quinta-feira, 23 de junho de 2011

Portimão: Corte em festas e no autódromo

"O presidente da Câmara de Portimão prevê eliminar 50 postos de trabalho na autarquia em dois anos. Esta medida e os cortes substanciais revelados por Manuel da Luz nos apoios concedidos a eventos e ao Autódromo Internacional do Algarve (AIA) inserem-se no plano de saneamento financeiro, que será em breve entregue ao Tribunal de Contas (TC).
O presidente da Câmara de Portimão,
Manuel da Luz, reduziu investimento em eventos.
A Media Capital arranca com o Sasha a 22 de Julho
O plano já deveria ter sido entregue ao TC, para análise, em final de Maio. Mas a negociação e revisão dos contratos por alguns bancos que vão conceder crédito demorou mais que o esperado. O plano prevê empréstimos de mais de 90 milhões de euros, para que a autarquia renegoceie a dívida de curto prazo, na ordem dos 104 milhões de euros, para prazos alargados até 12 anos. Manuel da Luz prevê que o TC aprove o plano até ao final do corrente ano.

No âmbito do plano, a autarquia previa que só poderia contratar um funcionário quando saíssem dois. A troika impôs a obrigatoriedade de saírem cinco. Manuel da Luz prevê reduzir o número de funcionários autárquicos em cinco por cento (50 postos) em dois anos.
O saneamento vai obrigar também a autarquia a cortar o apoio a eventos em 40 por cento, para um milhão de euros. Já no ano passado tinha reduzido 25%. O mesmo corte de 40 por cento vai ser aplicado no apoio anual de meio milhão de euros ao AIA." - Correio da Manhã

Ria de Alvor - Ostras a três euros o kg


"As ostras já foram abundantes em vários estuários do País, mas doenças sucessivas ditaram a sua quase extinção. Nos últimos anos, através da aquacultura, houve o ressurgimento deste molusco. Os últimos dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística, respeitantes a 2009, indicam uma produção de quase mil toneladas no País e uma facturação de quase 1,2 milhões de euros, valores que, segundo apurámos junto de aquacultores, deverão ter aumentado no ano passado.

A ria de Alvor, no Algarve, é uma das zonas que oferecem melhores condições para o crescimento de ostras, registando uma produção estimada em cerca de 250 toneladas por ano. Praticamente toda a produção se destina a França.
Octávio Parreira começou há cerca de uma década a cultivar ostras. "O processo é todo natural. A ria tem águas limpas e muito alimento, o que permite um rápido desenvolvimento das ostras", diz o aquacultor. Este compra os juvenis, da espécie giga e com 18 meses de idade, em França, mantendo-os em crescimento, durante um ano, na ria de Alvor. Durante esse período, a ostra pode passar de 10 para quase 100 gramas, sendo então readquirida pelos franceses.

Rui Ferreira também está na actividade há cerca de 10 anos e é, actualmente, o maior aquacultor de ostras de Alvor, dispondo ainda de uma estrutura de produção no rio Arade. No seu caso, opta por adquirir juvenis muito mais pequenos do que a generalidade dos restantes aquacultores, com apenas três meses s, pelo que o tempo de crescimento exigido é maior - entre 1,5 e 2 anos.
"As ostras são colocadas em sacos próprios, mas nem todas crescem ao mesmo ritmo, pelo que temos de peneirar, retirando as maiores para sacos com uma malhagem superior. Desta forma, as ostras mais atrasadas no desenvolvimento começam a crescer mais rapidamente", explica Rui Ferreira, que conta, actualmente, com cerca de "nove milhões de ostras em produção". Este aquacultor, que tem três trabalhadores em permanência e mais três sazonais, faz ainda uma selecção das ostras antes de exportá-las para França.
Rui Ferreira acha que "o negócio tem pernas para andar, mas acarreta muitos riscos". O custo das sementes (ostra pequena) também tem aumentado muito e existe uma grande escassez. Os preços obtidos pelos aquacultores dependem da procura do mercado, mas a ostra de tamanho comercialmente mais adequado (entre 65 e 100 gramas) pode atingir cerca de 3 euros por quilo.
O período de produção situa-se entre Setembro e Maio. Nessa altura, é retirada a ostra já crescida e colocada a pequena na ria.
QUALIDADE DA ÁGUA É ESSENCIAL
A área de cultivo na ria de Alvor ronda os 67 metros quadrados. Os aquacultores dizem que a qualidade da ostra resulta da própria qualidade da água. Há quem traga ostras de Setúbal para efectuar a sua limpeza (afinação), antes da venda.
"BUROCRACIA ATRASA PROJECTOS": Fernando Gonçalves, Assoc. Portug. de Aquacultores
CM – Qual é a importância da ostra no sector da aquacultura?
Fernando Gonçalves – A produção em aquacultura ronda as oito mil toneladas e só a ostra representa cerca de mil, segundo o INE. É uma fatia importante.
– Quais são as principais dificuldades com os aquacultores de ostra se debatem?
– Os produtores têm de ir buscar os juvenis de ostra a França porque não existem maternidades em Portugal. Faltam ainda depuradoras e apoio tecnológico. Pelo contrário, a burocracia é excessiva e está a atrasar o licenciamento de novos projectos, tanto inshore como offshore.
– O que é que o País ganha com o desenvolvimento do sector?
– É uma actividade que emprega muita mão-de-obra e que cria um produto de qualidade destinado sobretudo à exportação.
RIA FORMOSA REGISTA AUMENTO DE PRODUÇÃO
A ria Formosa, no Algarve, é a zona com maior produção de ostras, sendo a maior parte destinada ao mercado interno (cerca de dois terços). Manuel Augusto da Paz, presidente da Formosa - Cooperativa de Viveiristas da Ria Formosa, diz que tem havido "um grande incremento da actividade", estimando que a produção anual se aproxime das "600 toneladas". Os juvenis são importados de França e colocados "no solo, crescendo livremente". Quando desovam, a água leva os juvenis para toda a ria, contribuindo assim "para o seu repovoamento". Existem as variedades portuguesa (angulata) e giga (japonesa), bem como variedades resultantes do cruzamento entre ambas. Apesar dos riscos, a actividade pode gerar uma taxa de rentabilidade "entre os 40 e os 50%".
DIVERSOS TIPOS DE CULTURA
Existem diversos tipos de cultura de ostras em Portugal. Na ria de Alvor, os aquacultores optam por colocar o molusco em sacos de rede em cima de estruturas de ferro, ficando na maré baixa fora de água. Na ria Formosa, o método é diferente, sendo a ostra colocada directamente no solo. Em Sagres, existe ainda a cultura em mar aberto, em estruturas próprias.
DENOMINAÇÃO DE ORIGEM
A ostra da ria Formosa , tal como a amêijoa boa, vai dispor do selo de Denominação de Origem. Manuel Augusto da Paz refere que "o caderno de encargo será entregue à União Europeia em breve", prevendo que "até ao final do ano" o processo esteja concluído. O dirigente cooperativo refere que isso será uma garantia para os consumidores de "um produto de alta qualidade"." - Correio da Manhã

Castro Marim comemora feriado municipal

"A Câmara Municipal de Castro Marim comemora o feriado municipal, dia 24 de Junho, com um diversificado programa de animação cultural e musical, em especial dirigido à juventude, procurando também fazer desta efeméride uma reflexão consciente e empenhada sobre a longa história e o futuro deste promissor concelho. 



O programa de comemorações do Dia do Município, que decorre de 22 a 25 de Junho, tem início com uma deliciosa peça de teatro, “Elas sou Eu”, no auditório da Biblioteca Municipal, já na noite de quarta-feira.

A anteceder o feriado municipal, na noite de 23, haverá um Grande Arraial de São João, na Praça 1º de Maio, com a participação da Marcha do Rancho Folclórico do Azinhal, do Grupo Etnográfico de Castro Marim e o Grupo Coral de Altura.

No dia 24 de Junho, os festejos começam com a Alvorada pela Banda Musical Castromarinense, seguindo-se o hastear da Bandeira no edifício dos Paços do Concelho. Às dez da manhã, terá lugar uma missa solene na Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, que será celebrada pelo Bispo do Algarve, Dom Manuel Neto Quintas.

Uma hora depois, as comemorações oficiais têm lugar no auditório da Biblioteca Municipal com a realização da Sessão Solene e a atribuição de distinções municipais a personalidades do concelho, que se têm destacado na vida pública.

Às 12.30 horas acontecerá um dos momentos solenes do Dia do Município, a inauguração das obras de requalificação da Igreja de São Sebastião, da Santa Casa da Misericórdia.

Entre as 17.00 e as 23 horas chegam as “Tardes Digitais”, no Revelim de Santo António, dedicadas aos mais jovens, com Consolas PS3, Xbox 360, Nintindos wii e, ainda, torneio Evolution Soccer. Ao cair da noite, o Revelim de Santo António é invadido pela música jovem: primeiro, os sons e os tons da música dos Allmariados; às 22.30, um concerto com o grupo Virgem Suta e a finalizar o dia temos After Hours com famoso DJ Sérgio Delgado.

A encerrar as comemorações do feriado municipal, dia 25 de Junho, às 19.30 horas, haverá um concerto no Castelo da Vila com a Banda Musical Castromarinense, no âmbito do Programa Regional "Filarmónicas nos Monumentos", promovido pela ARFA e Direcção Regional de Cultura do Algarve. Entre as 17.00 e as 23.00 horas voltam as “Tardes Digitais”." - 
http://www.cm-castromarim.pt

Gastronomia Algarvia - Massada de Peixe


Ingredientes:
(para 4 pessoas)
  • 1,5 dl de azeite
  • 2 cebolas
  • 2 dentes de alho
  • 750 gr de tomate maduro
  • 1 folha de louro
  • 500 gr de cotovelos miúdos
  • 1 piripiri
  • 1 ramo de coentros
  • 1 Kg de peixe (corvina, sargo, pargo ou cherne)
  • 1 pimento verde
  • 1 pimento vermelho
  • 1 folha de hortelã


Confecção:
Faça um refogado com a cebola, os alhos picados e o azeite.

Junte o tomate, o louro, o peixe temperado com sal e água que baste para cozer o peixe e depois a massa. Quando a massa estiver cozida, junte o peixe e rectifique de sal e pimenta.
Deixe apurar.Sirva bem quente, polvilhada com coentros e decorada com um ramo de hortelã. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Algarve: Locais a visitar - Sitio das Fontes

O Parque Municipal das Fontes, ou Fontes de Estômbar, localiza-se no início e ao longo das margens de um esteiro da margem esquerda do Rio Arade, perto da vila de Estômbar, concelho de Lagoa.


É um terreno com cerca de 18 ha (180.000 m2) e um local vasto de ecossistemas onde reina o convívio com a Natureza. Essencialmente procurado para a prática de piqueniques, este parque vê o Rio Arade passar por si vindo de Silves em direcção ao Atlântico. 
Neste parque espera-nos um moinho de maré recuperado que pode ser visitado, uma casa Algarvia reconstruida, um anfiteatro ao ar livre e um percurso para a prática de exercício físico. 
É também importante do ponto de vista histórico-cultural porque ali se encontram vestígios de actividades humanas que datam de tempos remotos. Os dois moinhos de água são os testemunhos mais eloquentes dessa actividade humana. A antiguidade de pelo menos um deles está documentada no "Livro do Almoxarifado de Silves", do Século XV, que se refere a uma"(...) açenha das fontes em que fez Vicente Pirez huu moynho (...)".É assim que, dada a sua beleza natural e importância ecológica, a existência de várias nascentes de grande caudal e o património histórico-cultural, tem sido tradicionalmente utilizado pelas populações locais para actividades de lazer, comemoração de datas festivas, contacto com a Natureza, etc. Conhecido pela lagoa que se forma com a água das fontes, onde ainda se vai podendo tomar banho.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Centro de Loulé invadido por sons do Mediterrâneo

"E será com sonoridades portuguesas  que o "Festival do Mediterrâneo'11” (MED) de Loulé, verá a luz do ...luar já na quarta feira, 22 de Junho, com as vozes de Lula Pena e de António Zambujo, que abrem a oitava edição do MED  nos palcos do Castelo e da Cerca.


Para quinta feira, 23 de Junho está prevista a actuação da banda de Coimbra Sean Riley & The Slowriders, para  as 21:45 no Palco Cerca.

Luísa Sobral, cantora e compositora actuará também no Palco Cerca pelas 21:45 de sexta feira 24 de Junho, e para sexta feira mas no Palco Castelo espera-se a participação dos Pinto Ferreira que pelas 23:30 apresentarão os seus Elogio da Estupidez e Violinos no Telhado.

O grupo Afro-Cubism, com músicos de Cuba e do Mali, preencherá o último dia do Festival Mediterrâneo, sábado,  25 de Junho num concerto no Palco Matriz, que entrará pela madrugada de domingo.

Para este ano e para a noite de abertura, na quarta feira, o MED decidiu alternar as sonoridades portuguesas com sonoridades próximas como é o caso do músico Marrokan, que actua pelas  21:45 no Palco Castelo e dos espanhóis Muchachito Bombo Infierno, que sobem ao Palco Cerca pela meia-noite, para misturar rumba catalã, reggae e rock.

Na quinta feira, 23 de Junho, pelas 22:45, é a altura de vermos e ouvirmos no Palco Matriz sons da Nigéria com a banda de Lagos Seun Anikulapo Kuti & Egypt 80, que funde afro-beat, jazz e hip-hop.

Os ritmos dos Balcãs, misturados com funk, twist, turbofolk e techno, chegam ao MED também na quinta-feira, com o espectáculo do esloveno Roberto Pesut que devido à sua excentricidade é conhecido como “Madonna eslovena”, actua no Palco Cerca, pela meia noite.

Neste festival Loulé vai ainda ter oportunidade de ouvir, no sábado, 25 de Junho, o quarteto ucraniano DakhaBrakha, com música folk ucraniana misturada com sonoridades de todo o mundo, e a banda George Clinton & Parliament Funkadelic, que actua na sexta-feira, pelas 22:45, no Palco Matriz.

Para além do programa musical, durante os dias do MED, o centro histórico de Loulé tem à disposição dos visitantes gastronomia típica do Algarve, artesanato, exposições, numa alternativa aos espectáculos musicais espalhados pelos sete palcos do Festival.

O bilhete diário para o MED custa 12 euros e o passe para os quatro dias, custa 40 euros." - Hard Musica

Algarvios ilustres - João de Deus

Poeta e pedagogo, João de Deus nasceu a 8 de março de 1830, em  S. Bartolomeu de Messines, e morreu a 11 de janeiro de 1896, em Lisboa.


Depois de ter frequentado, durante dez anos, o curso de Direito em Coimbra (onde foi uma das figuras mais destacadas da boémia estudantil da época e se relacionou com alguns elementos da Geração de 70, sobretudo Antero de Quental e Teófilo Braga), de ter dirigido em Beja, entre 1862 e 1864, o jornal O Bejense(onde publicou muitas das suas primeiras poesias), e de ter iniciado a prática de jurisconsulto, foi eleito deputado, em 1868, por Sines. Mudou-se para Lisboa, onde continuou a frequentar ambientes de boémia literária. Colaborou em vários jornais e revistas, como O AcadémicoAnátemaO AteneuCiências, Artes e LetrasO FósforoGazeta de PortugalA GrinaldaHerculanoPrelúdios Literários e Revista de Coimbra. Por volta de 1868-1869, coligiu as suas poesias no volume Flores do Campo, a que se seguiram Ramo de Flores(1869), Folhas Soltas (1876), Despedidas do verão (1880) e Campo de Flores (1893). No seguimento da sua nomeação para o cargo de comissário-geral do ensino da leitura, viria a desempenhar um papel social e cultural da maior distinção, revelando-se decisivos os seus esforços para a alfabetização de camadas cada vez mais alargadas da população portuguesa. A publicação, em 1876, da célebre Cartilha Maternal, método de ensino da leitura verdadeiramente revolucionário no panorama pedagógico nacional, constituiu um marco importante desse processo. Devido, em parte, à sua ação de pedagogo, em 1895 foi agraciado com várias homenagens à escala nacional, entre as quais a de sócio-honorário da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra. 

Como poeta, João de Deus situou-se num momento em que a via ultrarromântica estava já a esgotar-se, mas, apesar do apreço que lhe manifestavam autores como Antero de Quental, não se identificou com as preocupações filosóficas e sociais da Geração de 70. De facto, a temática dominante da sua obra poética afastou-o da nova corrente. O seu lirismo intimista versa constantemente sobre o amor, e por vezes perpassa um sentido de plácida religiosidade, exprimindo-se sempre num estilo simples. A sua obra abrange vários géneros, da ode à elegia, do epigrama à fábula, passando pelo soneto. João de Deus, que Antero considerava, já em 1860, "o poeta mais original do seu tempo", defendeu e praticou um lirismo depurado, inspirado, a exemplo de Garrett, na lírica tradicional portuguesa e na obra camoniana, de onde recuperaria o soneto como um dos seus géneros de eleição.

Bibliografia: Flores do Campo, s/d (poesias); Ramo de Flores, 1869 (poesias); Folhas Soltas, 1876 (poesias); Cartilha Maternal, 1876 (didáctica); Despedidas do Verão, 1880 (poesias); Campo de Flores, 1893 (poesias); Prosas, 1898 (crónicas, edição póstuma)