segunda-feira, 20 de junho de 2011

Vela: Portimão Portugal Match Cup

Entre 22 e 26 de Junho, Portimão vai receber uma das três provas de elite da Vela, o Portimão Portugal Match Cup. A competição é uma das etapas do circuito anual da World Match Racing Tour, que serve de treino e apuramento para a America’s Cup. O Portimão Portugal Match Cup integra a programação de desporto do “Allgarve’11” e já vai na oitava edição.


As melhores tripulações de match race da America’s Cup vão passar pela cidade algarvia para cumprir uma das etapas do Circuito Mundial da World Match Racing Tour, grau World Cup (WC) – o grau máximo atribuído a uma regata pela Federação Internacional de Vela (ISAF).

Serão 12 os skipers que vão travar competição no mar algarvio, que lhes dará acesso ao Americas Cup, entre eles, constam nomes como: Jesper Radich (DEN) da Adrian Lee & Partners, Damien Iehl (FRA) da French Match Racing Team e Olli-Pekka Lumijärvi (FIN) da Siragusawa Sailing Team.
Em simultâneo, decorrerá também o Portimão Portugal Júnior Cup prova dedicada aos mais jovens e às promessas da vela nacional e internacional


Programa:
PORTIMÃO PORTUGAL MATCH CUP – 22 a 26 de Junho 2011
• 21 de Junho (3ª Feira) TREINOS
  • 09h30                Abertura da Secretaria do Evento
  • 09h30/17h00    Inscrições / Pesagem das tripulações
  • 10h00/17h00    Treinos
  • 13h00/15h00    Almoços (velejadores)
22 de Junho (4ª Feira)
  • 09h30               Abertura do Welcome Desk / Acreditações
  • 10h00               Reunião de timoneiros
  • 11h00               Regatas
  • 13h00/15h00    Almoços (velejadores)
  • 20h00               Jantar Oficial de Cerimónia de Abertura do Portimão Portugal Match Cup
• 23 de Junho (5ª Feira)
  • 09h30               Abertura do Welcome Desk / Acreditações
  • 10h00               Reunião de Timoneiros
  • 11h00               Regatas
  • 13h00/15h00    Almoços (velejadores)
  • 18h00               Happy Hour / Press Conference
• 24 de Junho (6ª Feira)
  • 09h30               Abertura do Welcome Desk / Acreditações
  • 10h00               Reunião de timoneiros
  • 11h00               Regatas
  • 13h00/15h00   Almoços VIP
  • 18h00               Happy Hour / Press Conference
• 25 de Junho (Sábado)
  • 09h30               Abertura do Welcome Desk / Acreditações
  • 10h00               Reunião de timoneiros
  • 11h00               Regatas‚ quartos de final
  • 13h00/15h00   Almoços VIP
  • 18h00              Happy Hour / Press Conference
• 26 de Junho (Domingo)
  • 09h30               Abertura do Welcome Desk / Acreditações
  • 10h00               Reunião de timoneiros
  • 11h00               Regatas‚ meias-finais e final
  • 13h00/15h00    Almoços VIP
  • 17h00               Cerimónia de Entrega de prémios do Portimão Portugal Match Cup – Marina de Portimão

Cacela recebe 3ª Mostra Gastronómica “Entre a serra e o mar”

"Já arrancou a 3ª Mostra Gastronómica de Cacela “Entre a serra e o mar”, que decorrerá até dia 3 de julho.


O evento pretende realçar a alimentação das gentes de Cacela, que é resultado de antigas heranças ligadas à exploração dos recursos do mar e da ria – o pescado diverso, o marisco e especialmente os bivalves –, do labor nas hortas e pomares do barrocal com variedade de hortícolas, citrinos e frutos secos (figo, amêndoa e alfarroba), bem como de tradições serranas ligadas à pastorícia, ao mel, aos antigos ciclos do pão e do porco, à caça e à utilização de ervas na aromatização das açordas e outros pratos.

A iniciativa é organizada pela câmara de Vila Real de Santo António e a ADRIP, com o intuito de “valorizar saberes e sabores do território de Cacela, entre a serra e o mar”.
“Pretende-se promover os produtos locais e tradições alimentares em receitas antigas ou novas criações, para apreciar nos restaurantes participantes, localizados em áreas de elevado valor paisagístico e cultural”, adianta a autarquia, nomeadando os estabelecimentos aderentes: Finalmente, Rios, Chá com Água Salgada e Sem Espinhas, na Manta Rota junto à Praia, A Camponesa em Vila Nova de Cacela e Casa de Pasto Fernanda e Campinas na Corte António Martins.
No decorrer da mostra podem degustar-se pratos como estupeta de atum, sardinha em vinagrete com batata-doce e alfarroba, ensopado de javali, sargo grelhado com flor de sal e molho de ervas da serra algarvia com batatinha e salada à montanheira, plumas de porco ibérico com puré de batata-doce e laranja laminada, migas de tomate com peixe frito, arroz de berbigão com amêijoas e coentros, entre outros." - Jornal do Algarve

HPA inaugura primeira unidade privada para tratamento de cancros

"O Hospital Particular do Algarve (HPA) vai abrir na segunda quinzena de julho a primeira unidade privada de tratamento oncológico, em Faro. O anúncio foi feito numa altura em que o HPA celebra o 15.º aniversário e comemora também dez anos sobre a criação da Unidade de Intervenção Cardiovascular.



A primeira unidade privada de tratamento oncológico da região vai ser inaugurada, na segunda semana de julho, em Faro, adiantou ao JA uma fonte do Hospital Particular do Algarve (HPA).
O grupo, que detém mais duas unidades hospitalares na região, em Alvor e Portimão, pretende assim responder às necessidades dos doentes com vários tipos de cancro (mama, estômago, próstata, pulmão).
Nas unidades de Faro e Alvor, os médicos do HPA já promovem consultas de oncologia, sendo agora dado mais um passo para melhorar os cuidados de saúde prestados aos doentes do foro oncológico.
A unidade oncológica será instalada na unidade hospitalar de Faro, nas Gambelas, que conta com outras valências, como uma maternidade com suites, oito camas para cuidados intensivos e bloco operatório com nove salas de cirurgia e tecnologia para transmitir operações, entre outras.
Com um corpo clínico de 125 médicos – algarvios, lisboetas, mas também ingleses, franceses, holandeses e alemães – o Hospital Particular do Algarve quer diferenciar-se pelo atendimento permanente de 24 horas e por oferecer valências médicas inexistentes na região associados ao turismo de saúde.

Dez anos a cuidar do coração dos algarvios
No ano em que comemora o seu 15º aniversário, o HPA também está em festa devido à celebração dos 10 anos desde a criação da Unidade de Intervenção Cardiovascular (UIC), que anda há uma década “a cuidar do coração dos algarvios”.
“Esta unidade veio responder a uma lacuna de saúde na região do Algarve e dar rápida resposta a situações de perigo de vida, como é o caso do enfarte agudo do miocárdio, que necessita de tratamento em menos de três horas através de angioplastia (desobstrução da artéria do coração por cateterismo)”, adiantam os responsáveis, frisando que a UIC trata atualmente cerca 200 doentes da região sul por ano e realiza mais de 600 exames diagnósticos.
Segundo José Baptista, cardiologista do HPA, “o aparecimento da UIC veio modificar a esperança de vida de muitos doentes que de outra forma poderiam não ter tido acesso a estas técnicas de angioplastia”.
O médico acrescenta ainda que, “até 2001 não existia nenhuma sala de hemodinâmica a sul de Setúbal, pelo que todos os doentes com enfarte do miocárdio ocorridos no Algarve tinham de ser transportados por ambulâncias ou por helicóptero para um hospital em Lisboa, facto que, para além dos elevados custos, impedia que doentes fossem tratados na janela de tempo mais eficaz para o seu tratamento”." - Jornal do Algarve

Terras do nosso Algarve - Faro

Faro situa-se no sul de Portugal, e para além de Concelho, é capital de Distrito. O seu Centro Histórico é obrigatoriamente um dos principais pontos de paragem. Envolvido pelas muralhas, o mais antigo núcleo urbano, conhecido por Vila-Adentro ou Cidade Velha, apresenta-nos alguns dos mais importantes e antigos monumentos da cidade, marcos da história de povos e costumes.

A gastronomia Algarvia é rica em tradição. A sua origem remonta aos tempos históricos da presença dos romanos e árabes. Os ingredientes utilizados, com origem na região, reflectem os sabores frescos do mar e os aromas agradáveis e fortes do campo.
Espaços culturais como o Teatro Municipal de Faro, inaugurado em 2005 e que acolhe grandiosos espectáculos nas mais diversas áreas culturais como a Dança, a Música, o Teatro ou Cinema, conferem a Faro a imagem de cidade cultural.
A Cidade de Faro, “plantada” pelos romanos à Beira da Ria Formosa, recomenda-se.
Pela história, pelo património, pela vida cultural, pela calma, pela natureza.

Património
Arco da Vila
Numa das portas medievais do recinto amuralhado, o Bispo D. Francisco Gomes do Avelar mandou o arquitecto genovês Francisco Xavier Fabri, por si trazido de Itália, construir um portal monumental, em cujo nicho figura uma imagem italiana, em mármore, de S. Tomás de Aquino.
Castelo
Integrado nas muralhas, o castelo constituía o último reduto da fortificação. Tinha três portas, duas com ligação para o mar: a Porta do Mar e a Porta do Socorro e a terceira para a Vila-Adentro. Dos sucessivos restauros, destaca-se o que foi realizado a seguir a 1596, em que sofreu profundas alterações, pois foi adaptado à artilharia. Inclusivamente foi-lhe anexado um revelim.



Celeiros de São Francisco
Localizado na Rua Manuel Penteado, foi construído no perímetro interior da Cerca Seiscentista. Apesar da designação rnantida pela tradição, trata-se de uma casa de fresco mandada construir nos meados do século XVIII, pelo Desembargador Veríssimo de Mendonça Manuel, cujo brasão é ostentado sobre a porta principal.

Outros locais de interesse:
Ria Formosa
Cerca Seiscentista
Convento de São Francisco
Convento dos Capuchos
Ermida da Nossa Senhora da Boa Esperança
Ermida de Santo António
Ermida de São Luís
Muralhas

História

O aglomerado proto-urbano de Faro, antiga Ossónoba, remonta à II Idade do Ferro (Sec. IV a.C. – Época Romana ). Os pratos de pescado encontrados em escavações no Largo da Sé comprovam os contactos comerciais mantidos com o Norte de África, pelo menos entre a 2.ª metade do séc. IV a.C. e o séc. III a.C..

Na época árabe a cidade de Ossónoba, mais tarde de Santa Maria, é bem um exemplo do espírito de tolerância e mútuo conhecimento entre as comunidades muçulmanas e cristãs aqui fixadas, mantendo-se o estreito contacto com o Norte de África. Do imenso legado deixado pelos árabes chegaram até nós as duas portas de entrada na cidade árabe de Santa Maria.
Em 1249 os cristãos reconquistam Faro, ficando porém aqui fixada uma comunidade muçulmana como o atesta o foral de 1266 ao mouros foros. Para além da Mouraria, localizada extra-muros, desenvolve-se no século XIV a zona ribeirinha, tornando-se os mareantes os principais obreiros deste crescimento urbano. A Casa do Compromisso Marítimo e a Igreja de São Pedro atestam esse incremento. Os constantes privilégios concedidos pelos vários monarcas aos mareantes da cidade de Faro comprovam a importância que tiveram na cidade e o contributo dado à Expansão Marítima.Com a chegada dos romanos Ossónoba torna-se capital de civitas (vasto território) e tem direito a cunhagem de moeda ainda em época republicana. Cidade cosmopolita à qual afluem muitos estrangeiros e comerciantes vindos do Norte de África e de todo o vasto império romano. O mosaico de Oceano, encontrado há alguns anos numa rua da cidade de Faro, é um belo exemplar de uma rica associação de comércio marítimo outrora existente num dos principais portos do litoral atlântico. A importação de louça fina de mesa – a terra sigillata e a exportação de salsamenta (peixe salgado) e de garum (preparado de peixe) motivaram fortes contactos com o exterior. A riqueza da população de Ossónoba está bem patente na uilla de Milreu, nos arredores de Faro, tendo-se aqui descoberto três bustos imperiais ( Agripina séc. I d.C., Adriano séc. II d.C. e Galieno séc.III d.C.).
Conforme refere Alberto Iria, na vila de Faro “viviam numerosos cavaleiros e escudeiros e ali vinham com frequência bastantes estrangeiros, precisamente na época em que o Infante D. Henrique procurava interessar também os particulares nas primeiras viagens de exploração comercial para a Guiné” .
Em 1499, o rei D. Manuel I promove a renovação urbana de Faro. O centro da vila, que se situava nas Alcaçarias (actual Pontinha), passa para a Ribeira (actual baixa) onde manda construir a Alfândega, um hospital e a Ermida do Espírito Santo (actual Igreja da Misericórdia) e um açougue. A actual estruturação urbana do Centro Histórico de Faro remonta a este período, tendo-se assistido à elevação a cidade em 1540 e à transferência para esta localidade da sede do assento episcopal, em 1577. A crescente prosperidade económica traduz-se no aparecimento de quatro conventos ( São Francisco em 1517, Nossa Senhora da Assunção em 1519, Santiago Maior da Companhia de Jesus em 1603 e Santo António dos Capuchos em 1620) e no envolvimento de toda a cidade por baluartes, nos meados do século XVII, para a defenderem de uma eventual invasão espanhola.
No século XVIII a cidade de Faro já era o principal centro urbano da região e também o mais próspero e o mais populoso. A (re)construção de templos e edifícios públicos, habitacionais e as sucessivas campanhas de ornamentação proporcionaram um ambiente artístico digno de registo. As Igrejas da Sé, das Ordens Terceira de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco, da Misericórdia e do antigo Convento de Santo António dos Capuchos constituem interessantes testemunhos do esplendor então vivido.
Hoje a cidade de Faro promove o espírito dos Descobrimentos ao valorizar o passado através da revitalização, recuperação e protecção do seu Centro Histórico. Por sua vez, a Universidade e os restantes equipamentos de ensino e de cultura apostam na crescente qualificação do nível de vida e deste modo preparam o futuro. Deste modo, Faro reafirma a sua capitalidade regional.

domingo, 19 de junho de 2011

Silves: Biblioteca municipal lança projeto para dinamizar troca de livros escolares

"A Câmara Municipal de Silves (CMS) está a dinamizar, através da biblioteca municipal, um projeto denominado «Manuais solidários», que consiste na troca de manuais escolares, por forma a permitir a redução de custos de aquisição dos mesmos pelos encarregados de educação. 




O projeto, inédito no município, está a ser desenvolvido em colaboração com o sector de educação da autarquia e com os vários agrupamentos escolares do concelho, visando “promover uma correta racionalização do uso dos livros, prolongando o seu tempo útil de utilização, bem como uma maior consciencialização de todos os munícipes para as práticas de reutilização e de reciclagem, preservando o meio ambiente; promovendo o livro como valor educativo e cultural”. 

Para participar neste projeto basta proceder à entrega dos manuais escolares de anos anteriores na biblioteca municipal de Silves (BMS) ou nas escolas aderentes à receção de livros, até 15 de agosto. 

Após a recolha dos manuais, a BMS irá proceder à avaliação e análise de cada um deles (nomeadamente no que diz respeito ao seu estado de conservação), e proceder à sua organização (por disciplinas e por ano de escolaridade), após o que serão inseridos numa base de dados criada para o efeito e que será disponibilizada ao público no dia 20 de agosto, quer na BMS e nas escolas, quer no sítio da autarquia. 

Os prazos referidos irão permitir que a partir do dia 1 de setembro os alunos possam levantar na BMS os livros que irão necessitar para o próximo ano letivo. 

No final do programa, a biblioteca municipal reencaminhará os livros que não foram entregues para o sector de Ação Social da Câmara Municipal, para que este os entregue a organizações locais, que se mostrem interessadas em recebê-los. 

Para mais informações sobre esta atividade os interessados poderão contactar a biblioteca municipal de Silves, através dos telefones 282440800 e 282442112, ou do endereço eletrónico biblioteca@cm-silves.pt." - Região Sul

Autarquias: Eventual fusão de Faro e São Brás seria retrocesso

"Recuar um século e voltar a unir Faro e São Brás de Alportel num cenário de fusão autárquica imposto pela "troika" poderia acentuar o desemprego e ferir a economia local, consideram moradores e representantes de associações cívicas. 

Autarquias: Eventual fusão de Faro e São Brás seria retrocesso de um século dizem moradores e associações locais

O memorando de entendimento para a ajuda externa a Portugal prevê uma redução dos municípios e freguesias e apesar de ainda não haver propostas concretas no Algarve um dos cenários poderia ser a fusão daqueles concelhos.

Apesar de não existir a rivalidade que opõe Faro e Olhão, no que respeita aos respetivos clubes de futebol e não só, a ideia parece não ser brilhante para os munícipes e dirigentes de associações locais com quem a Lusa falou.

"Se a ideia é evitar o desperdício de dinheiro mais vale acabar com as parcerias público privadas e com a enorme quantidade de institutos que há no país", defende Bruno Lage, presidente da associação Faro 1540.

Segundo o engenheiro do ambiente, a fusão entre os dois municípios poderia criar mais desemprego e "afogar ainda mais a economia local", sobretudo em São Brás que, por ser mais pequeno, seria mais fustigado.

A desanexação de São Brás - hoje com mais de 10 mil habitantes e que antes era a freguesia rural mais populosa de Faro -, acontece em 1914 com o desenvolvimento da indústria da cortiça, tornando-o no último concelho algarvio.

Para Gonçalo Gomes, da associação Al-Portel, a fusão "puramente administrativa" não faria sentido, apenas se a junção decorresse num cenário de partilha de políticas de gestão entre os dois concelhos.

"Poderia ser vantajoso numa perspetiva de gestão partilhada de, por exemplo, equipamentos culturais e outros meios das autarquias", refere o arquiteto paisagista, frisando a importância de salvaguardar postos.

Élio Vicente trocou recentemente a capital algarvia pela vila e jura que ganhou anos de vida mas receia que uma possível fusão comprometesse a autonomia de São Brás, que, refere, tem conseguido proteger-se da massificação.

"Se a questão fosse a referendo votava contra", resume o biólogo marinho, que diz que se a vila deixasse de ter um centro de decisão - caso a Câmara de Faro a aglutinasse -, São Brás poderia passar a ser apenas uma periferia da cidade.

A movimentação de residentes entre ambos os concelhos - São Brás situa-se a norte de Faro -, tem vindo a aumentar e tanto existem aqueles que, como Élio, deixam a cidade em procura de paz, como os que largam a vila em busca de emprego.

É o caso de Rute Gago, licenciada em Animação Sócio Cultural e que, apesar de achar que São Brás poderia tirar algum partido de estar ligado a uma cidade, receia que essa centralização prejudique quem vive na vila.

"Voltar a ser uma freguesia significaria um retrocesso no desenvolvimento de São Brás", considera, argumentando que, se hoje a vila já é uma espécie de dormitório da capital algarvia, uma eventual fusão poderia acentuar esse registo." - Observatório do Algarve

Lendas Algarvias - Senhor Jesus de Alvor

Na antiga Igreja Matriz de Alvor existe uma imagem de Cristo crucificado à qual estão ligados alguns episódios miraculosos, sendo um deles o do aparecimento da própria imagem. São velhinhos os factos que vamos contar, tão velhinhos como a igreja, que, construída no século XVI, resistiu, como veremos, ao terramoto de 1755, que destruiu quase toda a vila, incluindo o castelo onde faleceu D. João II.
Há muito, muito tempo atrás, estavam uns pescadores de Alvor na sua faina quando viram ao longe, balouçando na crista das ondas, um caixão. O tempo estava bom e sem vento, as águas calmas, e há muito que se não ouvia falar de naufrágio algum, pelo que estranharam aquele caixão vogando nas águas em direcção à praia. E o mais espantoso era que o caixão seguia em linha recta para Alvor, como que obedecendo a uma força intencional.
Os homens, estupefactos, decidiram acompanhar aquele fenómeno, de longe, remando à distância que o seu medo considerava aconselhável. Quando viram o caixão encalhar na areia da praia, puseram os barcos a seco e correram à vila a contar o que acabavam de ver. Reunida a população, desceram todos à praia, onde decidiram abrir o caixão, já preparados para qualquer maravilha ou riqueza que pudesse encerrar.
Foi-lhes difícil arrombar a caixa, mas quando o conseguiram descobriram, atónitos, que continha uma doce imagem do Senhor Jesus crucificado. Indecisos, ficaram a olhar-se e a olhar a imagem, esperando que alguém decidisse que lhe fazer. Um, mais expedito, achou que deviam levá-la para a Igreja Matriz até que lhe escolhessem outro albergue. Mas quando, ao fim de várias tentativas, quinze homens conseguiram pôr a imagem às costas, encontraram no fundo do caixão um letreiro que dizia: «Senhor Jesus - Praias de Alvor.» Contentíssimos com aquela dádiva do Céu, instalaram o achado, definitivamente, no altar da Igreja Matriz.
Ora, a imagem começou logo a operar grandes prodígios, de tal modo que o povo de Portimão resolveu ir roubar o Senhor Jesus a Alvor. Na noite combinada, os portimonenses entraram na igreja quando já toda a vila dormia, e colocaram o enorme crucifixo num carro ao qual atrelaram duas juntas de bois. Silenciosamente, iniciaram o caminho de regresso a Portimão. Até ao sítio das Morticeiras, tudo correu bem, mas daí em diante, por mais juntas que acrescentassem ao carro, este não se moveu nem um palmo. É que ali, nas Morticeiras, era o limite das duas freguesias. Quando viram esta maravilha, os ladrões, envergonhados, voltaram para trás e foram pôr a imagem no seu altar, a fim de que se não soubesse do caso.
O Senhor Jesus de Alvor fez muitos mais milagres. Conta-se, por exemplo, que várias vezes o sacristão notara, quando abria a porta principal da igreja, uns passos molhados no pavimento de pedra, desde a porta até ao altar do Senhor Jesus. Reparara também, nessas ocasiões, que os joelhos da imagem vertiam sangue. A repetição destes factos e a sua coincidência com diversos naufrágios nas costas de Alvor, em que eram salvos os marinheiros, deram que pensar ao sacristão, que resolveu pôr-se à espreita.
Assim, uma noite o sacristão viu Jesus descer da cruz, encaminhar-se para a porta e sair. Esperou. Daí a bocado viu entrar o Senhor, encharcado, deixando no chão a marca dos pés molhados, subir ao altar e pôs-se de novo na cruz. Era Ele o salvador dos marinheiros naufragados.
Conta-se, do dia do terramoto de 1755, o seguinte caso, também ligado à imagem.
Ao primeiro estremeção, o povo, que se preparava para a missa, correu aflito para a igreja a implorar misericórdia ao Senhor. Enquanto a terra rugia e o mar bramava, fecharam portas e janelas, e, ajoelhados, esperavam que a ira de Deus os poupasse.
Lá fora, o mar formou-se numa enorme vaga, que, vinda do fundo da praia, galgou areia, terra, casario e castelo, destruindo e matando tudo o que encontrava pela frente. E assim como veio, foi-se. E voltou. Voltou várias vezes, bradando em voz cava e rouca contra o que se lhe opunha.
Numa das vezes em que a onda recolhera à praia, um dos pescadores foi à porta da igreja e, vendo a furiosa massa de água engolir o areal e dirigir-se para eles, gritou: «Senhor Jesus, acudi-nos!» E um rapazinho, em desespero, correu para o altar, arrancou a imagem do altar e foi pô-la frente ao mar que avançava aterradoramente. Então, milagre! O mar, como que a medo, parou frente ao Senhor Jesus e voltou mansamente, como quem pede desculpa, aos seus próprios limites.
O valente rapazinho acabou por desmaiar com a comoção, e, quando quiseram voltar a pôr a imagem no seu lugar, foram precisos quinze homens, que é o número de pessoas habitualmente necessárias para a deslocar.
O último fenómeno diz respeito a um caso verdadeiramente invulgar. Diz a tradição que, de tempos a tempos, crescia uma finíssima barba ao Senhor Jesus. O prior, ao reparar neste fenómeno, procurou um barbeiro que se encarregasse de, semanalmente, cortara barba à imagem. A escolha recaiu, naturalmente, num homem piedoso e crente, que durante anos desempenhou a sua tarefa com respeito e saber.
Aconteceu, porém, que o barbeiro faleceu e foi necessário arranjar outro que desempenhasse aquele serviço. Como na altura só existia um outro barbeiro em Alvor, esse tomou a seu cargo a barba semanal do Senhor Jesus.
Diz-se que o novo barbeiro não possuía as mesmas qualidades do antecessor; era homem desrespeitador, galhofeiro e insolente. Mas, apesar de tudo isto, o padre, que não tinha por onde escolher, incumbiu-o da missão, depois de muitas recomendações.
Na primeira ocasião em que foi chamado a exercer o seu ofício na Santa Imagem, o homem, depois de subir a escada de mão que utilizavam para o efeito, e fazer metade da barba de Jesus, fez um comentário desrespeitoso. O Senhor assentou nele os seus olhos habitualmente mansos, com um ímpeto tal que o barbeiro caiu fulminado para trás. A partir de então, nunca mais cresceu a barba ao Senhor Jesus e a imagem conserva-se, ainda hoje, como no momento em que o barbeiro foi castigado: de um lado limpa e barbeada, do outro ensombrada por ténue barba.