quando de súbito, viu acorrentados um leão e uma serpente. Assustadíssimo, como não sabia o que o esperava, decidiu aguardar para ver o que se seguiria, até porque se sentia incapaz de dar um passo.

Então a moura disse-lhe:

-- Se quiseres trocar essa vida de trabalhos e miséria pela de sossego e riqueza, e possuir este palácio, em que o ouro que vês é o que menos valor tem, só de ti depende.


Os olhos brilharam-lhe de cobiça, mas, sem os desviar dos bichos, perguntou:

-- O que devo fazer?

Fingindo que não via nem ouvia o almocreve, a moura continuou como se não tivesse sido interrompida:

--Imponho-te, porém, três condições: seres três vezes engolido e três vezes vomitado pelo meu irmão; três vezes abraçado pela minha irmã, ficando o teu corpo com feridas nos sítios onde ela te tocar ; e , depois disto, consentires que eu te beije na testa tirando-te os santos óleos que recebeste no baptismo.

José Coimbra, aparentando um sossego que estava longe de sentir, perguntou apenas onde estavam os tais irmãos. E a moura, voltando-se para o canto da sala onde estavam os animais acorrentados, respondeu-lhe que o irmão era o leão e a irmã a serpente.

Interiormente o almocreve estava em pânico, mas, desejando não mostrar o pavor que o tomava, pretextou ir pensar maduramente no assunto, pelo que, em breve, ali voltaria com a resposta. A moura dos olhos azuis não mostrou qualquer contrariedade com a evasiva do homem e disse-lhe até que levasse já consigo duas barras de ouro.

O almocreve aceitou a oferta, despediu-se da moura, que o acompanhou até á porta, e partiu para casa, disposto a não contar nada a ninguém, nem mesmo á mulher.

Ao chegar a casa, escondeu as barras de ouro num local onde a mulher nunca as achasse e calou-se muito bem calado sobre o estranho sucesso, convencendo-se intimamente a nunca mais tornar ao palácio subterrâneo e encantado moura de Estói. Mas passado tempo, começou a ter um pesadelo que todas as noites o visitava e do qual era acordado pela mulher, tais os gritos aflitivos que dava. Sonhava que era engolido e vomitado pelo leão, abraçado pela serpente e beijado pela moura. A frequência deste sonho era tal que se habituaram ambos ao ritual nocturno, e meses depois já nem a mulher se aborrecia de acordar com gritos, nem José Coimbra tinha tanto pavor como antes.

Passaram anos e José Coimbra começou a ressentir-se, como toda a população algarvia, das longas estiagens que estavam arruinando os campos e empobrecendo as gentes. O seu negócio foi decaindo e a fome começou a bater-lhe fortemente á porta do estômago.

Foi então que se lembrou das barras de ouro que escondera quando voltara da sua aventura.

Pensou ir à feira de Vila Viçosa vende-las, esperando que aí lhe dessem por elas um mais justo valor. Mas -- coisa estranha! -- à medida que ia acalentando esta ideia, ia deixando de ver, até que ficou completamente cego. Com isto, piorou muito a situação económica do pobre do almocreve, que não teve mais remédio senão começar uma longa romaria de medico em medico, em busca de cura para o seu mal.

Os médicos não o curaram e decidiu então ir ao barbeiro, que completou a desgraça, agravando o mal. Por essa altura, soube que haviam chegado a Faro dois novos médicos que tinham estado no estrangeiro. Como os homens trouxessem atrás deles um rasto de fama, pensou que valia a pena tentar saber se o seu mal era incurável como parecia, ou se ainda havia alguma hipótese de cura.

A mulher montou-o numa burrica, e com ela á frente, puxando pela arreata da jumenta, lá partiram a caminho de Faro.

Passando pelo sitio de Milreu, param para descansar. A mulher pediu-lhe que aguardasse um momento e foi até uma casa próxima pedir um pouco de agua fresca. Entretanto, José Coimbra desmontou e saiu da estrada, tacteando á procura de uma sombra. De repente, ouviu uma voz que imediatamente reconheceu ser a da moura perguntando-lhe, zangada, porque faltara á palavra dada.

-- Por isso -- dizia ela -- estás cego! E se te poupei a vida foi porque não divulgaste o segredo e o dos meus irmãos!

Mal ouviu falar naqueles irmãos, o pobre do almocreve, sem forças para falar, começou a tremer convulsivamente. A moura apiedou-se então do homem e, abrandando o tom, disse-lhe quase carinhosa:

-- Não vás a Faro, volta para casa! Amanhã, antes de o sol nascer, senta-te á soleira da tua porta, porque no momento do nascer do sol os teus olhos darão dois estalos como amêndoas duras e então começaras a ver. Primeiro avistarás a casa do padre José Dias, depois os canários que ele tem na gaiola e por fim, verás as casas da povoação e os campos em volta.

O almocreve sentiu um alivio inesperado, era com se tivesse rejuvenescido. Chamou a mulher e disse-lhe que já não queria ir a Faro. Ela admirada com aquela súbita mudança de ideias, acabou por aceder quando José Coimbra lhe atirou com o supremo argumento: para quê gastar as ultimas moedas que tinham numa cura mais do que improvável! E voltaram para casa.

No dia seguinte, ainda era escuro na rua, o José Coimbra pediu á mulher que o pusesse á porta de casa. Esta, muito estranhada com tanta atitude inesperada por parte do marido, ia ia para discutir o pedido quando ele lhe deu as suas razões:

-- Ó mulher, pois então não posso ouvir os canários do padre, cumprimentarem a manhã?! Nem sentir o cheiro bom da terra orvalhada?!

Sem mais réplica, a mulher sentou-o no poial e foi varrer para dentro.

Mal o sol nasceu e deu nos olhos do cego, ouviram-se dois estalos tão fortes que a mulher, pensando que o almocreve andava á cacetada com a bengala nos degraus ia a dizer-lhe, lá de dentro, que tivesse cuidado com o que fazia, quando ouviu um grito de alegria:

-- Vem cá depressa, mulher, vem que eu já vejo! Vejo o sol, a casa do padre José e a gaiola dos canários!...

Abraçaram-se cheios de alegria e penso que devem ter terminado em paz as suas vidas, porque a lenda não diz se o almocreve tornou alguma outra vez ás ruínas de Milreu.

Corre contudo na região, que em Milreu ainda hoje aparece a mourinha infeliz, tentando sempre, junto dos viajantes solitários, o seu desencantamento e dos seus irmãos.