terça-feira, 2 de agosto de 2011

Algarvios ilustres - Tomaz Cabreira

Tomaz António da Guarda Cabreira nasceu às duas horas do dia 23 de Janeiro de 1865, na casa da antiga Rua da Misericórdia, actualmente denominada Rua da Galeria, na freguesia de Santa Maria, em Tavira.

Casou, a 6 de Janeiro de 1864 com D. Francisca Emília Pereira da Silva, natural de Ponta Delgada. Veio a falecer em Tavira a 10 de Novembro de 1886, onde gozava de grande prestígio e profunda estima entre todas as classes sociais desta cidade. Desta união nasceram dois filhos, António Tomaz da Guarda Cabreira de Faria e Alvelos Drago da Ponte e Tomaz António da Guarda Cabreira.


Algarvio apaixonado, veio a morrer na sua terra, Tavira, a 4 de Dezembro de 1918, vítima de doença e apenas com 53 anos de idade. Após a morte, foram-lhe reconhecidos valor e mérito, sendo então homenageado, não só pelo seu carácter e inteligência, mas também pelos serviços prestados ao seu país.


Carreira Académica 
A sua personalidade multifacetada revela-se sobretudo nas diversas actividades e cargos que desempenhou ao longo da sua vida. Extensa é a lista dos atributos que referenciam os aspectos mais marcantes da sua vida e melhor o definem como eminente homem da ciência, parlamentar e notável professor catedrático, além de autor de importante obra publicada e distinto oficial do exército.

Já feito o exame de instrução primária, em 1877, entrou para a Escola Nacional, então instalada no antigo Palácio de Pombal, à Rua Formosa, transitando a seguir para o Liceu, onde conclui os preparatórios em quatro anos.

Assentou praça no Regimento de Infantaria a 14 de Setembro de 1881, matriculando-se em 25 de Outubro na Escola do Exército.

Foi promovido a Alferes graduado, em 22 de Julho de 1885; a Alferes, em 15 de Julho de 1887; a Tenente, em 30 de Dezembro de 1893; a Capitão, em 1 de Agosto de 1903; a Major, em 24 de Agosto de 1912; a Tenente Coronel, em 12 de Fevereiro de 1916 e a Coronel, em 27 de Abril de 1918.

Quando faleceu, estava, aproximadamente, a um quinto da escala para General, posto que atingiria provavelmente em 1921.

Em 1883, matriculou-se no 1º Ano da Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra, não podendo prosseguir devido a ter optado por dar continuidade à sua Carreira Militar.

No entanto, em 26 de Outubro de 1886, entrou para a Escola Politécnica e fez o respectivo Curso Geral, com excepção da disciplina de Geometria Descritiva, datando de 9 de Outubro de 1891 o seu último exame.

Alcançou o 1º prémio pecuniário e louvor, respectivamente, nas cadeiras de Química Mineral e de Economia Política.

Em 2 de Novembro de 1891, voltou à Escola do Exército, onde, em 28 de Outubro de 1893 se habilitou com a carta de Engenheiro Civil. Depois de ter prestado brilhantes provas públicas, foi nomeado lente substituto provisório das cadeiras de Química Mineral e de Química Orgânica, na Escola Politécnica, actual faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Em Julho de 1896, o Instituto de Coimbra concedeu-lhe o título de Sócio correspondente.

Em 26 de Maio de 1898, é nomeado, definitivamente, lente da Escola Politécnica. Em 26 de Junho de 1903, recebe a nomeação de Vogal da Comissão de Explosivos. Em 11 de Abril de 1907, é declarado Vogal fundador da Academia de Ciências de Portugal, na qual desempenhou o cargo de Segundo Secretário, desde 1907 até à data do seu falecimento.

Em 1 de Agosto de 1916, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa conferiu-lhe o grau de Doutor, nos termos da lei de 19 de Junho do mesmo ano.

De acordo com o novo estatuto Universitário, de 9 de Julho de 1918, foi promovido a professor ordinário na mesma faculdade.

Em 1907 fundou a Universidade Popular de Lisboa, destinada a ministrar, por via de prelecções ilustradas com projecções luminosas, diversos assuntos de manifesta utilidade pública.

Todo este saber foi, sem dúvida, enriquecido pelas muitas viagens que fez a Espanha, França, Itália, Suíça, Bélgica, Holanda, Áustria e Hungria, o que comprova o facto de dominar perfeitamente as línguas espanhola, francesa, italiana, inglesa e alemã.

As suas aptidões revelam-se também nos estudos que fez, quer no campo da Química quer no domínio da Economia Política.

É, no entanto, por vocação e especialmente por uma imensa dedicação, que segue o magistério.

Talvez por isso seja considerado, no seu tempo, como professor exemplar, pelas 18 gerações de alunos que leccionou.


Pensamento e Carreira Política
Tomaz Cabreira foi, sem dúvida alguma, um dos maiores estadistas que até hoje apareceu dentro da República; prova-o o conjunto de aptidões que nenhum outro reuniu ainda e prova-o documentalmente, a sua obra, absolutamente sã e isenta de mistificação e artifícios, sendo um verdadeiro padrão de patriotismo, de talento e de saber.

Muito cedo se afirma como um convicto republicano de ideias avançadas, que discursava em comícios e realizava conferências e as convicções políticas levaram-no muito cedo à condenação dos erros da monarquia.

Em 1887 é tido por republicano da extrema esquerda. Acredita que uma república bem avançada, roçando o socialismo, com todos os poderes no Parlamento e em que a liberdade quase absorvesse a autoridade, transformaria Portugal num país eleito.

Em 1894 foi proposto para Deputado Republicano ao parlamento pelo Círculo de Faro, tendo obtido uma votação relativamente importante, dada a má vontade que havia contra a apregoada Causa Republicana. A sua eleição é, sem dúvida, consequência da sua intervenção nas comissões políticas no Algarve. No entanto, a sua entrada no Parlamento valeu-lhe um destacamento para Trás-os-Montes por parte da hierarquia militar.

Como deputado, estudou e produziu uma extensa e profunda obra que apresentou às Câmaras Legislativas e participou activamente nos projectos e proposta de lei que, a seu ver, interessavam à vida económica e financeira do país. O facto de entender que o advento da República devia ser precedido de uma atmosfera de ideias construtivas, leva-o a fundar o Grupo Republicano de Estudos Sociais.

Em 1 de Novembro de 1908, foi eleito Vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Por ter exercido esse simples direito cívico, foi perseguido em termos militares, mas sentiu uma calorosa simpatia e solidariedade do povo republicano.

Em 17 de Julho de 1911, recebeu o diploma de Deputado à Assembleia Nacional Constituinte.

Em 23 de Agosto de 1912, é eleito Senador da República.

Em 8 de Setembro de 1913, é nomeado vogal da comissão incumbida de proceder ao estudo do local apropriado para o porto franco de Lisboa e, nos termos da lei respectiva, elaborar os projectos de obras necessárias.

Em 9 de Fevereiro de 1914, é nomeado Ministro das Finanças, cargo que exerceu até 22 de Junho e donde foi afastado, a seu ver, por ser incómodo a alguns correligionários seus. Isto leva-o a demitir-se do Partido Democrático.

Quando da Revolução de 14 de Maio, Tomaz Cabreira foi chamado para Ministro do Governo de José de Castro, tarefa que não chegou a exercer.

Embora filiado no partido democrático desde a sua adolescência, fazia questão de afirmar que, enquanto Ministro, não o era de qualquer partido mas da República.

Sendo um homem independente, justo e modesto, não se aproveitou da política nem lhe solicitou favores e o facto de conviver com príncipes, aristocratas, banqueiros e militares nunca o impediu de formar as suas ideias republicanas e de defender os mais desprotegidos.

Se a sua actividade como político lhe granjeou algumas inimizades, também lhe gerou calorosas e inegáveis demonstrações públicas de afecto, reconhecimento e admiração.

Depois de abandonar o partido e a política em 1914, continuou a lutar contra a inércia, a ignorância e a estupidez, criando a União da Agricultura, Comércio e Indústria, da qual foi eleito Vice-Presidente, assumindo a Presidência nos últimos anos.

A partir deste período da sua vida, desencantado e desiludido, o seu pensamento político vai evoluir no sentido conservador e atingir a extrema direita da Democracia.

Tomaz Cabreira iniciou-se na Maçonaria muito novo, não por espírito sectário ou anti-religioso, mas por preocupações políticas, pois o carácter secreto das "lojas" prestava-se à discussão das ideias republicanas e à execução de trabalhos de maior responsabilidade.

Acreditava profundamente em Deus e considerava como dever supremo servir a Pátria e a isso dedicou a sua vida com correcção, coerência e equilíbrio e, segundo ele, sob a égide de Deus.

Espírito cristão, o seu culto pela Justiça e pelo sentido de Honra levam-no a defender algumas das regalias da Igreja assim como algumas Ordens Nobiliárquicas.


Obra Publicada 
Tomaz Cabreira iniciou-se como jornalista, escrevendo crónicas políticas que, mais tarde, dão lugar a artigos literários e científicos, tendo ocupado lugar de destaque na Associação dos Jornalistas de Lisboa e na Associação da Imprensa Portuguesa. Defensor acérrimo das garantias conquistadas pelo esforço progressivo dos povos, destaca entre elas a liberdade de Imprensa, sendo sua convicção que os eventuais abusos serão sempre denunciados pela opinião pública como uma ofensa à verdade e à justiça.

Da análise das obras que Tomaz Cabreira nos legou, há que realçar a extensa variedade de temas que abordou, embora os de caracter económico e financeiro sejam sem dúvida os principais. Assim, escreveu sobre o ensino, comércio, problemas tributários, história, química e, curiosamente, dedicou também uma parte da sua obra à pintura.

O primeiro livro publicado data de 1896 "Princípios de Estereoquímica" e o último, com publicação póstuma, "A Composição da Linguagem de alguns Povos Pré- Históricos".

Pela sua importância, iremos abordar, noutro capítulo deste trabalho e com mais pormenor, "O Algarve Económico", onde Cabreira mostra a sua faceta de algarvio convicto, defensor intransigente da regionalização, provando nessa obra, que o Algarve tinha todas as potencialidades para ser a província mais rica de Portugal. Por este motivo, chegou ao ponto de defender uma completa autonomia administrativa.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Terras do nosso Algarve - Silves

A história de Silves remonta ao período pré-histórico conforme testemunham os achados de menires, sepulturas e instrumentos de pedra polida. Na Idade dos Metais, a importância do concelho aumentou devido à sua riqueza em cobre. Por aqui passaram também Fenícios, Gregos, Cartagineses, Romanos (vestígios de estátuas, pedras com inscrições e moedas) e Muçulmanos.

Ficheiro:SLV.png

A conquista de Silves aos mouros, por D. Afonso III, ocorreu em meados do século XIII. Este rei concedeu-lhe foral em 1266 e elevou-a a concelho. Em 1504 foi-lhe dado novo foral por D. Manuel.

Do património arquitetónico e monumental do concelho, são de salientar:

- o Castelo de Silves, originalmente de construção árabe, que remonta ao século VIII. Constituído por muralhas de taipa e espessas torres, ergue-se, no centro, uma enorme cisterna com a abóbada abaulada e cinco arcos de volta inteira. 


- a Igreja da Misericórdia de Silves, edifício do século XVI, que revela a sua origem manuelina num pórtico lateral muito lavrado, colocado acima do solo, possivelmente a primitiva entrada; 

- o torreão das portas da cidade de Silves, antiga torre albarrã, de importante dimensão, que fazia parte das muralhas da cidade;

- o Museu Arqueológico de Silves, que está construído em volta de uma cisterna muçulmana. Alberga uma valiosa coleção arqueológica desde o período paleolítico até ao século XVII.



As atividades ligadas ao setor secundário têm um papel bastante importante na economia concelhia. As indústrias corticeira e extrativa constituem as principais atividades. A indústria extrativa surgiu na Idade dos Metais e a corticeira, implementada na segunda metade do século XIX, despoletou o incremento económico e urbanístico de Silves.A área agrícola ocupa cerca de 10,3% da área do concelho, sendo típicos os cultivos de cereais para grão, de frutos secos, de citrinos, os prados, as pastagens permanentes, o pousio e o olival. No que diz respeito à pecuária, aves, ovinos e suínos destacam-se como as principais espécies criadas. Silves tem uma baixa densidade florestal, pouco ultrapassando os 15% (15,1%) da superfície agrícola útil, correspondendo a 11 187 hectares.

domingo, 31 de julho de 2011

Galas de Verão com Ana Moura e Joe Cocker

"As galas de verão organizadas pelas unidades hoteleiras do concelho de Albufeira apresentam a fadista Ana Moura, que irá atuar na Herdade dos Salgados a 5 de agosto 2011. Dois dias depois, o Sheraton Algarve recebe Joe Cocker.


Depois de três álbuns fortemente aclamados pela crítica nacional e internacional, Ana Moura sobe a fasquia e lança o seu quarto disco “Leva-me aos Fados”, que apresenta ao vivo na Herdade dos Salgados. 
Pelas 21h45 do dia 5 de agosto, a artista apresenta em Albufeira um repertório de fados tradicionais que se mesclam com interpretações originais de criações de conceituados autores contemporâneos.


Já a 15ª Gala de verão do Sheraton Algarve, traz ao concelho uma das vozes mais emblemáticas dos anos 60, Joe Cocker prepara-se para atuar nos jardins da Casa Pine Cliffs, junto à piscina do Pine Cliffs Residence, no dia 7 de agosto, pelas 22h30. 
Esta é uma oportunidade única para ver e ouvir de perto este conceituado artista e recordar grandes sucessos como “With a little help from my friends”, “You can leave your hat on” e “Unchain my heart”.


Os bilhetes para o espetáculo de Ana Moura podem ser adquiridos num dos seguintes locais da região: Worten- Albufeira, Faro, Guia, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão RP, Portimão e Tavira; Fnac- Algarve Shopping; Abreu – Lojas Off line em Albufeira, Faro e Portimão.
Para participar na Gala do Sheraton Hotel, que inclui cocktail de boas vindas, jantar, concerto com Joe Cocker e fogo de artifício, deve contatar o número 289 500 360 ou e-mail: info@pinecliffs.com" - Algarve Central

    Viagem pelas cataplanas do Algarve

    "As receitas do “Cataplana Experience” já estão nas ementas dos 40 restaurantes concorrentes, prontas a serem degustadas. Obrigatórios só os produtos regionais e a cataplana. O resto é imaginação, que contagiou até cozinheiros asiáticos. Veja os sabores.

    “Tamboril em molho de carabineiro suado na cataplana” é a proposta do Chefe Jorge Rodrigues  do Restaurante Restaurante Atlântico (Altura - Castro Marim)
     




     
    O júri já realizou a sessão de prova das 40 receitas propostas este ano pelos chefes dos restaurantes concorrentes, que deve constar nas ementas até 31 de agosto, em que serão conhecidos os vencedores.

    Os restaurantes são classificados em três categorias, desde o gastronómico/fine dining, passando pelo informal/ casual até ao tradicional/típico e, além da diversidade de estilo das cozinhas e dos espaços, concorreram salas do Algarve de ponta a ponta.

    Uma viagem gastronómica, a proporcionar passeios e descobertas de lugares por vezes menos conhecidos e espaços de degustação diferentes.

    Um dos concorrentes, aliás repetente na “Cataplana Experience” é o chefe Jorge Rodrigues que este ano apresenta uma receita inovadora de “Tamboril em molho de carabineiro suado na cataplana” (na foto).

    Desde 15 de julho que o prato consta da ementa do Restaurante Atlântico do Eurotel Altura, em Castro Marim, do qual é Chefe executivo e pode assim ser apreciado como prato principal, pelos gourmets.

    Jorge Rodrigues é natural do Algarve, tem 27 anos e venceu a Etapa Regional Sul/Ilhas do Concurso Chefe Cozinheiro do Ano 2010. No seu percurso profissional, constam as cozinhas do Aymerich Golf Costa Esuri (Espanha), entre outros.

    O Chefe concorre na categoria de restaurante informal (restauração moderna e serviço contemporâneo) e a sua receita, assim como a dos restantes concorrentes, teve como critérios de avaliação a seleção de produtos e ficha técnica, apresentação, sabor e criatividade e inovação.

    Tudo isto no interior da cataplana, um objeto culinário único, semelhante a uma concha com duas metades que se fecham hermeticamente, deixando no seu interior os sabores e a textura dos alimentos.

    Das entradas às sobremesas
    Na edição de 2011, as receitas contemplam entradas, pratos principais e sobremesas, numa lista de tentações apetecíveis.

    Entre as propostas exóticas está a entrada Cataplana de ovas de peixe, do Restaurante “Viagem aos Sabores” da Pousada do Infante de Sagres.

    A “Cataplana do Oriente” do Restaurante Takô Sushi ou, no Restaurante Thai a Cataplana de Caril vermelho de camarão e ananás como prato principal, ambos na Marina de Vilamoura, desafiam a provas de novos sabores.

    Já o Restaurante Visconde, da Pousada de Estoi, apostou numa sobremesa: Peras bêbedas, escalfadas na cataplana com bolo húmido de gila e molho inglês.

    A lista completa dos restaurantes, que se estende de Sagres ao Guadiana, passa pela maioria das cidades algarvias, por sabores marinheiros e campestres, nos hotéis de cinco estrelas, mas também em quintas românticas, ou em aprazíveis esplanadas nas praias, pode ser consultada aqui.

    E para aguçar o apetite, estão disponíveis as fotografias das sessões de prova do júri que se podem ver aqui.

    O Cataplana Experience - Concurso de Restaurantes tem o objetivo de abordar as potencialidades da cataplana, desde as receitas mais tradicionais às propostas mais arrojadas. A cerimónia de entrega da Cataplana de Ouro será a 31 de agosto no espaço Cataplana Experience, na Marina de Vilamoura.

    A iniciativa é do programa de animação ALLGARVE'11 e do Turismo do Algarve, com produção das Edições do Gosto." - Observatorio do Algarve

    sábado, 16 de julho de 2011

    Praias do nosso Algarve - Porto de Mós

    A praia nasce num vale amplo e aberto, formando um extenso areal enquadrado nas extremas por arribas altas. Do Miradouro da Atalaia, situado no topo da arriba, a paisagem é soberba, avistando-se a linha de costa até Sagres. 
    Para poente dominam os tons cinzentos-claros, as arribas são talhadas em margas (calcários com elevado teor de argila) fortemente laminadas e sustidas em equilíbrios muito precários. Na época húmida acumula-se na base da arriba uma espessa camada de argila, que os locais dizem possuir propriedades medicinais. 
    Na face da arriba crescem plantas bem adaptadas à salsugem como a salgadeira, a barrilha e a valverde-dos-sapais, ou caniços nos locais que evidenciam escorrências de água. Para poente as arribas exibem tons ocres, muito quentes, e avistam-se já as formações rochosas que configuram a Ponta da Piedade. Apesar da proximidade com a cidade de Lagos, a envolvente da praia ainda mantém características naturais e o areal possui troços muito tranquilos.
    praia de porto de mós, praia de porto de mós lagos
    Nota: Uma vez que existe a possibilidade de ocorrer desprendimento de pedras, recomenda-se atenção à faixa junto das arribas.
    Acesso: Viário alcatroado a partir de Lagos, subindo a Av. dos Descobrimento e virando à esquerda na rotunda junto ao Quartel dos Bombeiros, seguindo na direcção de Porto de Mós. Estacionamento amplo. Diversos equipamentos de apoio (restaurantes e WC) e vigilância na época balnear. Praia Acessível. Orientação: sul.

    quarta-feira, 13 de julho de 2011

    Algarve: Locais a visitar - Parque Natural da Ria Formosa


    Parque Natural da Ria Formosa foi criado a 2 de maio de 1978, segundo o Decreto-Lei n.º 45/78, ocupando uma área de 18 776 hectares.


    Zona húmida constituída por uma formação lagunar característica, pelos seus sapais e cordões arenosos. Suporta numerosas espécies animais.

    De Faro, Olhão ou Tavira vai-se até ao mar de barco, atendendo a que apenas a ilha de Faro dispõe de um acesso artificial. Atravessada a ria, encontra-se uma barreira de ilhas estreitas e arenosas.


    Ao longo de 60 km de costa baixa que unem o Ancão à Manta Rota, o Parque Natural coincide com um sistema lagunar em permanente mudança, formado a partir de depósitos trazidos em suspensão pelo mar e pelas linhas de água da bacia hidrográfica do Sotavento Algarvio. O cordão dunar que o limita a sul dispõe-se em alongadas penínsulas - Ancão e Cacela - e em ilhas-barreira estreitas e arenosas - Barreta, Culatra, Armona e Tavira - separadas por barras que abrem caminho ao mar, sujeitas a contínua e lenta migração. A ilha da Culatra, por exemplo, tem aumentado para oeste, parte da ilha de Tavira recuou, as barras da Fuzeta e de Cabanas deslocam-se lentamente e, um pouco por toda a parte, nota-se uma tendência geral para a colmatagem. A ria Formosa está em permanente transformação, o que leva a dizer que se vai formando em permanência. Esta transformação é evidente em toda a planície costeira que bordeja a ria, área densamente povoada, lugar dos mais importantes centros populacionais - Faro, Olhão, Tavira e Fuzeta - e do essencial do turismo no que ele comporta, quer como pontos de atração, quer como área construída.

    No Parque Natural da Ria Formosa distinguem-se três zonas: a zona marítima (mar), a zona do cordão dunar e a zona de sapal (rio).



    Quanto à fauna do parque, a aparente pobreza da vegetação contrasta com a riqueza de que se reveste a sua vida animal. A composição e abundância do zooplâncton - conjunto de organismos animais que vivem de forma mais ou menos passiva por não possuírem capacidade de deslocação - é de importância fundamental, sobretudo na cadeia alimentar dos peixes que aí habitam.

    A ria Formosa torna-se assim, para além de local de abrigo, zona privilegiada para a alimentação, reprodução e permanência de numerosas espécies animais, desde os peixes aos invertebrados, incluindo moluscos e crustáceos, servindo simultaneamente de suporte a uma avifauna diversificada.

    No que diz respeito à flora, são dois os principais interesses do Parque Natural: por um lado, os sapais - áreas submersas pela maré alta e a descoberto na maré baixa - com a sua vegetação halófita (vegetação que tolera elevados teores salinos, escassez de oxigénio dos solos e longos períodos de emersão). Por outro lado, a flora dunar - espécies adaptadas aos ventos fortes, salinidade excessiva e grande permeabilidade dos solos - que apresenta como espécies o estorno, a arméria, o malmequer-das-praias, o narciso-das-areias e os cordeirinhos-da-praia.



    A importante variedade de habitats existentes alberga mais de 50 espécies de peixes, desde os sedentários aos de origem marinha, parte deles migradores, e de que se podem citar a dourada, o robalo, o sargo, a tainha, a enguia, entre outros. Para além dos peixes, devem referir-se os crustáceos - o camarão-de-monte-gordo e o camarão-da-ria, o caranguejo-morraceiro e a boca - e cefalópodes, como o polvo, o choco e o búzio. Fundos baixos, temperaturas adequadas, uma salinidade elevada, águas renovadas e um substrato de fundos arenosos e argilosos são outros tantos fatores propícios à fixação e desenvolvimento das mais variadas espécies marinhas, sobretudo daquelas que necessitam de águas protegidas para efetuarem o seu ciclo normal de vida. Devido ao facto de possuir todas estas condições a ria tornou-se local de criação no respeitante aos moluscos bivalves. Os anfíbios, grandes consumidores de insetos e, salvo raras exceções, quase sempre associados a massas de água doce, estão bem representados na planície costeira que bordeja a ria - rã-comum, rela e sapo -, enquanto o cágado-vulgar e o cágado-de carapaça-estriada estão presentes na Quinta do Ludo.

    A ria é uma importante zona de invernada de aves aquáticas e limícolas oriundas do Centro e Norte da Europa, dando guarida a efetivos importantes de borrelho-grande-de-coleira, tarambola-cinzenta, maçarico-de-bico-direito, pilrito e alfaiate. A zona de água doce, por sua vez, é local de nidificação para a galinha-sultana, cada vez mais rara, galinha-de-água, galeirão-comum, mergulhão-pequeno, garça-pequena e pato-real, enquanto o caniçal constitui refúgio para uma importante população de garça-boieira. Finalmente as salinas, sobretudo o salgado da Terra Estreita, próximo de Tavira, são locais onde se podem encontrar grandes concentrações de gaivinas e de limícolas e um dos raros locais onde se pode observar o flamingo.

    Diretamente dependente da ria está a extração de inertes, sobretudo areias que, se por um lado é resultante das drenagens necessárias à manutenção das barras e canais, por outro é uma exigência motivada pelo enorme surto de construção civil existente em toda a área.

    terça-feira, 5 de julho de 2011

    Algarvios ilustres - O Remexido

    Remexido ou Remechido (como se escrevia no século XIX), nome por que ficou conhecido José Joaquim de Sousa Reis (Estômbar, 19 de Outubro de 1797 - Faro, 2 de Agosto de 1838) foi um célebre guerrilheiro algarvio, que nasceu no Algarve em 1797, em Estombar.


    O fenómeno histórico-lendário do Remechido: um homem do povo que sustenta uma causa, empunha uma bandeira e morre de pé, fiel às suas convicções e ao seu idealismo político.

    Para os vencedores não passou de um rebelde miguelista que não aceitando a amnistia política publicada após a Convenção de Évora-Monte, se havia transformado por sua livre vontade num bandoleiro, num assaltante de estradas, sanguinário e facínora, um perigoso guerrilheiro, sustentáculo de uma causa que punha em perigo a segurança dos habitantes do Algarve e a própria integridade nacional, já que o seu exemplo servia os interesses das guerrilhas carlistas espanholas, desejosas de concentrarem poderosas forças militares no Algarve e Andaluzia, para investirem contra o ateísmo liberal que se havia apoderado da Península Ibérica.

    Foi contra a perversidade dos interesses políticos e das provocações perpetradas pelo governo, preferencialmente infligidas sobre a Igreja - de que resultou o pauperismo das massas camponesas - que se reanimaram as guerrilhas e se reacendeu a contra-revolução miguelista. Não podendo contar com as chefias militares que no tempo da guerra-civil conferiram ao exército miguelista a necessária organização e disciplina, estas limitaram-se a levantar um grito de revolta contra a rapacidade dos novos senhores da terra, clamando por melhor justiça e maior protecção às classes desprotegidas.

    Etiquetar alguém de miguelista era uma condenação que fazia dele inimigo público, destituído dos mais elementares direitos cívicos. Era a causa e a consequência de todas as desgraças.

    Apesar da amnistia e dos esforços do governo para pacificar o país, o certo é que os sicários do novo regime instigavam a plebe contra os antigos soldados de D. Miguel e seus adeptos políticos. Entre os homens a abater figuravam os nomes do Remechido, no Algarve, e do Padre Marçal José Espada, no Alentejo. Se antes eram adversários políticos, passaram, agora, a foras-da-lei, salteadores, bandoleiros, bandidos armados, etc. Porém, houve um momento em que José Joaquim de Sousa Reis, vulgo Remechido, pensou apresentar-se às autoridades ao abrigo da amnistia. Para isso mandou o seu filho, Manuel da Graça Reis, a S.Bartolomeu de Messines averiguar se podia regressar sem receio nem ofensa dos seus antigos inimigos. Contrariamente ao exarado na competente lei, foi detido e enviado ao presídio de Silves, de onde, aliás, viria a evadir-se pouco depois. 

    O Remechido, que se encontrava escondido nas imediações da aldeia, perdeu todas as ilusões e assim como ele todos os que o acompanhavam. E a sua desilusão agravou-se ainda mais quando, numa altura em que o filho gemia a ferros, lhe aprisionaram também a esposa, Maria Clara, acusando-a de à semelhança do marido ter cometido certas atrocidades contra os cidadãos liberais e de ter divulgado «noticias altamente subversivas contra o Governo Legitimo de S.M. a Rainha». Parece que a mulher do Remechido propalara o boato de estar prestes a chegar uma esquadra da Rússia para auxiliar a causa absolutista a recuperar o trono, animando com isso os serrenhos a reunirem-se ao marido.

    A ofensa foi inaudita, pois sujeitaram a esposa do rebelde ao aviltante espectáculo público da rapagem do cabelo e do suplício das palmatoadas em pleno adro da igreja de Messines. Diz-se que o povo, ainda não satisfeito com o bárbaro castigo, pilhou e incendiou a casa do célebre guerrilheiro. A afronta excedeu todos os limites. Contudo, o Remechido não reagiu de pronto, receando o poder de fogo da Guarda Nacional ali estacionada. Esperou melhor justificação para chamar a si os homens que andavam pela serra em pequenas pilhagens sem qualquer significado político que não fosse o de, simplesmente, matarem a fome. E o momento chegou quando D. Miguel publicou a 21-3-1836 uma «Proclamação aos Portugueses» chamando-os a retornar à causa da Pátria e da Santa Religião.

    Receando o confronto aberto com as experimentadas tropas do governo, mais numerosas e melhor armadas, o Remechido optou pela estratégia da camuflagem, mandando dispersar os seus homens pelas terras e lugarejos de onde provinham, vestindo a pele de camponeses, trabalhadores rurais ou de pobres agricultores. Enquanto não recebessem ordens do seu chefe deveriam manter-se ordeiramente nos seus casais da serra, substituindo as armas pelas alfaias agrícolas. 

    As guerrilhas poderiam ter suspirado de alívio se as contingências do destino, desta vez, não se tivessem virado para o lado do mais forte. Com efeito, no dia 28 de Julho, delataram a presença do Remechido à frente de uma força de 248 homens no sítio da Portela da Corte das Velhas. Face ao desequilibrado poder de fogo e às dificuldades de furar o cerco, os rebeldes viram cair 56 dos seus homens, após o que iniciaram uma desordenada retirada. Para trás ficou o Remechido a descoberto e à vista da tropa que logo o identificou. Levaram-no para Faro, onde foi julgado em Conselho de Guerra, no dia 1 de Agosto, no salão nobre da Misericórdia, que o condenou à pena capital.


    No dia seguinte, pelas dezoito horas no Campo da Trindade (actual Jardim João de Deus, vulgo Jardim da Alameda) foi fuzilado, e de imediato sepultado no cemitério da Misericórdia.

    A sua presença de espírito perante o tribunal que o condenou; a forma serena, íntegra e respeitosa como recebeu os últimos sacramentos; as últimas palavras que por escrito dirigiu ao filho no sentido de procurar, no indulto que a lei lhe oferecia, a paz que ele próprio nunca desfrutara, são pormenores que revelam a superior personalidade de um homem honrado, fiel às suas convicções e juramentos. Uma análise minuciosa das declarações proferidas durante o julgamento permitem perceber que o Remechido não era o ferino bandoleiro que o governo propagandeava aos quatro ventos. Bem pelo contrário, era um chefe militar de arreigados princípios políticos e razoável instrução, profundamente crente na superioridade da fé católica, pela qual também se bateu de armas na mão.